quinta-feira, 14 de junho de 2012

Amanhecer

Manhãs amanhecem,
Com elas,
O encanto de cada canto,
Mesmo que não haja o encontro,
Do despertar com o sonhar.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Caracóis


Cabelos,
Lisos,
Negam,
Seu,
Encaracolar.

Luzes,
Brancos,
Descida,
Bela,
Pelas costas.

Chama-me,
Para,
Amar,
Seu,
Encaracolar.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Em laços

Em pequenos pedaços, Laços meus laços,
Norte no sul,
Preto no branco,
Espanto?
Nem tanto,
Dias que passam,
Noites que vêem,
Quartos estranhos,
Pedaços de vida,
Em laços.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Classificados


Troco
Tudo

Por
Um

Único
Beijo

Dado
Ao

Amanhecer

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Paixão diurna

Estou apaixonado,
Acordei assim,
As borboletas voam por aqui,
As vejo flutuando em minha volta,
Preciso desta paixão diurna,
À noite eu luto,
Luto novamente contra o luto,
Novamente abraço o violão,
Toco notas tristes,
Notas em dó,
Dó de mim que me perdi em seus braços,
Saudade dos abraços,
E assim,
No torpor da tristeza,
Retiro-me de cena,
Afogo-me nas lágrimas que inundam minha face,
E novamente pela manhã,
Acordo apaixonado,
Preciso desta paixão diurna.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Expresso 11

Na falta de ti, vem tu – Disse vendo a foto da amada desalmada, tendo o copo de cachaça em mãos.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Expresso 10


Mesmo com todas as caixas arrumadas, pensou: Ainda não é hora da mudança. Trancafiou novamente o coração e continuou só.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Expresso 9


O cigarro já queimava os dedos, o pano verde riscado, só lhe restava um suspiro. Mirou a vida. Giz na ponta. Bola morta.

Caos ao anoitecer

Na noite,
O caos,
Persigo o respeito,
Desisto,
Reflito.

Na noite,
O caos,
Estrelas,
Lua que passa,
Flor que não nasce,
Vida que segue.

Na noite,
O caos,
Lido com a vida,
Doce,
Sofrida.

Na
Noite
O
Caos

domingo, 27 de maio de 2012

Gira

Aventuras,
Mundo que gira,
Gira mundo,
Mundo mundo,
Nada é,
Nada sou,
Paralelos me traçam,
Traço planos,
Planos em retas,
Retas planas,
Sul que desperta,
Gira,
Mundo,
Mundo que gira.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Com você


Chega, vem, corre, me aperte, sinta-me leve e me leve, pra lá além do norte. A noite será quente, o frio ficará de fora. Fora daqui, a vida vai parar.
Vem, corre, me aperte, sinta-me leve e me leve, pra dentro de você. Em seu sul farei a festa, e então, verás que há vida, e para variar, em suas mãos, vou acordar.
Corre, me aperte, sinta-me leve e me leve, para perto dos teus olhos. Será assim, pra sempre, sempre será assim, eu e você, no lado esquerdo de cada um.

Me aperte, sinta-me leve e me leve, para lá. Aquele lugar onde sonhamos, e nestes sonhos, sonhos lilás de vida doce, pisaremos em algodão e nos saciaremos de nós mesmos.
Sinta-me leve e me leve, para sempre, com você.

Expresso 8


Vou abraçar aquela que me fere, e nestes dias de maio, vem visitar-me com tanta frequência. Solidão vem, a porta está aberta.

domingo, 20 de maio de 2012

Expresso 7


Na tristeza do abandono, me abandono e vou respirar o sabor gélido do abandono que adotei.

Expresso 6


É o preço! É o preço meu caro – Disse o ambulante, segurando pela mão uma porção de vida.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Copos de vinho


“Garçom, um vinho e uma carne” – Foi assim que iniciou a noite. Depois de meses, ele estava lá, novamente, só. “Quero mal passada! Quero deixar isto bem claro, mal passada.” – A noite chegava abraçando, o frio cortante, a solidão saltitante, os nervos a flor, nervos de aço, aço que corta, corta que corta e mata. Filhos, mulher, trabalho, solidão, soleira, sarjeta. Sarjeta logo ali, era questão de tempo, sabia que em breve a abraçaria novamente, beijaria beijos longos e saudosos. Saudade... Saudade de quê? De quem? Nem vem.

