sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Pele flor


Em nervos a pele flor, nego o desejo de estar aqui, mandei e assim o fiz, desejos em espaços oblíquos, necessidade de ser o que não é, viver o que se mata, matar o que se vive. Em nervos a pele flor...

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Classificados 5

Troco a vida por pouco. Aceita? A permuta será feita por qualquer tostão

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Encontros

Foram meia dúzias de palavras trocadas,
copos de champanhe ao lado,
permutas de vidas e abraços,
retalhos de histórias alinhavados em lágrimas...

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Classificados 4

Troco, sem pensar duas vezes, uma noite longa de luxúria pelo o luxo de ficar no encontro de suas coxas.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Olhar


Sorriso estampado,
Cabelos esvoaçados,
Licor de jenipapo no papo,
Te vejo,
Leve,
Levando a leveza,
Em frases,
Que me enfeitam os cabelos,
E me encaracolam as idéias...

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Classificados 3


Troco, urgentemente, Manual Completo do Dezamor pelo Manual de Sobrevivência do Amor. Volto diferença em gratidão e sexo de qualidade.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Te quero mais...


Menina,
Quando te chamo,
Quando reclamo,
Quando te clamo,
Quando te amo,
Eu quero mais...

Menina,
Quando te vejo,
Num relampejo,
Te lasco um beijo
Te dou um cheiro,
E quero mais...

Menina te quero sim,
Menina vem cá pra mim,
Menina me ame assim,
Menina vem de mansin.

Menina
As suas curvas
Te deixam ruiva,
A noite é turva,
Gosto de uva,
E quero mais

Menina,
As tuas coxas,
Me fazem trouxa,
De boca roxa,
Te deixo louca,
E amo mais.

Menina te quero sim,
Menina me beija assim,
Menina olha pra mim,
Menina me ame assim

E eu,
Te quero mais...

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Dito pelo não dito


Vamos lá,
Caçar o que não é usado,
O que é dito
O que não é bem dito,
Santo ou pagão,
Dito pelo não dito.
São Benedito,
Sejais vós,
Bendito,
Em minhas vestes rubras,
Manchadas,
Pelo o maldito,
Dito,
Em palavras insanas,
Por profanas,
Que esqueceram,
O dito,
Pelo não dito...

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Doce


Sinto
Ela chega
Joga-me ao chão
Tira-me a roupa
Lança-me o teu corpo
Invade-me
Por cima
Goza
Do gozo
Que
Jamais
Foi
Visto...
Ela chega.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Nudez


E você
Com seu corpo nu
Frases
Desenhos
Escritas
Símbolos
Vida
Ver sonhos no nosso amor
Você no meu abraço
Vendo o seu abraço
Nossos abraços abraçados em noites chuvosas
Estas que ainda não chegaram
Frio
Calor
Tesão
Torpor
Mentes abertas
Eu queria estar deitado
Ao seu lado
Do seu corpo
Nu
Seu corpo escrito
Pelas marcas do meu tempo em seu tempo
O meu falo no seu falar
Eu queria estar agora deitado
Ao seu lado
Nu
Com seu corpo
Abraçado
E escrever mais uma vez a nossa história...

Expresso 16

Acordou assustado, correu até o banheiro,leu a bula e concluiu: Bem que o vendedor disse que o amor tinha prazo de validade

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Sonhos intranquilos V


Desculpe-me, mas hoje não tenho nada a dizer. É, eu sei que tínhamos um trato. Eu tinha esta O-BRI-GA-ÇÃO, mas hoje felizmente não. Não consigo. Eu desisto. Levo a vida no baile. Baile de vida. Milton, Lô, Brant, Guedes, eles. Fodas. Não digo mais. Era o trato. Que se exploda o trato. De nada mais vale o valor de valer alguma coisa. Vale nada. Valo nada. Valemos o peso de nossas almas. Eu sei, também sofri por estes tempos de vermelhidão. A cabeça do meu pau também é vermelha. Sua buceta também é avermelhada por dentro. Chupo-te. Me chupas. Chupamos-nos e depois de longo gozo e frenesi na alma, nos cobramos pela felicidade fugida de nossas mãos. Eu sei, a culpa é nossa. Foi-se a chance, ficaram as feridas, seguem as seqüelas. Difícil desistir de viver a vida viva de pessoas viventes em sertões quentes e áridos. Causticidade me arrebenta. Vou ali e já volto. Não sei quando. Não sei por quê. Não sei nada. Morra, mata, viva, levita, repita: Eu não te amo mais. Mas, mesmo assim, sinto a sua falta ao meu lado quando acordo em dias de sonhos tranqüilos. Padeço no esquecimento da vida. Levita e me leve leve junto com você, pra pedra do arpoador. A Curral Del-Rey já não pode ser meu limite. Limito em apenas em respirar. Sim, ele está ao meu lado. Vamos... Eu e ele. Ernesto me chama. Tenho que ir. Vou com ele. Ele que me segue, eu que o sigo. Dois perdidos nestes sonhos intranqüilos chamados de vida. Quem vive? Hei Ernesto, me espere, já arrumo a mochila e chego ao seu lado. Beijos e desligo...

