O menino,
Teu maroto,
Fique quietinho,
Tua hora chegarás,
Como raio de sol,
E a vida iluminarás.
O menino,
Teu travesso,
Já és tão queridinho,
Vens devagarzinho,
E com alvoroço,
Encher-te-ei de beijinhos.
O menino,
Meu amigo-garoto,
Quero-te aqui do ladinho,
Como um anjinho,
Pra Deus agradecer,
O mais belo presentinho.
O menino... o menino!
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Caetanear
E um sorriso desponta,
Sorriso inocente,
De gente sem dente,
Que em dia de luar,
Com a inocência fulgurante,
Ofusca o mais belo luar,
E só me restará um verbo,
O de Caetanear.
Sorriso inocente,
De gente sem dente,
Que em dia de luar,
Com a inocência fulgurante,
Ofusca o mais belo luar,
E só me restará um verbo,
O de Caetanear.
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Marcas
Encontros macabros,
Marcados os encontros,
Marcos a marcar,
Vidas a passar,
Sem nada pra marcar.
Marcados os encontros,
Marcos a marcar,
Vidas a passar,
Sem nada pra marcar.
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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Pele
Lambe mais uma vez a pele,
Trazendo assim o desejo,
De entrar em ti,
E mais uma vez,
Tornarmos apenas um,
Num só corpo,
Em um só coração,
Com batimentos loucos,
De tesão descontrolado,
Sexo a pele,
Apelo do sexo,
Lambe mais uma vez a pele,
Trazendo assim o desejo.
Trazendo assim o desejo,
De entrar em ti,
E mais uma vez,
Tornarmos apenas um,
Num só corpo,
Em um só coração,
Com batimentos loucos,
De tesão descontrolado,
Sexo a pele,
Apelo do sexo,
Lambe mais uma vez a pele,
Trazendo assim o desejo.
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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Cores
Um beijo louco,
No dedo tosco,
De lado a lado,
Sempre,
Verde ou azul,
Talvez roxo,
De fato,
O falo,
Fala,
Mais que apenas,
Ouvimos,
Sós,
Nós,
E nunca,
Na verdade,
É dita,
Bendita,
A besta,
Da voz.
No dedo tosco,
De lado a lado,
Sempre,
Verde ou azul,
Talvez roxo,
De fato,
O falo,
Fala,
Mais que apenas,
Ouvimos,
Sós,
Nós,
E nunca,
Na verdade,
É dita,
Bendita,
A besta,
Da voz.
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Rio
Eu sei,
Claro que sei,
Viajei entre pontes e navios,
Logo cedo quando cheguei ao Rio,
E sem prontos soluços,
Nem frases prontas na 040,
Segui feliz até Copa,
Onde num único conjugado,
Este, claro que foi alugado,
Em seus braços abraçados,
Noites em dias ensolarados,
Larguei meu corpo jogado,
Eu e você,
Nós dois enamorados,
E hoje em dia,
Na mais bela supremacia,
Casados.
Claro que sei,
Viajei entre pontes e navios,
Logo cedo quando cheguei ao Rio,
E sem prontos soluços,
Nem frases prontas na 040,
Segui feliz até Copa,
Onde num único conjugado,
Este, claro que foi alugado,
Em seus braços abraçados,
Noites em dias ensolarados,
Larguei meu corpo jogado,
Eu e você,
Nós dois enamorados,
E hoje em dia,
Na mais bela supremacia,
Casados.
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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Devaneios 11:44
Vagando pelo escuro da luz, senti meu corpo flutuando sobre o doce luar que me iluminava. Sentimento curto, doce, longínquo e bárbaro. Barbaridade é a minha de sentir isto em pleno êxtase da vida. Vida vivida de vivos viventes. Nobre é o ser que não se arrepende do viver. Viver a vida!, na luz, no escuro, na dor... bendita é a dor! Esta nobre criatura que nos cerca e nos leva ao amor, ou vice-versa, não sei ao certo. O amor traz a dor, ou a dor traz o amor? O amor e a dor, companheiros de longa caminhada. O amor é a dor? Definições que estão por aí, soltas, esperando a mão majestosa de vossa excelência, a vida, para defini-las.