“Mais um” – Bradou contra o atendente. Já estava sendo levado leve. Mundo mundano de pessoas tristes. A carne sangrenta. Sangue nos olhos pela dor. Reflexões, reflexos na taça de vidro fino, fino era a dor pontiaguda que o apertava naquela noite de solidão. “Solidão amiga do peito, Me dê tudo que eu tenha por direito”. Lembrava da canção. Era claro que a noite seria em claro, abraçado a ela, com a cara lotada, o torpor da vida. Nem sal nem sol, aliás, o sol sim, este o queimava todas as manhãs, sem ao menos se preocupar com as marcas marcadas em seu corpo.

“A conta, por favor!” – Falou quase chorando com seu verdugo. Sabia que dali pra frente, ou pra fora, a vida não se resumiria em vinhos e carnes. Seria mais dolorida. E naquela noite, em que o frio o abraçava, seria mais difícil. O celular ao bolso, os números discados, as fotos dos filhos, o cachorro do outro lado da calçada, a vida passando. Era assim. A vida, a lida, a bebida e a maldita ferida. Pagou a conta, cambaleando abriu o portão e abraçou a noite gélida. Entre passos e solavancos chegou...

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Algo com algoz

Vago no vazio,
A busca
Do algo,
Que o algoz,
Levou.

Vago vazio,
A procura
Do algo,
Com,
O algoz.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Olhar

Olhos verdes que flertam,
Olhos negros,
Flertam acertam.

Certos que o próximo,
Está bem,
Próximo.

Aflijam acertam.

Tons verdes,
Mesclados,
Negros tons.

Flertes,
Tons,
Olhos.

Aceite!, a vida é maior que o olhar...

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Em dó maior


Brancos ouriçados,
Caracóis encaracolados,
Mente na mente,
Dureza, frieza, tristeza,
Tereza me consome em notas de dó maior,
Maior dó de mim,
Maio maior,
Maior nota,
Cores lançadas á tela,
Tela rasgada de corpo,
Corpo,
Telas,
Rasgadas,
Vento que me corta neste outono inverno,
Vem e me leva,
Leva leva leva,
Leva a Tereza.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Expresso 5

Vivia aos sobressaltos!, a espera da chegada daquelas lindas pernas sob os saltos vermelhos carmim

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Longínquo

Nesta estação onde tudo é mistério,
Olho ao longe,
Sinto-me longe,
Não sei onde está meu hemisfério,
Te vejo,
Longe longe longe.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Dias

Falta da saliva,
Dos seus dedos,
Seus+dedos+em+minhas+mãos,
Sorriso vazado,
Branco a vir,
Com o tempo...
Este me falta.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Expresso 4

Marasmo, sarcasmo, neoplasmo. Vivendo pelos substantivos,esperava o adjetivo final.

Tempo

Nunca é tarde de se encontrar,
Nunca é tarde pra se amar,
Nun-ca-é-tar-de,
Encontrar amar,
Amar encontrar,
Nun-ca-é-tar-de.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Expresso 3

Entre o sol, entre o mar, entre a luz, entre você e habite o meu habitat.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Expresso 2

Ela fazia letras,
Ele escrevia frases,
Juntos,
Lado a lado,
Lavravam a vida.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Mulher

Era dia,
Se bem me lembro,
Era dia.
6, 22, 8, 4, 12, 7,
Um dia desses aí,
Eram janeiros, marços, junhos, agostos, setembros, outubros,
Eram meses,
Mãe, namorada, noiva, esposa, mãe,
Mulher!,
Luta, luta, luta,
Dias passam, noites vem,
Ela ali, elas ali,
Lida lida lida,
Dias noites tardes,
Vin-te-e-qua-tro-ho-ras,
Março é marco,
Marco em março,
Labuta luta lida,
Amor amor amor,
In-con-di-cio-nal,
Era dia.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Não procuro datas,
Muito menos dados,
Nunca dardos,
Simplesmente não procuro.
Procuro-me.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Sofreguidão

Desejos,
Esquivo,
Pilastras,
Pique esconde,
Correria no coração.

Desejos,
Evasivo,
Vigas,
A cabra-cega,
Tato na solidão.

Desejos,
Desejos,
Estruturas,
Brincar com emoção,
Motes de sofreguidão.