Baby, baby


Não baby, já te disse, não irei trocar-te por dez migalhas de pão, nem ao menos por pequenas notas de dez, e nem imaginei abandonar-te por outro baby, baby. Agora, se você continuar implicando com meus sapatos azuis chamuscado de bolinhas pretas e cadarços amarelos, sim! Sou capaz de sair por aquela porta, carregando minha mochila florida e dentro dela “minhas calças vermelhas e meu casaco de general”. 

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Vidas e feridas


Eram dois pequenos pedaços,
  Pequenos pedaços,
    Pequenos pedaços.

Eram duas pequenas vidas,
  Pequenas vidas,
    Pequenas vidas.

Eram duas vidas pequenas,
  Vidas pequenas,
    Vidas pequenas.

Eram duas,
   Eram duas,
      Eram duas.

Feridas, 
  Feridas,
    Feridas.

Caos que chegou até o coração.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Expresso 15


Ele: Posso segurar em tuas mãos e me escorrer pelos seus longos cabelos?
Ela: Claro, não me manchando a pele com a sua tristeza, fique a vontade.

Partida


Resolvi não me esconder mais. Te amo! Porra!
Claro que hesito, não confio em você.
Como não?

Não é não.

Éramos um só

Hoje dois

Vivíamos juntos

Hoje separado

Te amo!

Ama nada.

Te quero!

Quer nada.

Ai!

Que foi?

Nada, apenas o amor que foi embora...

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Esquinas


Eu não queria dizer mais nada. Apenas me bastava falar o que já havia dito. Mas era necessário, precisava, lamentava, e o mais idiota de tudo, eu queria estar ali. Sim, eu queria. Sentado a porta do Mercado Central, vendo você andando com ele, de um lado para o outro. Que nem fazia comigo. Lembra? Pois é, era eu que tinha que estar ali. Mas não estava. Estava do outro lado, olhando a passarela da Curitiba com Augusto de Lima. Eram tão bons aqueles dias, e eu, naquele momento, poderia estar em qualquer lugar do meu Belo Horizonte, mas não, resolvi sozinho, sim não tive ajuda de ninguém, nem daquele taxista que me levou a primeira vez até você, muito menos do seu amigo que me dirigia às palavras sábias me ensinando como te tratar bem, este mesmo aí, sim!, este que está ao seu lado neste exato momento, andando com você na passarela da Curitiba com Santa Catarina, sabe, acho que já te disse isto,era eu que devia estar aí, ao seu lado. Lembra? Sim, nós dois, passeando entre os corredores, os bares, procurando potinhos para tempero: “Ah Baby, você não sabe o tanto que penei até chegar a comprar potinhos de temperos.”, e eu?Tempero a vida com o que? Solidão? Lamentos? Novos amores? Sim, eu tinha que estar ali, vendo você passeando, de um lado para o outro, pulávamos sempre a entrada da Amazonas, não queríamos ver animais presos. Você sempre ecológica, eu sempre seu. É baby, a vida não está fácil para ninguém. E lhe ver aí, ao lado da banca, não!, por favor, não compre este abacaxi, com ele não! Baby era eu que devia estar aí, carregando sua sacola, levando você até o carro. Sim, eu abro a porta, não, não precisa, eu coloco atrás, não se preocupe, segunda-feira cedo eu volto aqui e compro pra você. Sim, mas agora eu não posso mais. E Belô, tão bela como sempre, me brinda com todas as esquinas, e eu, estar ali, na junção de Goitacazes com Curitiba, vendo você romper a Padre Belchior em direção ao estacionamento na São Paulo. Não baby, não lhe seguirei, seguirei agora para outros caminhos, caminho como sempre, a procura de nunca mais padecer. E sim, naquela esquina nunca mais estarei. Não adianta olhar e procurar, pois de todas as esquinas que nunca estarei, ela é a principal. Sim, mas neste momento, eu que deveria estar ali...

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Lágrimas negras

Queria te abraçar
Hoje
Ao som de “Lágrimas negras”
Amanhã
Durante o banho
Ver-te retirar o lápis negro dos olhos Black
Sorriso
Sabonete no rosto
Estilhaços de noite rondando nosso corpo
“E você baby vai... vem... vai...”
A toalha de cima é sua
Nova maquiagem
Novas lágrimas negras
No novo amanhecer
Que vai vem vai volta!

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Escambo

  Estou trocando!

Troco sexo de qualidade por amor meia boca.

Troco tudo por beijo de amor pela manhã.

Estou trocando tudo!

Quer trocar pelo meu iphone?

Até Maristella entra na jogada.

E o meu note?

Meu Nokia?

Troca comigo, vai...

Quer o pata-branca?

Te dou 2 caixas...

Troco tudo, tudo mesmo, só pra você chegar e me abraçar mais uma vez...

P-a-u-s-a


E com a chegada dela, veio a pausa.

P-a-u-s-a

R-e-f-l-e-x-ã-o

D-a

V-i-d-a

P-a-u-s-a

P

A

U

S

A

Até que a roda rode e movimente o pausado pelo tempo.

Três em Um


Hoje
Acordei
Assim

Você
Feliz

Em
Mim

Solto
Pelo

Quarto

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Dicionário

Ela dizia: Esquece o dicionário.