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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Carmem
Nos seios de Carmem, Anselmo encontrava seu sossego.
Chegava a casa, entre violas e violões, descansava no seio do lar.
Casa de Carmem, seio dos seios, desejos e vontades, satisfazendo-se em sonhos. Volúpias em Carmem, sonhos de carne, seios no seio, carne de Carmem.
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quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
A triste sina de Godofredo
Enquanto cobras e tiús descem pela parede do casebre de pau-a-pique, Godofredo apertava o fumo de seu cigarro, esquecendo-se dos problemas mundano e lembrando-se da amada Sara que o deixara para trás.
O céu escuro entorpecia seu corpo. A cada minuto passado, a cada fumo cortado, a cada ar respirado, ele sofria! Triste e quieto sentado no tronco da árvore que em outrora era o motivo da alegria dos dois.
Ah Sara! – Dizia ao vento que lhe abraçava e gelava teu antigo quente coração. Sara não mais estava ali. A árvore caiu. O céu nebuloso e, para terminar, o entorpecimento já havia conquistado Godofredo e seu fumo.
Pobre Godofredo e seu fumo cortado.
O céu escuro entorpecia seu corpo. A cada minuto passado, a cada fumo cortado, a cada ar respirado, ele sofria! Triste e quieto sentado no tronco da árvore que em outrora era o motivo da alegria dos dois.
Ah Sara! – Dizia ao vento que lhe abraçava e gelava teu antigo quente coração. Sara não mais estava ali. A árvore caiu. O céu nebuloso e, para terminar, o entorpecimento já havia conquistado Godofredo e seu fumo.
Pobre Godofredo e seu fumo cortado.
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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Doce voz de Caetano
Na Avenida Brasil, sentindo a sua pele negra no meu corpo color, ouço infinitas vezes seu olhar descrito em canções líricas. O maestro toca, eu te escuto. Caetano chuta, enquanto eu navego novamente em suas longas tranças e finalmente me perco nos abraços longos de seus braços.
Sem me perder, fixo meu olhar no seu norte, e o seu sorriso alvo, da brancura de sua alma, me limpa. Traz a leveza da dor que perdi no passado e deixei na terra santa. Feliz, sigo até a praça, pois agora, quem me ama é a liberdade.
Liberdade que abracei no momento em que disse sim! Sim, minha clara jovem negra, sim para você, sim para ele que vai chegar num dia de verão, sim para nossa vida. Sim para o mundo que me uniu ao teu abraço naquela tarde de domingo, vendo o sol ir embora e você a me abraçar em seus abraços longos. Sim a tua boca carnuda que me afaga com seu hálito de desejo fêmeo e real. Sim...
O carro para... e junto ficamos a ouvir a voz de Caetano...
Sem me perder, fixo meu olhar no seu norte, e o seu sorriso alvo, da brancura de sua alma, me limpa. Traz a leveza da dor que perdi no passado e deixei na terra santa. Feliz, sigo até a praça, pois agora, quem me ama é a liberdade.
Liberdade que abracei no momento em que disse sim! Sim, minha clara jovem negra, sim para você, sim para ele que vai chegar num dia de verão, sim para nossa vida. Sim para o mundo que me uniu ao teu abraço naquela tarde de domingo, vendo o sol ir embora e você a me abraçar em seus abraços longos. Sim a tua boca carnuda que me afaga com seu hálito de desejo fêmeo e real. Sim...
O carro para... e junto ficamos a ouvir a voz de Caetano...
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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Cadê o solo?
Falta-me ar,
Sobram-me os pés,
Cadê o solo?
Chão para quem quer pão.
Vida para sorrir,
E você para mim!
Cadê o solo?
Cadê a cama,
Vem pro colchão,
Novamente me aqueça,
Com seu branco olhar,
Cadê o solo?
Solo tu,
Solo mio,
Você é meu solo!
Sobram-me os pés,
Cadê o solo?
Chão para quem quer pão.
Vida para sorrir,
E você para mim!
Cadê o solo?
Cadê a cama,
Vem pro colchão,
Novamente me aqueça,
Com seu branco olhar,
Cadê o solo?
Solo tu,
Solo mio,
Você é meu solo!