Expresso 1

Eu não vou segurar esta pica! - Esbravejou ao ver o corpo caído junto ao portão de saída por onde entraram.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Quarto

Passeio,
Em cada quarto,
Um ato,
Olhos negros negros negros.

Em cada quarto,
Esquartejada,
Em pequenos quartos,
Um quarto da vida vida vida.

Horas e segundos,
Entre cada quarto,
Um ato,
Minutos voam voam voam.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Aventais

Entre o copo e o corpo, desejos quebrados pelos aventais quadriculados. Junto à mão furtiva da imensidão turva, o copo preenchido do liquido salvador de momentos iguais a estes em outras ocasiões. Porém, perto do corpo, o desejo.
Escuridão em quarteirões da Rio Grande do Sul, pontos de ônibus vazios, restaurante popular fechado e o copo em sua mão. O corpo, inerte pelo frio cáustico vindo da alma rubra, estava ali.

Jogos de azar são disputados. Azar e sorte em um tabuleiro rosa grená, escondido nas esquinas. O tarja preta havia se findado a dois dias, e sem ele, o discernimento desapareceu entre um copo e outro. Turvo ou não, na maioria das vezes, incolor.
Desejos quebrados pelos aventais quadriculados.

O salão do Vaga-Lume, repleto de copos e corpos. Hálitos estarrecidos pela dor. Desejos.  Garçons. A cocada branca, comprada na volta do treino, já não é mais vendida. O ponto de ônibus já não o levava mais. Aventais quadriculados. Mesas. Desejos e desejos.
Entre o copo e o corpo.

O bolso da calça furado. Chaves que não abriam mais nada se perdiam pela Olegário, e mesmo assim, eram recolhidas. A escuridão o abraçava e o levava a Raul Soares. Se um dia pensou em lutar e desbravar tudo aquilo, hoje apenas queria lutar contra os aventais quadriculados.
Anestesiado pela fumaça e pelo cheiro do enxofre expelido pelo último ônibus da noite, recolheu-se entre seus joelhos. O copo vazio e o corpo se entregando aos poucos ao ópio da vida aguçada.

Entre o copo e o corpo, desejos quebrados pelos aventais quadriculados.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Rabiscos e riscos

Nos riscos,
Vejo rabiscos.

Neles, corro todos,
Belos riscos,
Curvas e retas,
Seus rabiscos.

Nos rabiscos,
Sinto riscos.

Delineio,
Neles todos,
Riscos e rabiscos,
A vida em fino tracejado.

Nos riscos,
Nos rabiscos.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Era pó,
Pô!, era apenas pó,
Não fiz nada,
Apenas deixei ali,
Aquele pó.

Pô, ah este pó,
Maldito pó,
Branco alvo celeste,
Que me deixou assim, pô!
 
Descuidei-me, pô!,
Pelo pó,
Pó que nem sei o que é, pô!,
Alvo agora é,
Pelo pó que nem é, pô!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Danças dos dedos

Dedos tocam,
Ao toque, transcendo,
Sorriso farto grato solto no espaço da vida,
Toques marcas graças nos dedos,
Dedos tocam,
Danço de encanto,
Encantado em graças, de graça.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Palavra

Alheio,
Ao sentimento,
Receio,
Ter dito, apenas, uma, única,
Palavra,
No momento exato,
Em que minhas mãos,
Buscavam pelo tato,
Encontrar o que não havia,
O que não via,
Alheio,
Ao sentimento,
Não mais a via,
Em, apenas, uma, única,
Palavra.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Sonhos intranquilos IV