Ele pensava: Queria esquecer você. Seu toque, seus lábios, seus cheiros, seus abraços, seu sexo, seu gozo, meu gozo, queria esquecer tudo e novamente me entregar aos seus braços e abraços e reconquistar cada sentido esquecido, aos poucos, len-ta-men-te, sem pressa, sem medo, sempre teso, mas sem medo. Inventaria palavras para te louvar, gozaria infinitas noites, daria, a ti, tudo que pudesse quisesse merecesse recebesse. Sim, daria. Morreria em seus seios, renasceria em suas coxas, nas suas costas escorregaria e finalmente chegaria até seu pescoço, que morderia sem medo, sem pressa, sem sem. E assim, esqueceria o dicionário...

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Classificados 2


Troco sexo de qualidade por amor meia boca. Afinal, não sou apenas um caralho

Viva viva!


Não aceito viver metade,
Ou vivo com veemência,
 Ou me escasso,
Pela metade não preenchida

domingo, 1 de julho de 2012

Rosas

Panos de rosas
Enfeitam
Minha
Única
Veste azul
Nela há seu perfume
Torpor
Em
Cada
Cheiro...
As rosas crescem

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Ao seu tempo


Plantas plantas plantas,
Mudas mudas mudas,
Ao seu tempo...
E ao som do meio dia,
Com cheiro de meia noite,
Colhe,
Em lençóis alvos,
De linhos entrelaçados.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Expresso 14

Minha alma derrete entre seus dedos - Disse ao ambulante que ofertava, a preço de banana, almas com prazo de validade

terça-feira, 26 de junho de 2012

Expresso 13


E por amar, sucumbo-me.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Devaneio 1350


É, eu sei... É a vida, já me dissestes isto outro dia, lembra? Sentados a mesa, você de chinelinho colorido, a piranha preso a minha bermuda, a faca de pão jogada sob a bancada. É!, talvez você tenha razão. É a vida. E nela me esquivo de facas e esquimós.  E você aí, com seu chinelinho colorido, balançando as pernas entre os vãos das cadeiras. Você tem razão, é a vida...

Devaneios 1332

Um copo
Um corpo
Um pouco
Um louco

Um corpo
Por pouco
No copo
Do louco

Por pouco
O louco
No copo
Um corpo

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Pote

Respirei teu ar em um pote guardado no armário. Lembra que deixou guardado dizendo que era pra quando finalmente sumisse da minha vida? Pois é, não consegui esperar. Nesta manhã quando saíste para trabalhar, a saudade bateu. Não tive dúvidas, corri até ao armário e te cheirei toda. Não deixei nada para trás. Quando voltar, me preencha novamente com teu cheiro, toques e lábios. No pote deixaremos apenas a saudade, para que ela nunca mais apareça.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Trégua

Se achegue aqui,
Que com dois toques,
Três passos,
Uma música de fundo,
Levo-te e danço,
Danço uma dança que jamais dancei,
Assim, de pertinho,
Hálito cheirado,
Beijos roubados,
Descansar-te-ei,
Enfim, se achegue aqui...

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Joice

- Joice, não pode ser. Mas a gente tinha combinado...

- adsfadsfadsfadsfadsfadsfadsfadsfadsf

- Cara, você só pode estar de brincadeira comigo. Não tava tudo certo?

- adsfadsfadsfadsfadsfadsfadsfadsfadsfadsfadsf
- Pu-ta-que-pa-riu, como assim, mudou de idéia?

- adsfadsfadsfadsfadsfadsfadsfadsfadsfadsfadsf
- Porra! Porra! Porra!

- adsfadsfadsfadsfadsfadsfadsfadsfadsfadsfadsf
- Como?  Você quer que eu não fique nervoso?

- adsfadsfadsfadsfadsfadsfadsfadsfadsfadsfadsf

- Caralho, você tem noção do que está falando?

- adsfadsfadsfadsfadsfadsfadsfadsfadsfadsfadsf

- Vá-to-mar-no-cen-tro-da-bei-ro-la-do-seu-cu. A gente tinha combinado. Eu fui lá, fiz o que tinha que fazer e agora você vem e me fala isto?

- adsfadsfadsfadsfadsfadsfadsfadsfadsfadsfadsf

- Você só pode estar brincando comigo. Fala a verdade...

- adsfadsfadsfadsfadsfadsfadsfadsfadsfadsfadsf

- Ah Joice, esquece então. Deixa ir ali tomar um café e respirar...
- adsfadsfadsfadsfadsfadsf

- Também te amo.

Tiras de vida

São tiras,
Três tiras,
Resolvi deixá-lo assim,
As tiras menores já possuem nome,
A maior está reservada pra você,
Venha, pegue e reparta como bem quiser,
Mas não se esqueça, um pedaço deverá ser sempre seu.
Sim, tirei meu coração e o dividi em tiras,
Cada tira possui um nome,
A maior será sua,
Para sempre.


