quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Paixão e morte

O copo,
Um corpo,
Confusão.

Batom,
Perfume,
Rendas.

Um corpo,
Um louco,
Paixão.

Clarão,
Projétil,
Rubro.

Em pouco,
O corpo,
Rabecão.

Oração,
Vela,
Choro.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Olhos Azuis

Algo me decepciona,
São seus olhos,
Seus olhos azuis,
Cortam-me,
Mostram meu mundo,
Que rui,
Em sua retina a me fotografar.

Em outrora colorido,
Meu mundo hoje é gris,
Mas pelos seus olhos,
Descortino-o em azul...
Olhos azuis,
Que me decepcionam,
Antes era frenesi all-time,
Hoje é caos.

A luz já não é mais branca,
Aos seus olhos, entreguei-me.
Pelas safiras, fascinei,
No instante das fotografias,
A vida já não é mais branda.
Fotos mostram meu mundo,
Que hoje ruiu.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

"Quanto dura o amor?"

Quanto dura o amor?
Eu não sei.

Mas vi seus pés,
Um sorriso abriu,
Flores enfeitam a sala,
Sua boca carnuda,
Lençol alvo,
O toque.

O beijo dado,
Luz da lua a invadir o quarto,
Praça de Santa Tereza,
Passeio de mão dada,
Poema rabiscado em papel de pão,
Juras.

A flor abriu,
Bem-te-vi  no fio de luz,
Velas acesas,
Hálito exalando volúpia,
Corpos nus,
Nuvens no solo.

Quanto dura o amor?
Eu não sei.


*Inspirado no filme "Quanto dura o amor?"

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Morte

Eram pés,
Eram mãos,
Corpos espalhados.

A esculpir,
Corpos nus,
Espalhados pela câmera.

Eram vidas,
Eram almas,
Amontoadas umas sob as outras.

Tudo frio,
Sombrio,
Luz de velas a clarear o passar.

Eram almas,
Eram seres,
Agora só nos restam os dizeres.

Vai à vida,
Fica a dor,
Findou-se o dia, mas nos fica o amor.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Cor

Eu sou bom mesmo
É para brincar de cor,
Mas de dor não.
Verde, vermelho, lilás,
A cor?
Tanto faz.
Mas a dor não.
Temor, pavor, rancor,
Tudo isto me causa torpor.
É...
Eu sou bom mesmo é pra brincar de cor,
Mas de dor
Não.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Um tiro, um único maldito e certeiro tiro. Bum!

Um tiro, um único tiro. Bum! O gatilho sendo apertado, o tambor gira, o martelo é empurrado para trás... O buraco aberto no tórax, uma dor tão intensa quanto à perda do amor ocorrida naquela mesma manhã de sexta-feira. O sorriso dela foi algo inconcebível, as palavras saltando-lhe a boca e martelando o meu tímpano: “Eu nunca te amei. Você não passa de um degrau onde gosto de subir.” A falta dela me faz ficar mais frio, menos vivo.

Um tiro, um único e maldito tiro. Bum! A mola traz o martelo para frente em alta velocidade. A agulha está à frente e... bimba! Acertou a cápsula. O sangue rubro jorrando internamente. Sinto meu estômago ficando pesado. Ânsia a todo o momento. Porque me entreguei? Devia ter lutado ao menos mais alguns minutos. Força foi o que me faltou.  Não tive fé. Como o frio que me acometia há segundos atrás, agora é a falta da mesma força que me fez baixar a guarda. Sinto-me fraco, sem vontade, infeliz.

Um tiro, um único e certeiro tiro. Bum! A pólvora explode. O projétil é expulso da cápsula. O gás faz com que o projétil seja expulso do cano. Nas ranhuras do maldito cano ele vem rodando, como se estivesse em um parque de diversão. Feliz com o gira-gira vem ganhando mais velocidade. E ela feliz agora. Brincando com seu parque em outro terreno. Fico infeliz por ter deixado ela me controlar. Ma-ni-pu-la-do, foi assim que a vida seguiu até, finalmente, ela me deixar de La-do. Era seu mais lúdico jogo: “Enganar o palhaço”. Deve ser assim que ela me achou. Em minha testa devia estar escrito ”Palhaço”. E em meu paletó o manual de instruções. Entreguei-me. É fato.  Assim como vou me entregando agora que a força e a fé me faltam. O frio cada vez mais gélido. O amor a esvaziar-se em meu estômago. Meu sangue... meu amor... minha vida...