Escrevi assim, um poema esquisito.
Perdi-me, entre as cores azuis e lilás,
Que um dia me disseram-algo-que-já-nem-lembro-mais.
Da mesma forma que o poema,
Estranho e esquisito que havia escrito.
Perdeu a força;
Força que me forçava a escrever letras G-A-R-R-A-F-A-I-S,
Este gigante imenso,
Nas letras de nossos ancestrais.
Louco e eloqüente, me puxa, puxa, puxa.
E sem mais ou menos, me perco nos braços longos e estranhos de algo que já nem sou quem sou.
Mundo estranho. Estranha teoria. Vigília.
Ser é o ser, dor, alguns curiosos estudiosos dizem em seus pequenos espaços de vida que é o amor.
Rima fácil e pobre.
Difícil é vivê-los sem passar por tais desejos efêmeros.
Perco-me, derreto-me, lanço-me, e assim, sem mais ou menos, perco-me novamente.
Cruz, luz, Jesus... em algum lugar alguém deveria dizer que: “Oh não chores mais, menina não chore assim”. Mas, desnudo, com o universo que me surpreende, perco-me em seus cabelos... incríveis e invencíveis. Mesmo brancos e arrancados fio-a-fio pelos dedos de Anália, que desejou ir só para Maracangalha.
Eu fico aqui perdido.
Perco-me em mês estranho.
Estranho meu mar, meu impar, meu vôo...
Mas, a vida é sem graça,
Se houvesse graça de graça,
Seria sonho.
Ernesto me sacode e novamente me acode.
Acordo e vejo no horizonte, novamente o cone sul, movimentando nossa estrada.
Seguimos novamente para onde não sabemos.
Vamos Ernesto!?
Numa taça de champagne, infernos vermelhos desenham os pés, dor insana de cores apáticas, sigo verde roxo ao encontro lilás da vida azul. Cores iluminam nosso céu grená.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Senhor tempo

Marcas, Aparecem com o tempo,
Junto deles, o vento,
Antes negros,
Hoje escassos e alvos,
Longos espaços de tempo,
Mãos pequenas,
Pés pequenos,
Espinha no rosto,
Aparelho odontológico sem uso.
Marcas,
Aparecem com o tempo...

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Mundo que gira,
   Voltas e voltas.

Vida vazia,
   Tardes manhãs.

Voltas!? Voltas!?
   Mundo que gira.
Manhãs e manhas,
Coisas e vidas,
Viva as coisas,
Coisas de manhãs,
Manhas pelas manhãs

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Dádiva

Apenas desejos,
Vidas e feridas,
Olhos negros.

Azulejos brancos,
Bolor e odor,
Vidas en-cantos.

Nefasto momento,
“Pai, por que me abandonastes?”,
Louca escuridão.

Fuga fugaz,
Alcaparras e azeite,
Desejo de paz.

Vastas lembranças,
Purific-a-dor,
Brancas alianças.

Túneis detestáveis,
Luz luz luz,
Arco-íris sustentáveis.

Cabelos ao vento,
Sol sol solo,
Passo lento.

Em tuas,
Mãos,
Minha dádiva.

sábado, 28 de janeiro de 2012

E novamente ela brinda,
Com seu gosto,
Seu rosto,
Seu corpo.
Entre corpos e copos,
Belgas, alemãs e belo-horizontinas,
Encontra-se aqui,
Perdida,
Solta,
Louca!!!
Névoa esconde o pico do curral,
El Rey é posto,
Posto entre atos e pratos.

Rua amarela

Sonhos, sonos, aperto, ao céu azul, cor de luz, Nega renega peleja,
Sinos no alto vindo do auto-falante,
Sonhos, sonos, aperto, no céu de brigadeiro, estrelas,
Lida vida ferida,
Sons de tons e semitons de ditongos abertos não nasais,
Neste aperto, aperto a esperança contra a parede,
Solto no ar, sonhos sonos, céu,
Brigadeiro de chocolate branco na panela,
Panela pulsante,
Pulsa com o rubro no meu olhar,
Olhar que olha você na janela do tempo,
Estrelas que nos iluminaram em terra santa,
Santa!, volte pra terra,
Terra!, seja santa,
Alimento a fome da alma com restos de desejos envelhecidos,
Solto o solto pela rua amarela.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Face

Lágrimas descem a face,
Face ao absurdo visto,
Visto que fora negado,
Ao tentar entrar no templo,
Templo do tempo do amor,
Amor que alimentava das lágrimas,
Lágrimas que desciam da face.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Penitência

Tiram-me as dores,
                          As cores,
                           Os rancores.

Arrancam-me as flores,
                              Horrores,
                                     Temores.

Deixam-me a “vida”,
                            A lida.

E por fim,
       Sem mais nem, ao menos, menos...

A despedida.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Era um dia febril. Armas em punho, dente cerrados, neve no cone norte do sudeste tupiniquim. Pecados largados sob o altar. Melancolia. E ela dizia que ele só sofria, afinal, a dor não rima com amor. É filho da dor, do amor, da cor ou de um pobre pecador? Dor dor dor... sentia faltar o ar. E ar, rima com amar?