 

Expresso 12


Pode me tirar tudo, mas o que está escrito na alma é intocável – Bradou ao ver sua vida ser escarafunchada pelo verdugo da alma.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Fere


Abre,
Fere,
Corte com a lâmina,
Que abre,
Contundente,
Rasga,
Dor que vem a tona,
Torna,
Forte,
Morte,
Algo que não devia,
Deve,
Pague,
Parcela?,
Momento de plantar,
Plante,
Colhe,
Recolhe,
Viva e viva,
Ferida,
Sangra,
Dói e dói,
Fere fere fere.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Entre mim e tu

O negócio é investir no negócio,
Este trem entre mim e tu,
Eu e você,
Saca?
Mesmo sem saber qual será o rendimento,
Se virá com pimenta ou coentro,
Ou até mesmo com arroz na panela de pressão
Temperado com açafrão,
Daquele que comprou no mercado,
Bela manhã de sábado...
E por falar em mercado,
O negócio é aplicar no negócio,
Este trem entre mim e tu.

Amanhecer

Manhãs amanhecem,
Com elas,
O encanto de cada canto,
Mesmo que não haja o encontro,
Do despertar com o sonhar.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Caracóis


Cabelos,
Lisos,
Negam,
Seu,
Encaracolar.

Luzes,
Brancos,
Descida,
Bela,
Pelas costas.

Chama-me,
Para,
Amar,
Seu,
Encaracolar.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Em laços

Em pequenos pedaços, Laços meus laços,
Norte no sul,
Preto no branco,
Espanto?
Nem tanto,
Dias que passam,
Noites que vêem,
Quartos estranhos,
Pedaços de vida,
Em laços.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Classificados


Troco
Tudo

Por
Um

Único
Beijo

Dado
Ao

Amanhecer

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Paixão diurna

Estou apaixonado,
Acordei assim,
As borboletas voam por aqui,
As vejo flutuando em minha volta,
Preciso desta paixão diurna,
À noite eu luto,
Luto novamente contra o luto,
Novamente abraço o violão,
Toco notas tristes,
Notas em dó,
Dó de mim que me perdi em seus braços,
Saudade dos abraços,
E assim,
No torpor da tristeza,
Retiro-me de cena,
Afogo-me nas lágrimas que inundam minha face,
E novamente pela manhã,
Acordo apaixonado,
Preciso desta paixão diurna.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Expresso 11

Na falta de ti, vem tu – Disse vendo a foto da amada desalmada, tendo o copo de cachaça em mãos.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Expresso 10


Mesmo com todas as caixas arrumadas, pensou: Ainda não é hora da mudança. Trancafiou novamente o coração e continuou só.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Expresso 9


O cigarro já queimava os dedos, o pano verde riscado, só lhe restava um suspiro. Mirou a vida. Giz na ponta. Bola morta.

Caos ao anoitecer

Na noite,
O caos,
Persigo o respeito,
Desisto,
Reflito.

Na noite,
O caos,
Estrelas,
Lua que passa,
Flor que não nasce,
Vida que segue.

Na noite,
O caos,
Lido com a vida,
Doce,
Sofrida.

Na
Noite
O
Caos

domingo, 27 de maio de 2012

Gira

Aventuras,
Mundo que gira,
Gira mundo,
Mundo mundo,
Nada é,
Nada sou,
Paralelos me traçam,
Traço planos,
Planos em retas,
Retas planas,
Sul que desperta,
Gira,
Mundo,
Mundo que gira.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Com você


Chega, vem, corre, me aperte, sinta-me leve e me leve, pra lá além do norte. A noite será quente, o frio ficará de fora. Fora daqui, a vida vai parar.
Vem, corre, me aperte, sinta-me leve e me leve, pra dentro de você. Em seu sul farei a festa, e então, verás que há vida, e para variar, em suas mãos, vou acordar.
Corre, me aperte, sinta-me leve e me leve, para perto dos teus olhos. Será assim, pra sempre, sempre será assim, eu e você, no lado esquerdo de cada um.

Me aperte, sinta-me leve e me leve, para lá. Aquele lugar onde sonhamos, e nestes sonhos, sonhos lilás de vida doce, pisaremos em algodão e nos saciaremos de nós mesmos.
Sinta-me leve e me leve, para sempre, com você.

Expresso 8


Vou abraçar aquela que me fere, e nestes dias de maio, vem visitar-me com tanta frequência. Solidão vem, a porta está aberta.

domingo, 20 de maio de 2012

Expresso 7


Na tristeza do abandono, me abandono e vou respirar o sabor gélido do abandono que adotei.

Expresso 6


É o preço! É o preço meu caro – Disse o ambulante, segurando pela mão uma porção de vida.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Copos de vinho


“Garçom, um vinho e uma carne” – Foi assim que iniciou a noite. Depois de meses, ele estava lá, novamente, só. “Quero mal passada! Quero deixar isto bem claro, mal passada.” – A noite chegava abraçando, o frio cortante, a solidão saltitante, os nervos a flor, nervos de aço, aço que corta, corta que corta e mata. Filhos, mulher, trabalho, solidão, soleira, sarjeta. Sarjeta logo ali, era questão de tempo, sabia que em breve a abraçaria novamente, beijaria beijos longos e saudosos. Saudade... Saudade de quê? De quem? Nem vem.

“Mais um” – Bradou contra o atendente. Já estava sendo levado leve. Mundo mundano de pessoas tristes. A carne sangrenta. Sangue nos olhos pela dor. Reflexões, reflexos na taça de vidro fino, fino era a dor pontiaguda que o apertava naquela noite de solidão. “Solidão amiga do peito, Me dê tudo que eu tenha por direito”. Lembrava da canção. Era claro que a noite seria em claro, abraçado a ela, com a cara lotada, o torpor da vida. Nem sal nem sol, aliás, o sol sim, este o queimava todas as manhãs, sem ao menos se preocupar com as marcas marcadas em seu corpo.