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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Amor compartilhado
E você virá,
Forte, ardente e feliz!
E quanto a nós,
Estaremos loucos na alegria,
Contida no desejo de te abraçar,
Não uma vez,
Muito menos duas,
Nem mesmo mil,
O abraço será eterno,
Como o nosso amor,
Antes único,
Agora compartilhado!
Forte, ardente e feliz!
E quanto a nós,
Estaremos loucos na alegria,
Contida no desejo de te abraçar,
Não uma vez,
Muito menos duas,
Nem mesmo mil,
O abraço será eterno,
Como o nosso amor,
Antes único,
Agora compartilhado!
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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Sonhos intraquilos de Ernesto
Na mais nova viagem intranquila, onde monges tibetanos tomam o chá de origem amazônico e nordestinos se sacolejam ao som da mais bela polca, sinto meus pés estremecerem a cada pegada que encontro.
Profundamente obeso com o volume adquirido nos últimos anos de escalada ao Everest, eu e Ernesto, desistimos, por hora, de chegar ao Taj Mahal passando pelo Obelisco, afinal, o congestionamento registrado ali, na Nove de Julho, é simplesmente caótico.
Entristeço com a novidade lançada ao espaço, ninguém merecia passar pela entrada apertada do monumento erguido no fim do último dia da escalada das ações, nada humanitárias, da Bolsa de São Paulo.
A crise que vivo, Ernesto insiste em dizer que é passageira, me trai os mais belos pensamentos a respeito da imigração dos patos selvagens vindo do Canadá. Não sinto mais prazer em olhar para o blue Sky de Belo Horizonte e não mais encontrar o beija-flor perdido em filmes que nunca vi, ou até mesmo, que não dirigi.
O tempo me convence mais que Ernesto, e o odor vindo de minhas rugas centenárias provam que a vida é única. Não existe dinheiro barato, assim como remédio para minha economia que vai de vento e polpa arrebentando o meu esforço de me manter cético ao novo plano de expansão da trajetória humana.
Esqueço tudo e aprendo novamente com as pegadas achadas. O caminho é único. A devoção é divina. O triste é alegre.
A intranquilidade me abraça de tal maneira que me sinto limpo e inerte ao seu poder. Embriago-me em seu licor, me sujo em sua cor, assim, desta única e terrível maneira, a viagem contínua... intranquila e obscena. Tomo o chá e sigo dançando. Ernesto vem junto.
Profundamente obeso com o volume adquirido nos últimos anos de escalada ao Everest, eu e Ernesto, desistimos, por hora, de chegar ao Taj Mahal passando pelo Obelisco, afinal, o congestionamento registrado ali, na Nove de Julho, é simplesmente caótico.
Entristeço com a novidade lançada ao espaço, ninguém merecia passar pela entrada apertada do monumento erguido no fim do último dia da escalada das ações, nada humanitárias, da Bolsa de São Paulo.
A crise que vivo, Ernesto insiste em dizer que é passageira, me trai os mais belos pensamentos a respeito da imigração dos patos selvagens vindo do Canadá. Não sinto mais prazer em olhar para o blue Sky de Belo Horizonte e não mais encontrar o beija-flor perdido em filmes que nunca vi, ou até mesmo, que não dirigi.
O tempo me convence mais que Ernesto, e o odor vindo de minhas rugas centenárias provam que a vida é única. Não existe dinheiro barato, assim como remédio para minha economia que vai de vento e polpa arrebentando o meu esforço de me manter cético ao novo plano de expansão da trajetória humana.
Esqueço tudo e aprendo novamente com as pegadas achadas. O caminho é único. A devoção é divina. O triste é alegre.
A intranquilidade me abraça de tal maneira que me sinto limpo e inerte ao seu poder. Embriago-me em seu licor, me sujo em sua cor, assim, desta única e terrível maneira, a viagem contínua... intranquila e obscena. Tomo o chá e sigo dançando. Ernesto vem junto.
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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
D’alma
Com a falta de você,
Meu corpo vira mártir,
O inseto voa pelo asfalto azul,
O ônibus solavanca,
No uniforme fosco da ingratidão.