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Diante da lida e do absurdo,
   Desejo a única coisa que não possuo,
      A pérola.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Flor-de-lis

Um corpo,
Solto,
Espaço aberto,
No chão,
Horizonte,
Belo,
A,
Circular,
Choro,
Vela,
Vê-la,
Rancor,
Lilás, a nova cor do cais,
Desamor,
Ameaça,
Rubro,
Desgraça,
Devassa na vida em flor-de-lis.

2x2

O lado esquerdo,
Limpo,

Sem corpo,

2x2 na noite transformou-se em 1x2,
Ou 2x1,

Intacto está até você chegar.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Corpo & alma

Tornozelo, joelho, cotovelo, palma, calma alma!, calma...

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Encontro

Violão,
Capa,
Costas,
Cabelo,
Grande,
Assim,
Na Praça Sete,
Vejo,
Andante você,
Correndo,
A me ver.
Sorriso gratuito,
Corda,
Entra,
Fecha,
Vamos,
Conversa fiada,
Língua afiada,
Sorrisos afiados.
Somos nós únicos idênticos aos poucos.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Dois dentes

Quero mar,
Quero sol,
Fugir das nuvens,
Pular na flor da cidade,
Abraçar toda e qualquer esperança,
No sorriso de dois dentes,
Extravasar de felicidade,
Voltar a ser criança.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Paixão e morte

O copo,
Um corpo,
Confusão.

Batom,
Perfume,
Rendas.

Um corpo,
Um louco,
Paixão.

Clarão,
Projétil,
Rubro.

Em pouco,
O corpo,
Rabecão.

Oração,
Vela,
Choro.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Olhos Azuis

Algo me decepciona,
São seus olhos,
Seus olhos azuis,
Cortam-me,
Mostram meu mundo,
Que rui,
Em sua retina a me fotografar.

Em outrora colorido,
Meu mundo hoje é gris,
Mas pelos seus olhos,
Descortino-o em azul...
Olhos azuis,
Que me decepcionam,
Antes era frenesi all-time,
Hoje é caos.

A luz já não é mais branca,
Aos seus olhos, entreguei-me.
Pelas safiras, fascinei,
No instante das fotografias,
A vida já não é mais branda.
Fotos mostram meu mundo,
Que hoje ruiu.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

"Quanto dura o amor?"

Quanto dura o amor?
Eu não sei.

Mas vi seus pés,
Um sorriso abriu,
Flores enfeitam a sala,
Sua boca carnuda,
Lençol alvo,
O toque.

O beijo dado,
Luz da lua a invadir o quarto,
Praça de Santa Tereza,
Passeio de mão dada,
Poema rabiscado em papel de pão,
Juras.

A flor abriu,
Bem-te-vi  no fio de luz,
Velas acesas,
Hálito exalando volúpia,
Corpos nus,
Nuvens no solo.

Quanto dura o amor?
Eu não sei.


*Inspirado no filme "Quanto dura o amor?"

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Morte

Eram pés,
Eram mãos,
Corpos espalhados.

A esculpir,
Corpos nus,
Espalhados pela câmera.

Eram vidas,
Eram almas,
Amontoadas umas sob as outras.

Tudo frio,
Sombrio,
Luz de velas a clarear o passar.

Eram almas,
Eram seres,
Agora só nos restam os dizeres.

Vai à vida,
Fica a dor,
Findou-se o dia, mas nos fica o amor.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Cor

Eu sou bom mesmo
É para brincar de cor,
Mas de dor não.
Verde, vermelho, lilás,
A cor?
Tanto faz.
Mas a dor não.
Temor, pavor, rancor,
Tudo isto me causa torpor.
É...
Eu sou bom mesmo é pra brincar de cor,
Mas de dor
Não.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Um tiro, um único maldito e certeiro tiro. Bum!

Um tiro, um único tiro. Bum! O gatilho sendo apertado, o tambor gira, o martelo é empurrado para trás... O buraco aberto no tórax, uma dor tão intensa quanto à perda do amor ocorrida naquela mesma manhã de sexta-feira. O sorriso dela foi algo inconcebível, as palavras saltando-lhe a boca e martelando o meu tímpano: “Eu nunca te amei. Você não passa de um degrau onde gosto de subir.” A falta dela me faz ficar mais frio, menos vivo.