“A conta, por favor!” – Falou quase chorando com seu verdugo. Sabia que dali pra frente, ou pra fora, a vida não se resumiria em vinhos e carnes. Seria mais dolorida. E naquela noite, em que o frio o abraçava, seria mais difícil. O celular ao bolso, os números discados, as fotos dos filhos, o cachorro do outro lado da calçada, a vida passando. Era assim. A vida, a lida, a bebida e a maldita ferida. Pagou a conta, cambaleando abriu o portão e abraçou a noite gélida. Entre passos e solavancos chegou...

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Algo com algoz

Vago no vazio,
A busca
Do algo,
Que o algoz,
Levou.

Vago vazio,
A procura
Do algo,
Com,
O algoz.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Olhar

Olhos verdes que flertam,
Olhos negros,
Flertam acertam.

Certos que o próximo,
Está bem,
Próximo.

Aflijam acertam.

Tons verdes,
Mesclados,
Negros tons.

Flertes,
Tons,
Olhos.

Aceite!, a vida é maior que o olhar...

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Em dó maior


Brancos ouriçados,
Caracóis encaracolados,
Mente na mente,
Dureza, frieza, tristeza,
Tereza me consome em notas de dó maior,
Maior dó de mim,
Maio maior,
Maior nota,
Cores lançadas á tela,
Tela rasgada de corpo,
Corpo,
Telas,
Rasgadas,
Vento que me corta neste outono inverno,
Vem e me leva,
Leva leva leva,
Leva a Tereza.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Expresso 5

Vivia aos sobressaltos!, a espera da chegada daquelas lindas pernas sob os saltos vermelhos carmim

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Longínquo

Nesta estação onde tudo é mistério,
Olho ao longe,
Sinto-me longe,
Não sei onde está meu hemisfério,
Te vejo,
Longe longe longe.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Dias

Falta da saliva,
Dos seus dedos,
Seus+dedos+em+minhas+mãos,
Sorriso vazado,
Branco a vir,
Com o tempo...
Este me falta.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Expresso 4

Marasmo, sarcasmo, neoplasmo. Vivendo pelos substantivos,esperava o adjetivo final.

Tempo

Nunca é tarde de se encontrar,
Nunca é tarde pra se amar,
Nun-ca-é-tar-de,
Encontrar amar,
Amar encontrar,
Nun-ca-é-tar-de.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Expresso 3

Entre o sol, entre o mar, entre a luz, entre você e habite o meu habitat.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Expresso 2

Ela fazia letras,
Ele escrevia frases,
Juntos,
Lado a lado,
Lavravam a vida.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Mulher

Era dia,
Se bem me lembro,
Era dia.
6, 22, 8, 4, 12, 7,
Um dia desses aí,
Eram janeiros, marços, junhos, agostos, setembros, outubros,
Eram meses,
Mãe, namorada, noiva, esposa, mãe,
Mulher!,
Luta, luta, luta,
Dias passam, noites vem,
Ela ali, elas ali,
Lida lida lida,
Dias noites tardes,
Vin-te-e-qua-tro-ho-ras,
Março é marco,
Marco em março,
Labuta luta lida,
Amor amor amor,
In-con-di-cio-nal,
Era dia.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Não procuro datas,
Muito menos dados,
Nunca dardos,
Simplesmente não procuro.
Procuro-me.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Sofreguidão

Desejos,
Esquivo,
Pilastras,
Pique esconde,
Correria no coração.

Desejos,
Evasivo,
Vigas,
A cabra-cega,
Tato na solidão.

Desejos,
Desejos,
Estruturas,
Brincar com emoção,
Motes de sofreguidão.

Expresso 1

Eu não vou segurar esta pica! - Esbravejou ao ver o corpo caído junto ao portão de saída por onde entraram.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Quarto

Passeio,
Em cada quarto,
Um ato,
Olhos negros negros negros.

Em cada quarto,
Esquartejada,
Em pequenos quartos,
Um quarto da vida vida vida.

Horas e segundos,
Entre cada quarto,
Um ato,
Minutos voam voam voam.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Aventais

Entre o copo e o corpo, desejos quebrados pelos aventais quadriculados. Junto à mão furtiva da imensidão turva, o copo preenchido do liquido salvador de momentos iguais a estes em outras ocasiões. Porém, perto do corpo, o desejo.
Escuridão em quarteirões da Rio Grande do Sul, pontos de ônibus vazios, restaurante popular fechado e o copo em sua mão. O corpo, inerte pelo frio cáustico vindo da alma rubra, estava ali.

Jogos de azar são disputados. Azar e sorte em um tabuleiro rosa grená, escondido nas esquinas. O tarja preta havia se findado a dois dias, e sem ele, o discernimento desapareceu entre um copo e outro. Turvo ou não, na maioria das vezes, incolor.
Desejos quebrados pelos aventais quadriculados.