Nesta crise de abstinência,
Onde o ópio é você,
Sou eu usuário ávido,
E a nos separar,
O sofá negro macio nada altruísta.
A noite perpetua,
Com a cama despovoada,
Com a chuva à encalir nosso Love,
O ar me sufoca,
Temeroso raia o dia.
Sinto falta de você,
Flagelado pelas garras da estupidez,
Com o invólucro d’alma dilacerado,
Procuro seus olhos rasgados,
E entorpecer novamente no seu agrado.
Meu corpo vira mártir,
O inseto voa pelo asfalto azul,
O ônibus solavanca,
No uniforme fosco da ingratidão.
Nesta crise de abstinência,
Onde o ópio é você,
Sou eu usuário ávido,
E a nos separar,
O sofá negro macio nada altruísta.
A noite perpetua,
Com a cama despovoada,
Com a chuva à encalir nosso Love,
O ar me sufoca,
Temeroso raia o dia.
Sinto falta de você,
Flagelado pelas garras da estupidez,
Com o invólucro d’alma dilacerado,
Procuro seus olhos rasgados,
E entorpecer novamente no seu agrado.
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terça-feira, 30 de novembro de 2010
Coquetéis molotov
Andei pensando em estrofes,
Versos,
E até em coquetéis molotov!,
Explosões além norte,
Eu, você, nós!
Versos,
E até em coquetéis molotov!,
Explosões além norte,
Eu, você, nós!
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sexta-feira, 29 de outubro de 2010
São Judas
Na escrivaninha do quarto, a meia luz, o papel largado a mesa, os rabiscos intensos, o lápis preto sendo destruído em nome de algo que nem ele mesmo saberia dizer. A fonte no quintal ligada e jorrando jorros de água. Água colorida pela luz iluminada da lâmpada ligada. O céu não era azul mais. O impossível de acontecer estava tão longe, que de certo, se tornará cada vez mais impossível. Em inexatidões longínquas o acesso do abscesso ficava mais obstruído com o tempo, e desta maneira, a boca doía cada vez mais, e o mau cheiro impregnava todas as cavidades superiores. E o rabisco saía forte sem o porquê de estar ali.
A novidade não era mais a mesma, portanto não era mais novidade. O lápis não era mais perfeito, assim como sua ponta feita com a faca. Faca que cortava cada vez mais sua esperança da volta de alguém que um dia resolveu partir e nunca mais voltar. Voltar a ser visto. Voltar para o lado direito do individuo oblíquo. Sujeito que ele jurava, agora, entre lágrimas e calafrios, que não existia mais. Era fato: o papel estava ali, o lápis em suas mãos e o alguém estava além da sua compreensão. Carniça de vida insaturável.
As comemorações do dia de São Judas haviam passado. E ele continuava ali, com sua causa impossível.
A novidade não era mais a mesma, portanto não era mais novidade. O lápis não era mais perfeito, assim como sua ponta feita com a faca. Faca que cortava cada vez mais sua esperança da volta de alguém que um dia resolveu partir e nunca mais voltar. Voltar a ser visto. Voltar para o lado direito do individuo oblíquo. Sujeito que ele jurava, agora, entre lágrimas e calafrios, que não existia mais. Era fato: o papel estava ali, o lápis em suas mãos e o alguém estava além da sua compreensão. Carniça de vida insaturável.
As comemorações do dia de São Judas haviam passado. E ele continuava ali, com sua causa impossível.
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quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Falem
Deixe que falem de mim,
Deixe que falem de nós,
Deixem quem fale.
Pouco me importa...
Se foi este ou aquele,
Se aquela ou aquele,
Largamos para lá,
E sigamos em frente:
“Para o alto e avante”
Deixe que falem de nós,
Deixem quem fale.
Pouco me importa...
