quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

sai do reto

o estupido grita comigo pelo espaço que não tenho.
aí de mim, ó copacabana!
que fico preso 
entre seus calçadões a procura 
do espaço 
da liberdade 
em poder falar, agir e amar

pinto buceta e cu!
sai de reto satanás!, 
sai, que esse espaço de vida
é meu.

quero mais é foder a vida
do escroto que se acha no direito 
de tomar o pouco
espaço
da liberdade 
conquistada,
roubada.

aqui não tem espaço pra ser feliz.
aqui não tem espaço pra ser feliz.
aqui já não tem espaço pra ser feliz.
aqui já não pode ser feliz!

espaço, liberdade, felicidade.
sentimentos roubados pelo
dono da verdade
mentirosa.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Choro Negro

Choro.
Meu choro negro,
De soltar quinquilharias.

Izabel já não me quer,
Maria já não me ouve,
E Solange, aquela que dizia me amar,
Já não deseja minha nudez ao findar o dia.

Eu choro.
Meu choro negro.
Aquele, que solta quinquilharias.

Disfarço meus desejos em notas musicais.
Meu sexo afundo em copos cada vez mais alcoólicos .
E minha voz já não brada!, ela se emudece,
Dia após dia.

Há choro.
Meu choro negro,
Ele que lava e leva a vida.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Seu Brinquedo

O mundo brinca,
Como pião,
Rodo rodo,
E perco-me!
Em ti.
Logo ali...
Braços pernas,
Vem, eu quero,
De uma vez,
Perdido!,
No seu achado,
Roda roda,
Sou pião.          

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Entre almas

Já a mim,
Resta-me o beijo!
Pendurado no canto da boca,
Temendo ser esquecido,
No lenço bordado com seu nome. 

Pior sou eu.
Que mesmo nu,
Defronte ao espelho,
Visto-me com a tristeza
Daquele eterno adeus.

Nada se compara ao que sinto.
Aqui, presa entre tapumes,
A alma desalmada está.
A pobre suspira com tanta dor,
Que tenho até medo
De ir-se embora e deixar-me só.

Ora minha cara, 
Deixemos de choro.

Tempos desconexos 
Esse em que vivemos.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Palavra

Sintonia,
Palavra de fim,
Numa única volta...

De que me adianta
A tal,
Se o outro é que me seduz?
Do que me adianta
Ser igual,
Se o diferente é que reluz?

Sintonia,
Palavra de fim,
Numa única volta...




quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Pela porta da frente

Vai.
Cuspa!,
O resto de mim
Que ficou
Em você.

O suspiro,
Esse perpetuará.
Como a graça
Do meu último desejo.

Da vida,
Nada,
Nem uma gota,
Ofertada a você,
Será  pilhada.

Lave-se.
E na saída,
Além de mi alma,

Pendure o amor na parede.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Castidade

Essa noite,
Não irei beijar sua boca,
Nem tirar o seu batom.

E por mais que você peça,
Por mais que insista,
Com seu sorriso que enfeitiça,
Encanta e engana,
Finco meu pé!,
Decidido estou.
Me mantenho casto,
De alma limpa.

Essa noite,
Não irei beijar sua boca,
Nem tirar o seu batom.

Em um detalhe seu em mim,
Rompo meus delírios ,
Percorro todo o corpo que deixou aqui,
Cheiro seu cheiro,
Sinto seu gosto,
Reconheço a fraqueza!,
E como Madalena arrependida
Ajoelho-me ao seus pés
E peço clemência...

Mas essa noite,
Não irei beijar sua boca,
Muito menos tirar o seu batom.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Dia de Janeiro

"Dias de janeiro calor demais
dias de janeiro olha como faz
esquentam, é tão bom estar no mar
amo você, amo você
talvez não seja o certo
amo você demais
Eu vou sair
vou ficar só
si o ré diz mi
fa si li dó
eu vou sair
vou ficar só
lá, lá, lá, lá" 

Música Otto 


quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Prelúdio da solidão eterna

E mais uma vez, sozinho. Enquanto passa o mundo, você está aí. Longe. Distante das minhas mãos. Mas meu coração não sabe. “Estou a dois passos, do paraíso”. Dou um respiro prolongado, na tentativa boba de tirar o resto dessa ansiedade circular. Fecho os olhos. Sinto você novamente ao meu lado. Um amor silencioso. Quadris mexendo. Dedos entrelaçados. Em riste, mas pouco a pouco, vencido.  Cheiro você em meu travesseiro. Sua foto na parede esquerda do canto direito da cama. O universo conspira...

“Mais uma vez eu vou te deixar”

O sol entra pela janela. Aquece a pele. Olho para o lado. Não te vejo. Novamente dou um respiro prolongado. Espero um sinal de você. Nada vem. Corro até a escada e fico olhando a rua. O tempo corre. Zune. As “idéias não correspondem aos fatos”.  Meus cabelos cada vez mais esbranquiçados. Seu sorriso me enche o peito. Lavo o rosto com a água que inunda minha face. Face a face com a solidão. Ela no portão, você aí e eu, o mais cruel de todos, aqui. Só.

“Mais uma vez eu vou te deixar”

Passo o café da manhã. Acendo um. Na fumaça que segue até a mata, deixo você ir. Novamente. E agora...

“Mais uma vez eu vou te deixar”



quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Tempo

Tento me manter afastado de tudo, ou quase tudo. Tudo que me machuca, que mata, maltrata e arrebata o pouco do que ainda sou e quero ser. E corro contra o tempo. Já esse, corre ao meu encontro.

Fale alguma coisa. Agora. Deixe que a palavra saia da sua boca, da mesma forma que o falo entra e sai. Beije-me. Loucamente. Como fez da última vez que frequentou meu corpo. Navegue em minhas partes. Parte por parte. Cada pedacinho de mim em você. Não quero mais nada. A partir de agora. Nada quero. Quero nada.


Tenho sofrido... e só.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Nós

Retalhos,
Nós,
Pontos soltos.
Emendas de vidas...

Emendamos a vida,
Aparamos pontos.
Retalhos,
Em flor.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Súplica II

Me inspire.
Preciso admirar-te,
como em outrora,
agora.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Picadeiro

E na comédia da vida, nesse palco colorido de roxo e preto, entra em cena o palhaço no picadeiro. Com lágrimas que descem pela face, o fogo que arde no peito, apaga. Rodeado por aplausos que cortam a carne, abaixa reverenciando o reconhecimento, mesmo ele olhando no espelho e sem maquiagem não o reconhece. Os olhos vermelhos, ao contrário do nariz, ardem. As mãos tremem. O peito pesado. A respiração falha. E em dois minutos a mais de espetáculo,  a colombina abandona a peça. O ato fica falho, o falho falha na vida, a vida desencadeia eventos. A lona cai. E o palhaço que já não faz mais graça, chora. 

domingo, 17 de agosto de 2014

Vai passar

E mais uma vez,
As cinco,
Larga-me só.
Perdido,
Em,
Mim.

Onde está?
Eu, perdido aqui.
E você, aí?
Pergunto,
Só.

Perco meus membros,
Minha sanidade,
E destilo assim,
Toda a minha tristeza,

Dó, ré, mi, fá, sol, lá...