O salão do Vaga-Lume, repleto de copos e corpos. Hálitos estarrecidos pela dor. Desejos.  Garçons. A cocada branca, comprada na volta do treino, já não é mais vendida. O ponto de ônibus já não o levava mais. Aventais quadriculados. Mesas. Desejos e desejos.
Entre o copo e o corpo.

O bolso da calça furado. Chaves que não abriam mais nada se perdiam pela Olegário, e mesmo assim, eram recolhidas. A escuridão o abraçava e o levava a Raul Soares. Se um dia pensou em lutar e desbravar tudo aquilo, hoje apenas queria lutar contra os aventais quadriculados.
Anestesiado pela fumaça e pelo cheiro do enxofre expelido pelo último ônibus da noite, recolheu-se entre seus joelhos. O copo vazio e o corpo se entregando aos poucos ao ópio da vida aguçada.

Entre o copo e o corpo, desejos quebrados pelos aventais quadriculados.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Rabiscos e riscos

Nos riscos,
Vejo rabiscos.

Neles, corro todos,
Belos riscos,
Curvas e retas,
Seus rabiscos.

Nos rabiscos,
Sinto riscos.

Delineio,
Neles todos,
Riscos e rabiscos,
A vida em fino tracejado.

Nos riscos,
Nos rabiscos.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Era pó,
Pô!, era apenas pó,
Não fiz nada,
Apenas deixei ali,
Aquele pó.

Pô, ah este pó,
Maldito pó,
Branco alvo celeste,
Que me deixou assim, pô!
 
Descuidei-me, pô!,
Pelo pó,
Pó que nem sei o que é, pô!,
Alvo agora é,
Pelo pó que nem é, pô!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Danças dos dedos

Dedos tocam,
Ao toque, transcendo,
Sorriso farto grato solto no espaço da vida,
Toques marcas graças nos dedos,
Dedos tocam,
Danço de encanto,
Encantado em graças, de graça.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Palavra

Alheio,
Ao sentimento,
Receio,
Ter dito, apenas, uma, única,
Palavra,
No momento exato,
Em que minhas mãos,
Buscavam pelo tato,
Encontrar o que não havia,
O que não via,
Alheio,
Ao sentimento,
Não mais a via,
Em, apenas, uma, única,
Palavra.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Sonhos intranquilos IV

Escrevi assim, um poema esquisito.
Perdi-me, entre as cores azuis e lilás,
Que um dia me disseram-algo-que-já-nem-lembro-mais.
Da mesma forma que o poema,
Estranho e esquisito que havia escrito.
Perdeu a força;
Força que me forçava a escrever letras G-A-R-R-A-F-A-I-S,
Este gigante imenso,
Nas letras de nossos ancestrais.
Louco e eloqüente, me puxa, puxa, puxa.
E sem mais ou menos, me perco nos braços longos e estranhos de algo que já nem sou quem sou.
Mundo estranho. Estranha teoria. Vigília.
Ser é o ser, dor, alguns curiosos estudiosos dizem em seus pequenos espaços de vida que é o amor.
Rima fácil e pobre.
Difícil é vivê-los sem passar por tais desejos efêmeros.
Perco-me, derreto-me, lanço-me, e assim, sem mais ou menos, perco-me novamente.
Cruz, luz, Jesus... em algum lugar alguém deveria dizer que: “Oh não chores mais, menina não chore assim”. Mas, desnudo, com o universo que me surpreende, perco-me em seus cabelos... incríveis e invencíveis. Mesmo brancos e arrancados fio-a-fio pelos dedos de Anália, que desejou ir só para Maracangalha.
Eu fico aqui perdido.
Perco-me em mês estranho.
Estranho meu mar, meu impar, meu vôo...
Mas, a vida é sem graça,
Se houvesse graça de graça,
Seria sonho.
Ernesto me sacode e novamente me acode.
Acordo e vejo no horizonte, novamente o cone sul, movimentando nossa estrada.
Seguimos novamente para onde não sabemos.
Vamos Ernesto!?
Numa taça de champagne, infernos vermelhos desenham os pés, dor insana de cores apáticas, sigo verde roxo ao encontro lilás da vida azul. Cores iluminam nosso céu grená.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Senhor tempo

Marcas, Aparecem com o tempo,
Junto deles, o vento,
Antes negros,
Hoje escassos e alvos,
Longos espaços de tempo,
Mãos pequenas,
Pés pequenos,
Espinha no rosto,
Aparelho odontológico sem uso.
Marcas,
Aparecem com o tempo...

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Mundo que gira,
   Voltas e voltas.

Vida vazia,
   Tardes manhãs.

Voltas!? Voltas!?
   Mundo que gira.
Manhãs e manhas,
Coisas e vidas,
Viva as coisas,
Coisas de manhãs,
Manhas pelas manhãs

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Dádiva

Apenas desejos,
Vidas e feridas,
Olhos negros.

Azulejos brancos,
Bolor e odor,
Vidas en-cantos.

Nefasto momento,
“Pai, por que me abandonastes?”,
Louca escuridão.

Fuga fugaz,
Alcaparras e azeite,
Desejo de paz.

Vastas lembranças,
Purific-a-dor,
Brancas alianças.

Túneis detestáveis,
Luz luz luz,
Arco-íris sustentáveis.