Se foi este ou aquele,
Se aquela ou aquele,
Largamos para lá,
E sigamos em frente:
“Para o alto e avante”
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quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Ela
Sexta-feira, tarde da noite, avenida qualquer, entrada da boate. Ela chega com seu vestidinho lilás bordado com cristais falsificados, imponente em seu Luis XV. O perfume, tão marcante quanto seus olhos negros, deixavam todos fascinados – fascinado fico pelo seu andar. O cabelo esvoaçante açoita o vento com o cheiro gostoso do cremehidratante. Tudo era usado para mantê-la ali, no altar, e nós,súditos malditos, ficávamos a desejar seu rabo, nem que fosse por uma noite apenas
No escuro da pista, ao som do mais podre cancioneiro pop, ela se vangloriava. O corpo modelado pela academia da esquina era, para nós, a passarela da vida onde queríamos desfilar. A silhueta perfeita, os mamilos acesos, o suor descendo seu pescoço e adentrando ao grande decote cravado em suas costas. Costas que era enfeitada com um grande dragão verde-lilás que levava aos sonhos mais exóticos dos pobres mortais. E ela lá, dançando... sozinha... se acabando na pista.
A luz acende, ela caminha até a saída, as portas se abrem, ela reaparece sob a luz do luar. Ainda resta um pouco do perfume, o andar, a solidão me abraça. Sigo-a até ao carro e ela nem aí. A porta abre, a perna esguia acessa o interior do carro, o assento abraça seu traseiro malhado, a outra perna desaparece no vão da porta. Toneladas de fumaça invadem a atmosfera, ela ganha a avenida e desaparece na escuridão da noite. Dentro do carro a solidão a persegue. Ela chora um choro chorado em lágrimas quentes que molham seu corpo gelado. Já é sábado
No escuro da pista, ao som do mais podre cancioneiro pop, ela se vangloriava. O corpo modelado pela academia da esquina era, para nós, a passarela da vida onde queríamos desfilar. A silhueta perfeita, os mamilos acesos, o suor descendo seu pescoço e adentrando ao grande decote cravado em suas costas. Costas que era enfeitada com um grande dragão verde-lilás que levava aos sonhos mais exóticos dos pobres mortais. E ela lá, dançando... sozinha... se acabando na pista.
A luz acende, ela caminha até a saída, as portas se abrem, ela reaparece sob a luz do luar. Ainda resta um pouco do perfume, o andar, a solidão me abraça. Sigo-a até ao carro e ela nem aí. A porta abre, a perna esguia acessa o interior do carro, o assento abraça seu traseiro malhado, a outra perna desaparece no vão da porta. Toneladas de fumaça invadem a atmosfera, ela ganha a avenida e desaparece na escuridão da noite. Dentro do carro a solidão a persegue. Ela chora um choro chorado em lágrimas quentes que molham seu corpo gelado. Já é sábado
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terça-feira, 19 de outubro de 2010
A barata
Ô vida ingrata, dizem que não sou homem, por que não mato barata!
Porque acabar com a vida, da bichinha espremida?
Olha que belo rasante, e por não te matar, não sirvo nem como amante?!
Vá pro meio da rua, o barata danada, senão no final das contas, não vou prestar pra mais nada.
Porque acabar com a vida, da bichinha espremida?
Olha que belo rasante, e por não te matar, não sirvo nem como amante?!
Vá pro meio da rua, o barata danada, senão no final das contas, não vou prestar pra mais nada.
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Devaneios 1302
Enquanto fico aqui com a cabeça demente olhando para o céu, minha boca grita palavras eloquentes, querendo aquecer os mais belos cachos de seu cabelo. O rojo expelido pela face incrível da dor que abastece a cavidade mais estranha do invólucro de alguém, a marca pesada e prensada do ferro à brasa, que um dia chegou e feriu o mais tenro tecido que cobria aquele santuário erguido no meio da sala, mostra com exatidão a intensidade do grito. Anjos e demônios se abrigaram no lado esquerdo do telhado ouvindo as súplicas expelidas enquanto o verme que chega e destrói a vida, chegava e se alimentava do ócio produzido pelo ódio e vergonha explícitos nas palavras brotadas por aí. O suor desce a testa e é fato: na noite de São Judas não fui eu quem gritou a favor do encontro maldito que se sucedeu instantes após a bomba explodir ao lado do terraço do décimo quinto andar daquele edifício que era belo no início, e que se tornou esquizofrênico ao romper da aurora.Nada mais, nada menos, apenas isto para seu gozo provocado pelas maldições ditas exacerbadamente. Nada, além disto, ou aquilo. Nada...
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