Um tiro, um único e maldito tiro. Bum! O projétil vem voando loucamente em minha direção. Seiscentos e cinqüenta quilômetros por hora. Em frações de segundo me acerta. As luzes começam a se apagar. Esvazio o coração. As pernas vão ficando cada vez mais frouxas. Minhas mãos já não empunham reação alguma. O desejo da vida é exaurido do meu Eu. Caio ao chão. O perfume dela me esfria as lembranças. Um salto vermelho-grená me acerta o buraco no peito. A dor aumenta. A vida diminui. Penso nas promessas, nas festas, no sexo. Gozos e gozos. Desejos e solfejos. Líricas no meio conturbado urbano. Meu cotidiano findando naquela tarde de sexta-feira. Desejava um final de semana. Ganhei um final de vida.

Um tiro, um único maldito e certeiro tiro. Bum!

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Desgraceira

Era macaxeira,
Trepadeira,
Capoeira,
Sem eira nem beira,
De baixo  da cachoeira,
Que Ernesto, homem de pouca fé,
Acreditou ter encontrado a derradeira,
Única oportunidade verdadeira,
De se livrar da desgraceira,
Que fez perder a estribeira.

Na pirambeira,
Açoiteira,
Britadeira,
Cabeleira,
Bolinando a adeleira,
Que José, rapaz sem-vergonha,
Aceitou consertar a besteira,
Que ele provocou na ribanceira,
Que trouxe tanta desgraceira,
Pro povo pobre de Madeira.

Da espingardeira,
Cuspideira,
De chumbeira,
Derradeira,
Nunca se viu tanta sangueira,
Onde o sem fé e o sem vergonha,
Acertaram verdadeira desgraceira da besteira,
E Maria Feia, famosa mexeriqueira,
Tava escondida na capoeira,
Dissertou pro povo da pantaneira.

Foi choradeira,
Olheira,
De lombeira,
Leseira,
Trepada na teba da limeira,
Que Maria, moça “desmoçada”,
Chorou todas as lágrimas verdadeira,
Sem pensar que era besteira,
Se "desmoçar" ainda solteira,
E causou toda a desgraceira pros lados de Madeira.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Boipeba

Me esquece,
Sua peste!,
Eu já disse que não conheço a Celeste,
Nem quero dizer que ela não preste,
Corra porque o sorvete derrete,
Claro que já podei o cipreste,
Já dissestes!,
Teu jeito me enche de estresse,
E tem mais, tudo isto me entristece,
Tu e tua prima Celeste,
Largo as duas, agora mesmo, e vou morar com Salete,
Lá em Boipeba.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Laços

Estes laços,
  Nossos laços,
    Dores me arrebentam o peito,
      Cor rubra a espalhar pelo invólucro da alma,
        Desejos noturnos apagados na ausência do teu sorriso,
      Sofreguidão em olhos azuis a desejar a vida,
    Dormência demoníaca ao peito,
  Nossos laços,
Estilhaços.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Primogênito

És o senhor dos meus domínios,
E também dos meus fascínios,
Eu não posso mais perder,
Muito menos esquecer,
Pois és tu que me controla,
E me faz cantarolar,
Nesta vida agora,
Onde o sol passa a brilhar.

És o senhor dos meus fascínios,
E também dos meus domínios,
Já não posso conceder,
E quiçá reverter,
De envolver em seu sorriso,
Em suas mãos me enrolar,
Deixarei de ser narciso,
E suas marcas vão me marcar.

És o senhor dos meus fascínios,
E também dos meus suplícios,
Preciso agora é entender,
O que queres é viver,
Lançado a lança ao vento,
Fico agora a olhar,
Vá longe meu rebento,
Feliz vivo por saber amar.

sábado, 26 de novembro de 2011

Meu mundo

Tento me esquecer,
Mas viver é ávido,
Vivo a desprender,
Mas exijo o calor,
Deste mundo meu,
Que pelas manhãs,
Tudo nele é teu.