Cabelos ao vento,
Sol sol solo,
Passo lento.

Em tuas,
Mãos,
Minha dádiva.

sábado, 28 de janeiro de 2012

E novamente ela brinda,
Com seu gosto,
Seu rosto,
Seu corpo.
Entre corpos e copos,
Belgas, alemãs e belo-horizontinas,
Encontra-se aqui,
Perdida,
Solta,
Louca!!!
Névoa esconde o pico do curral,
El Rey é posto,
Posto entre atos e pratos.

Rua amarela

Sonhos, sonos, aperto, ao céu azul, cor de luz, Nega renega peleja,
Sinos no alto vindo do auto-falante,
Sonhos, sonos, aperto, no céu de brigadeiro, estrelas,
Lida vida ferida,
Sons de tons e semitons de ditongos abertos não nasais,
Neste aperto, aperto a esperança contra a parede,
Solto no ar, sonhos sonos, céu,
Brigadeiro de chocolate branco na panela,
Panela pulsante,
Pulsa com o rubro no meu olhar,
Olhar que olha você na janela do tempo,
Estrelas que nos iluminaram em terra santa,
Santa!, volte pra terra,
Terra!, seja santa,
Alimento a fome da alma com restos de desejos envelhecidos,
Solto o solto pela rua amarela.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Face

Lágrimas descem a face,
Face ao absurdo visto,
Visto que fora negado,
Ao tentar entrar no templo,
Templo do tempo do amor,
Amor que alimentava das lágrimas,
Lágrimas que desciam da face.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Penitência

Tiram-me as dores,
                          As cores,
                           Os rancores.

Arrancam-me as flores,
                              Horrores,
                                     Temores.

Deixam-me a “vida”,
                            A lida.

E por fim,
       Sem mais nem, ao menos, menos...

A despedida.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Era um dia febril. Armas em punho, dente cerrados, neve no cone norte do sudeste tupiniquim. Pecados largados sob o altar. Melancolia. E ela dizia que ele só sofria, afinal, a dor não rima com amor. É filho da dor, do amor, da cor ou de um pobre pecador? Dor dor dor... sentia faltar o ar. E ar, rima com amar?

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Diante da lida e do absurdo,
   Desejo a única coisa que não possuo,
      A pérola.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Flor-de-lis

Um corpo,
Solto,
Espaço aberto,
No chão,
Horizonte,
Belo,
A,
Circular,
Choro,
Vela,
Vê-la,
Rancor,
Lilás, a nova cor do cais,
Desamor,
Ameaça,
Rubro,
Desgraça,
Devassa na vida em flor-de-lis.

2x2

O lado esquerdo,
Limpo,

Sem corpo,

2x2 na noite transformou-se em 1x2,
Ou 2x1,

Intacto está até você chegar.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Corpo & alma

Tornozelo, joelho, cotovelo, palma, calma alma!, calma...

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Encontro

Violão,
Capa,
Costas,
Cabelo,
Grande,
Assim,
Na Praça Sete,
Vejo,
Andante você,
Correndo,
A me ver.
Sorriso gratuito,
Corda,
Entra,
Fecha,
Vamos,
Conversa fiada,
Língua afiada,
Sorrisos afiados.
Somos nós únicos idênticos aos poucos.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Dois dentes

Quero mar,
Quero sol,
Fugir das nuvens,
Pular na flor da cidade,
Abraçar toda e qualquer esperança,
No sorriso de dois dentes,
Extravasar de felicidade,
Voltar a ser criança.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Paixão e morte

O copo,
Um corpo,
Confusão.

Batom,
Perfume,
Rendas.

Um corpo,
Um louco,
Paixão.

Clarão,
Projétil,
Rubro.

Em pouco,
O corpo,
Rabecão.

Oração,
Vela,
Choro.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Olhos Azuis

Algo me decepciona,
São seus olhos,
Seus olhos azuis,
Cortam-me,
Mostram meu mundo,
Que rui,
Em sua retina a me fotografar.

Em outrora colorido,
Meu mundo hoje é gris,
Mas pelos seus olhos,
Descortino-o em azul...
Olhos azuis,
Que me decepcionam,
Antes era frenesi all-time,
Hoje é caos.

A luz já não é mais branca,
Aos seus olhos, entreguei-me.
Pelas safiras, fascinei,
No instante das fotografias,
A vida já não é mais branda.
Fotos mostram meu mundo,
Que hoje ruiu.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

"Quanto dura o amor?"

Quanto dura o amor?
Eu não sei.

Mas vi seus pés,
Um sorriso abriu,
Flores enfeitam a sala,
Sua boca carnuda,
Lençol alvo,
O toque.

O beijo dado,
Luz da lua a invadir o quarto,
Praça de Santa Tereza,
Passeio de mão dada,
Poema rabiscado em papel de pão,
Juras.

A flor abriu,
Bem-te-vi  no fio de luz,
Velas acesas,
Hálito exalando volúpia,
Corpos nus,
Nuvens no solo.

Quanto dura o amor?
Eu não sei.


*Inspirado no filme "Quanto dura o amor?"

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Morte

Eram pés,
Eram mãos,
Corpos espalhados.

A esculpir,
Corpos nus,
Espalhados pela câmera.

Eram vidas,
Eram almas,
Amontoadas umas sob as outras.

