quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Pela porta da frente

Vai.
Cuspa!,
O resto de mim
Que ficou
Em você.

O suspiro,
Esse perpetuará.
Como a graça
Do meu último desejo.

Da vida,
Nada,
Nem uma gota,
Ofertada a você,
Será  pilhada.

Lave-se.
E na saída,
Além de mi alma,

Pendure o amor na parede.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Castidade

Essa noite,
Não irei beijar sua boca,
Nem tirar o seu batom.

E por mais que você peça,
Por mais que insista,
Com seu sorriso que enfeitiça,
Encanta e engana,
Finco meu pé!,
Decidido estou.
Me mantenho casto,
De alma limpa.

Essa noite,
Não irei beijar sua boca,
Nem tirar o seu batom.

Em um detalhe seu em mim,
Rompo meus delírios ,
Percorro todo o corpo que deixou aqui,
Cheiro seu cheiro,
Sinto seu gosto,
Reconheço a fraqueza!,
E como Madalena arrependida
Ajoelho-me ao seus pés
E peço clemência...

Mas essa noite,
Não irei beijar sua boca,
Muito menos tirar o seu batom.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Dia de Janeiro

"Dias de janeiro calor demais
dias de janeiro olha como faz
esquentam, é tão bom estar no mar
amo você, amo você
talvez não seja o certo
amo você demais
Eu vou sair
vou ficar só
si o ré diz mi
fa si li dó
eu vou sair
vou ficar só
lá, lá, lá, lá" 

Música Otto 


quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Prelúdio da solidão eterna

E mais uma vez, sozinho. Enquanto passa o mundo, você está aí. Longe. Distante das minhas mãos. Mas meu coração não sabe. “Estou a dois passos, do paraíso”. Dou um respiro prolongado, na tentativa boba de tirar o resto dessa ansiedade circular. Fecho os olhos. Sinto você novamente ao meu lado. Um amor silencioso. Quadris mexendo. Dedos entrelaçados. Em riste, mas pouco a pouco, vencido.  Cheiro você em meu travesseiro. Sua foto na parede esquerda do canto direito da cama. O universo conspira...

“Mais uma vez eu vou te deixar”

O sol entra pela janela. Aquece a pele. Olho para o lado. Não te vejo. Novamente dou um respiro prolongado. Espero um sinal de você. Nada vem. Corro até a escada e fico olhando a rua. O tempo corre. Zune. As “idéias não correspondem aos fatos”.  Meus cabelos cada vez mais esbranquiçados. Seu sorriso me enche o peito. Lavo o rosto com a água que inunda minha face. Face a face com a solidão. Ela no portão, você aí e eu, o mais cruel de todos, aqui. Só.

“Mais uma vez eu vou te deixar”

Passo o café da manhã. Acendo um. Na fumaça que segue até a mata, deixo você ir. Novamente. E agora...

“Mais uma vez eu vou te deixar”



quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Tempo

Tento me manter afastado de tudo, ou quase tudo. Tudo que me machuca, que mata, maltrata e arrebata o pouco do que ainda sou e quero ser. E corro contra o tempo. Já esse, corre ao meu encontro.

Fale alguma coisa. Agora. Deixe que a palavra saia da sua boca, da mesma forma que o falo entra e sai. Beije-me. Loucamente. Como fez da última vez que frequentou meu corpo. Navegue em minhas partes. Parte por parte. Cada pedacinho de mim em você. Não quero mais nada. A partir de agora. Nada quero. Quero nada.


Tenho sofrido... e só.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Nós

Retalhos,
Nós,
Pontos soltos.
Emendas de vidas...

Emendamos a vida,
Aparamos pontos.
Retalhos,
Em flor.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Súplica II

Me inspire.
Preciso admirar-te,
como em outrora,
agora.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Picadeiro

E na comédia da vida, nesse palco colorido de roxo e preto, entra em cena o palhaço no picadeiro. Com lágrimas que descem pela face, o fogo que arde no peito, apaga. Rodeado por aplausos que cortam a carne, abaixa reverenciando o reconhecimento, mesmo ele olhando no espelho e sem maquiagem não o reconhece. Os olhos vermelhos, ao contrário do nariz, ardem. As mãos tremem. O peito pesado. A respiração falha. E em dois minutos a mais de espetáculo,  a colombina abandona a peça. O ato fica falho, o falho falha na vida, a vida desencadeia eventos. A lona cai. E o palhaço que já não faz mais graça, chora. 

domingo, 17 de agosto de 2014

Vai passar

E mais uma vez,
As cinco,
Larga-me só.
Perdido,
Em,
Mim.

Onde está?
Eu, perdido aqui.
E você, aí?
Pergunto,
Só.

Perco meus membros,
Minha sanidade,
E destilo assim,
Toda a minha tristeza,

Dó, ré, mi, fá, sol, lá...

sábado, 2 de agosto de 2014

E quando dói!


Me dói... dói muito, sabe? E quando eu menos espero, vem e me corta. E esse corte sangra. A vida. A flor. Envelopo tudo em fitas de pano coloridas e deposito no meu altar. É complicado dizer tudo isso, nesse momento,  em outros momentos também. A flor do amor que nasceu no alto da montanha verde lilás de pedras coloniais perto do dedo de deus de frente a matriz, florece agora. E eu, negro devoto de são Benedito, me comovo ao te ver passar feliz pelos campos da nascente do Jequitinhonha. Linda flor do centro de Minas que enfeita a nascente do braço do mar. E agora o que faço com tudo isso que me florece o coração? Respiro novamente o ar que me cerca no alto da serra. Fecho os olhos. Sinto sua presença. Falta. Relaxo mais uma noite escutando o rádio ligado no celular. E assim, sem mais ou menos, nem um copo ou corpo, deito e durmo. Acordando assustado com o nascer do dia em minha janela lateral...