Se viver é amor,
Vivo a aprender,
A enfeitar de cor,
E desenraivecer,
Deste mundo meu,
Que pelas manhãs,
Tudo nele é teu.

Nisto tudo é flor,
Vamos juntos a caminhar,
E esquecer a dor,
Aprendendo a amar,
Neste mundo meu,
Que pelas manhãs,
Tudo nele é teu.

Certo é viver,
E viver de amor,
Vamos juntos crer,
E enfeitar de cor,
Este mundo meu,
Que pelas manhãs,
Tudo nele é teu.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Corpo

Fiquei anos e anos te procurando em meu corpo,
Fiquei anos e anos te procurando,
Em meu corpo fiquei anos,
Procurando-te corpo,
Anos e anos,
Meu e teu,
Corpo,
Fiquei.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Ícaro

Queria ser Ícaro,
E neste seu espaço de céu me arremessar em seus braços,
Asas de braços em seu céu,
Sol me derrete as asas,
Bicicletas e relâmpagos,
Luz e sol,
Amor desamor,
Vôo longe das garras sol meu único desejo,
O céu seu.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Estação central

Central estação,
Passa , chega, vai...
Trem da ilusão.

Sons. Sonhos, piuí tic tac...
Inocência embarcada, despachada, acabada.

Central estação,
Vai, passa, chega...
Trem da desilusão.

Ardor. Rancor, shiiiii...
Sentimento sentido, sofrido, atrevido.

Central estação,
Estação central.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Tereza

Vi Tereza hoje!, em sua luz, continua santa como nunca. Em suas curvas, boemia como sempre. Seu cheiro seu gosto, seu corpo...

Tereza...
Lembranças das noites com Gotardo.  O rubro, a pasta, a luz acabada.

Lençóis alvos espalhados pela cama. Desejo dos amados almados.

Hoje vi Tereza. Boemia como sempre. Santa como nunca.

Tereza...

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Desalmado

Desnudo fico,
assim,
a ver navios,
no mar de nossa cama.

Cama que me deixa desalmado.

Alma,
que já não é mais minha.

Desalmado sou,
Desalmado estou...

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Fuga

Leve meu corpo

Para o lugar

De onde

Um dia

Eu não

Vim...

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Lambidas, gemidos e loucuras

Roupas a desnudar,
Vistas avistando o infinito,
Nós nus,
Notas de sol em seu violão,
Desejos e solfejos,
Cantigas, mandingas, lambidas...

Cheiros no ar,
Degusto o gosto do sentir,
Nosso balanço,
Dedilhando acordes em seu braço,
Beijos e desejos,
Risos, sorrisos, gemidos...

Coração a aquentar,
Tato no quente d’alma,
Vossos sons,
Manuseio o desejo da canção na pele,
Nossos corpos,
Doçura, tesura, loucura...

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Ali...Nasci

Foi numa tarde,
Onde o dia se desvencilhava entre suas mãos,
E os raios de luz abraçavam,
E a chuva nos molhava...

Ali,
Nesta mesma tarde,
Onde os casarões da terra santa brilhavam em seus olhos,
E a branca lua nos abençoou,
E o frio nos abraçava...

Ali,
No fim da tarde,
Onde teu corpo me abrigava com suas cores negras e alvas,
E as estrelas nos iluminavam,
E o calor nos bastava...
 
Ali,
Anoiteceu,
Em teu corpo era eu e em meu corpo era tu,
E pela lua nós dançávamos nus,
E a noite nos embalava,
Nasci...

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

men-te...ten-te

Triste, arrastou-se até a ponta. Olhou para o lado, depois pra cima, respirou profundamente. Mente...mente...ten-te. Não faltou muito para final-men-te saltar-se. Entregou-se a melancolia, o torpor na mente...mente...men-te. Estímulos lhe faltavam, dores espalhavam, corpo se decompunha. O odor regava as cavidades superiores, já as inferiores se contorciam. Era aquilo tudo mesmo, tinha certeza, de , nada. Mente...ten-te...men-te.