Tudo frio,
Sombrio,
Luz de velas a clarear o passar.

Eram almas,
Eram seres,
Agora só nos restam os dizeres.

Vai à vida,
Fica a dor,
Findou-se o dia, mas nos fica o amor.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Cor

Eu sou bom mesmo
É para brincar de cor,
Mas de dor não.
Verde, vermelho, lilás,
A cor?
Tanto faz.
Mas a dor não.
Temor, pavor, rancor,
Tudo isto me causa torpor.
É...
Eu sou bom mesmo é pra brincar de cor,
Mas de dor
Não.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Um tiro, um único maldito e certeiro tiro. Bum!

Um tiro, um único tiro. Bum! O gatilho sendo apertado, o tambor gira, o martelo é empurrado para trás... O buraco aberto no tórax, uma dor tão intensa quanto à perda do amor ocorrida naquela mesma manhã de sexta-feira. O sorriso dela foi algo inconcebível, as palavras saltando-lhe a boca e martelando o meu tímpano: “Eu nunca te amei. Você não passa de um degrau onde gosto de subir.” A falta dela me faz ficar mais frio, menos vivo.

Um tiro, um único e maldito tiro. Bum! A mola traz o martelo para frente em alta velocidade. A agulha está à frente e... bimba! Acertou a cápsula. O sangue rubro jorrando internamente. Sinto meu estômago ficando pesado. Ânsia a todo o momento. Porque me entreguei? Devia ter lutado ao menos mais alguns minutos. Força foi o que me faltou.  Não tive fé. Como o frio que me acometia há segundos atrás, agora é a falta da mesma força que me fez baixar a guarda. Sinto-me fraco, sem vontade, infeliz.

Um tiro, um único e certeiro tiro. Bum! A pólvora explode. O projétil é expulso da cápsula. O gás faz com que o projétil seja expulso do cano. Nas ranhuras do maldito cano ele vem rodando, como se estivesse em um parque de diversão. Feliz com o gira-gira vem ganhando mais velocidade. E ela feliz agora. Brincando com seu parque em outro terreno. Fico infeliz por ter deixado ela me controlar. Ma-ni-pu-la-do, foi assim que a vida seguiu até, finalmente, ela me deixar de La-do. Era seu mais lúdico jogo: “Enganar o palhaço”. Deve ser assim que ela me achou. Em minha testa devia estar escrito ”Palhaço”. E em meu paletó o manual de instruções. Entreguei-me. É fato.  Assim como vou me entregando agora que a força e a fé me faltam. O frio cada vez mais gélido. O amor a esvaziar-se em meu estômago. Meu sangue... meu amor... minha vida...

Um tiro, um único e maldito tiro. Bum! O projétil vem voando loucamente em minha direção. Seiscentos e cinqüenta quilômetros por hora. Em frações de segundo me acerta. As luzes começam a se apagar. Esvazio o coração. As pernas vão ficando cada vez mais frouxas. Minhas mãos já não empunham reação alguma. O desejo da vida é exaurido do meu Eu. Caio ao chão. O perfume dela me esfria as lembranças. Um salto vermelho-grená me acerta o buraco no peito. A dor aumenta. A vida diminui. Penso nas promessas, nas festas, no sexo. Gozos e gozos. Desejos e solfejos. Líricas no meio conturbado urbano. Meu cotidiano findando naquela tarde de sexta-feira. Desejava um final de semana. Ganhei um final de vida.

Um tiro, um único maldito e certeiro tiro. Bum!

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Desgraceira

Era macaxeira,
Trepadeira,
Capoeira,
Sem eira nem beira,
De baixo  da cachoeira,
Que Ernesto, homem de pouca fé,
Acreditou ter encontrado a derradeira,
Única oportunidade verdadeira,
De se livrar da desgraceira,
Que fez perder a estribeira.

Na pirambeira,
Açoiteira,
Britadeira,
Cabeleira,
Bolinando a adeleira,
Que José, rapaz sem-vergonha,
Aceitou consertar a besteira,
Que ele provocou na ribanceira,
Que trouxe tanta desgraceira,
Pro povo pobre de Madeira.

Da espingardeira,
Cuspideira,
De chumbeira,
Derradeira,
Nunca se viu tanta sangueira,
Onde o sem fé e o sem vergonha,
Acertaram verdadeira desgraceira da besteira,
E Maria Feia, famosa mexeriqueira,
Tava escondida na capoeira,
Dissertou pro povo da pantaneira.

Foi choradeira,
Olheira,
De lombeira,
Leseira,
Trepada na teba da limeira,
Que Maria, moça “desmoçada”,
Chorou todas as lágrimas verdadeira,
Sem pensar que era besteira,
Se "desmoçar" ainda solteira,
E causou toda a desgraceira pros lados de Madeira.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Boipeba

Me esquece,
Sua peste!,
Eu já disse que não conheço a Celeste,
Nem quero dizer que ela não preste,
Corra porque o sorvete derrete,
Claro que já podei o cipreste,
Já dissestes!,
Teu jeito me enche de estresse,
E tem mais, tudo isto me entristece,
Tu e tua prima Celeste,
Largo as duas, agora mesmo, e vou morar com Salete,
Lá em Boipeba.