E na comédia da vida, nesse palco colorido de roxo e preto, entra em cena o palhaço no picadeiro. Com lágrimas que descem pela face, o fogo que arde no peito, apaga. Rodeado por aplausos que cortam a carne, abaixa reverenciando o reconhecimento, mesmo ele olhando no espelho e sem maquiagem não o reconhece. Os olhos vermelhos, ao contrário do nariz, ardem. As mãos tremem. O peito pesado. A respiração falha. E em dois minutos a mais de espetáculo, a colombina abandona a peça. O ato fica falho, o falho falha na vida, a vida desencadeia eventos. A lona cai. E o palhaço que já não faz mais graça, chora.
segunda-feira, 20 de outubro de 2014
domingo, 17 de agosto de 2014
Vai passar
E mais uma vez,
As cinco,
Larga-me só.
Perdido,
Em,
Mim.
Onde está?
Eu, perdido aqui.
E você, aí?
Pergunto,
Só.
Perco meus membros,
Minha sanidade,
E destilo assim,
Toda a minha tristeza,
Dó, ré, mi, fá, sol, lá...
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sábado, 2 de agosto de 2014
E quando dói!
Me dói... dói muito, sabe? E quando eu menos espero, vem e
me corta. E esse corte sangra. A vida. A flor. Envelopo tudo em fitas de pano
coloridas e deposito no meu altar. É complicado dizer tudo isso, nesse
momento, em outros momentos também. A
flor do amor que nasceu no alto da montanha verde lilás de pedras coloniais
perto do dedo de deus de frente a matriz, florece agora. E eu, negro devoto de
são Benedito, me comovo ao te ver passar feliz pelos campos da nascente do
Jequitinhonha. Linda flor do centro de Minas que enfeita a nascente do braço do
mar. E agora o que faço com tudo isso que me florece o coração? Respiro
novamente o ar que me cerca no alto da serra. Fecho os olhos. Sinto sua
presença. Falta. Relaxo mais uma noite escutando o rádio ligado no celular. E
assim, sem mais ou menos, nem um copo ou corpo, deito e durmo. Acordando
assustado com o nascer do dia em minha janela lateral...
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segunda-feira, 28 de julho de 2014
Ao tempo...
Tudo ao seu tempo, ao seu tempo – Ela dizia. E ele, nu de alma e envolto a um lençol branco, corria entre os carros. Perdido em si, mesmo nu ou vestido com o alvo, não sabia como viver. E vivia. Triste. Correndo nu. Envolto do lençol branco. E em pouco tempo, raro tempo que tinha, aprendeu, que mesmo sem escolha, tudo, tudo mesmo, acontecia no seu tempo. Ao seu tempo. Mas, para ele, o tempo nunca chegava. E com lágrimas escorrendo sua face, sorria ao sol. Na ânsia de achar o tempo. Aquele senhor velho que existe desde antes da sua chegada por aqui. E todo mundo tinha o seu, menos ele. E ela, sorrindo do alto da serra, apontava em sua direção e dizia, dia após dia, o mantra. E o tempo dos outros corria. E ele, sem tempo, passou...
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sexta-feira, 11 de abril de 2014
Abraço
Enquanto nada mais me abraça,
Solto no vento meu grito,
Repito,
Mais uma vez,
Um abraço,
Que passa desapercebido por você,
Que ontem,
Ao chorar,
Gritou e não ouvi...
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terça-feira, 24 de dezembro de 2013
Insônia
Eu sei,
Como sei,
Não sou apenas mais um rostinho bonito no meio da multidão,
Ando devagar, lentamente, me jogando em seus braços,
E mesmo assim,
Chegoemqualquerlugarnumpiscardeolhosquandovocêmechama.
“Ó meu amor, isso é amor!”
Rolo novamente na cama,
E me encontro com você,
Passo as mãos em seus cabelos,
Sinto o cheiro de você em mim, mas mesmo assim,
Viroreviroenotoquemaisumanoiteacordonomeiodanoitetomoumcopodeáguaefrito.
E agora estou aqui,
Acordado,
Tinha que escrever um conto de Natal,
Tinha que subir um maldito ORACLE,
Tinha que dormir,
Masoqueeumaisqueriaéestarabraçadoavocêna2x2eficartenroemseusabraçosquemeabraçam.
Eu sei,
Como sei,
Não sou apenas mais um rostinho bonito no meio da multidão.
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quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
Linda é só você
A minha beleza é você,
Envolta em nuvens brancas,
No céu azul,
Nele, andorinhas voam,
E entre uma volta e outra,
Seus lábios me afagam...
A minha beleza é você,
Envolta em lençóis da MMartan,
Sendo lisos ou estampados,
Seu corpo me abraça,
E entre um suspiro e outro,
Seus beijos me alimentam...
A minha beleza é você,
Mulher linda que apareceu novamente,
Numa noite de outubro,
Quando mais nada,
Fazia sentido,
E assim, a vida, se fez sentido...
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