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terça-feira, 1 de junho de 2010

A-penas

Saudades do teu corpo,
Da tua mente,
Da nossa gente,
Do seu amasso.

Saudades da água ardente,
Do dente branco,
Do nosso pranto,
Da pele quente.

Saudade de eu,
De mim,
De tu,
De nós.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Um ano sem

Sigo por aqui. Saudades tenho do jacu no quintal, dos meninos correndo pela área afora, das manhãs chuvosas, do cheiro da grama molhada, do barro amassado e repassado por eles na varanda, dos sonhos roubados e assassinados. Assassinatos que foram iniciados naquela primeira quinta-feira e finalmente aniquilados naquela próxima terça-feira. Os dois dias chuvosos!, talvez, Ele estivesse chorando pela sorte que eu estava tendo naqueles dias.

As crianças foram levadas para outro lado do pátio, deixando para trás a companheira inseparável e mais amável. Não tiveram escolha, o ladrão de sonhos chegou e apoderou-se dos seus últimos instantes de felicidade, deixando para nós, que ficamos vivendo o pesadelo da perda, a dor e a saudade amargurada daquelas manhãs, das algazarras, da cabecinha pela tela protetora, do arame sendo retocado a cada tentativa triunfante de um pouco mais de liberdade.

A companheira amável vive triste esperando que um dia, quem sabe, seus amigos pretos e brancos reapareçam para brincar pelo pátio. Novamente algazarras pelo quintal, o barro sendo amassado e espalhado pela varanda. Mas desta vez não quer mais a tela protetora. Infelizmente não compartilho da inocência de criança que ainda não conhece a dor do roubo de sonhos. Sei que no outro pátio ficam correndo e aproveitando o afeto que Ele pode proporcionar. Afeto maior e mais amoroso que o nosso.

Há um ano...

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Não Vendo Nem Troco


Olha que pedaço É pra sonhar!
Que coisa mais bonita,
Que belo animal
Você está querendo se
Engraçar
Não é pra vender,
Nem é pra trocar
Olha que molejo que ela tem
Beleza sem igual
Que graça tem também
Ela é formosa,
Sei muito bem,
Por isso que ela é minha,
Não divido com ninguém
É meu xodó,
É meus amô
Ela me acompanha
Pelos canto adonde eu vou
É companhia de qualidade
É de confiança e tranquilidade
Tenha mais vergonha
Tenha mais respeito
Ela não se engraça
Com qualquer sujeito
Mas com esse molejo,
Com esse tempero
Você não compra nunca
Guarde seu dinheiro
Mas é que ela é cobiçada
Em todo esse sertão
Essa véia é minha
E eu não troco não
Essa véia é minha vida,
Vendo não senhor!
Essa égua eu não vendo,
Não troco, nem dô

Fonte: Música: Não Vendo Nem Troco
Composição: Gonzagão e Gonzaguinha

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Súplica a Lua

Fico aqui, escutando a chuva…
Olho pela janela procurando a Lua, na esperança que um dia, ela entre e ilumine todo o meu quarto como fez em outrora.
Suplico-te...
Vem lua, me ilumine antes que parta eternamente para longe!
Mas de nada vale minha súplica... sou um pobre diabo que não sabe clamar...

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Costelinha com ora-pro-nobis

Entre todas as trinta mil pessoas que me circulam, eu queria apenas que você estivesse aqui.

Não temos Leblon, Botafogo, Piscinão de Ramos e nem orla.
Tenho o coração bombando.
Tenho o sentimento mais tenro e perfeito do universo.
Só não tenho você.

Você que deveria estar aqui. Do meu lado, trazendo alegria com teu sorriso.

Tem jazz, lounge, black music. E daí se não escuto o Juízo Final?

Você me faz falta. Não tenho mais medo de assumir o teu corpo, a sua pele, a sua voz e a sua alma. A minha alma. A nossa alma.

Tudo isto me faz falta. Você me faz falta. Nós dois me faz falta.

De maneira singular sinto você. A cada instante sinto você. A cada momento sinto a falta de você.

Que Bologna fique na Itália, e você em minhas mãos, aqui nas Gerais, terra de onde você nunca deveria ter saído.

Proponho-te uma troca! Larga este maldito molho de carne moída e fique com a costelinha com ora-pro-nobis.
Aceita?

p.s: Texto revisado por Ricardo Ô Divino

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Festa


Vai, pega!
Corre, gira!
Para com isto menina...
Já te falei pra parar.
Desce, desce já da cama.


Não, você não pode mais ficar aqui.
Olha o seu tamanho!
Ô minha preta, não olha assim pra mim.
Para de me cutucar!
Vem cá pro meu colo,
isso,
dorme...
Descanse.

Não precisa ter medo,
eu te protejo.
Claro, sempre fiz isto!
Tudo bem, mas não roube mais o bife.

Vem pra cá,
ande comigo,
do ladinho,
não foge, nunca fuja. Lembra do carro?
Somos felizes com você, sempre fomos.
Eu sei que você roubou o bife,
mas também roubou o nosso amor.

É, também tenho saudades dele.
Dela? também!
Claro, de você sempre, todo dia.
Prometo! Juro! Cumpro!

Um dia, quem sabe?