Um tiro, um único e maldito tiro. Bum! A mola traz o martelo para frente em alta velocidade. A agulha está à frente e... bimba! Acertou a cápsula. O sangue rubro jorrando internamente. Sinto meu estômago ficando pesado. Ânsia a todo o momento. Porque me entreguei? Devia ter lutado ao menos mais alguns minutos. Força foi o que me faltou.  Não tive fé. Como o frio que me acometia há segundos atrás, agora é a falta da mesma força que me fez baixar a guarda. Sinto-me fraco, sem vontade, infeliz.

Um tiro, um único e certeiro tiro. Bum! A pólvora explode. O projétil é expulso da cápsula. O gás faz com que o projétil seja expulso do cano. Nas ranhuras do maldito cano ele vem rodando, como se estivesse em um parque de diversão. Feliz com o gira-gira vem ganhando mais velocidade. E ela feliz agora. Brincando com seu parque em outro terreno. Fico infeliz por ter deixado ela me controlar. Ma-ni-pu-la-do, foi assim que a vida seguiu até, finalmente, ela me deixar de La-do. Era seu mais lúdico jogo: “Enganar o palhaço”. Deve ser assim que ela me achou. Em minha testa devia estar escrito ”Palhaço”. E em meu paletó o manual de instruções. Entreguei-me. É fato.  Assim como vou me entregando agora que a força e a fé me faltam. O frio cada vez mais gélido. O amor a esvaziar-se em meu estômago. Meu sangue... meu amor... minha vida...

Um tiro, um único e maldito tiro. Bum! O projétil vem voando loucamente em minha direção. Seiscentos e cinqüenta quilômetros por hora. Em frações de segundo me acerta. As luzes começam a se apagar. Esvazio o coração. As pernas vão ficando cada vez mais frouxas. Minhas mãos já não empunham reação alguma. O desejo da vida é exaurido do meu Eu. Caio ao chão. O perfume dela me esfria as lembranças. Um salto vermelho-grená me acerta o buraco no peito. A dor aumenta. A vida diminui. Penso nas promessas, nas festas, no sexo. Gozos e gozos. Desejos e solfejos. Líricas no meio conturbado urbano. Meu cotidiano findando naquela tarde de sexta-feira. Desejava um final de semana. Ganhei um final de vida.

Um tiro, um único maldito e certeiro tiro. Bum!

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Desgraceira

Era macaxeira,
Trepadeira,
Capoeira,
Sem eira nem beira,
De baixo  da cachoeira,
Que Ernesto, homem de pouca fé,
Acreditou ter encontrado a derradeira,
Única oportunidade verdadeira,
De se livrar da desgraceira,
Que fez perder a estribeira.

Na pirambeira,
Açoiteira,
Britadeira,
Cabeleira,
Bolinando a adeleira,
Que José, rapaz sem-vergonha,
Aceitou consertar a besteira,
Que ele provocou na ribanceira,
Que trouxe tanta desgraceira,
Pro povo pobre de Madeira.

Da espingardeira,
Cuspideira,
De chumbeira,
Derradeira,
Nunca se viu tanta sangueira,
Onde o sem fé e o sem vergonha,
Acertaram verdadeira desgraceira da besteira,
E Maria Feia, famosa mexeriqueira,
Tava escondida na capoeira,
Dissertou pro povo da pantaneira.

Foi choradeira,
Olheira,
De lombeira,
Leseira,
Trepada na teba da limeira,
Que Maria, moça “desmoçada”,
Chorou todas as lágrimas verdadeira,
Sem pensar que era besteira,
Se "desmoçar" ainda solteira,
E causou toda a desgraceira pros lados de Madeira.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Boipeba

Me esquece,
Sua peste!,
Eu já disse que não conheço a Celeste,
Nem quero dizer que ela não preste,
Corra porque o sorvete derrete,
Claro que já podei o cipreste,
Já dissestes!,
Teu jeito me enche de estresse,
E tem mais, tudo isto me entristece,
Tu e tua prima Celeste,
Largo as duas, agora mesmo, e vou morar com Salete,
Lá em Boipeba.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Laços

Estes laços,
  Nossos laços,
    Dores me arrebentam o peito,
      Cor rubra a espalhar pelo invólucro da alma,
        Desejos noturnos apagados na ausência do teu sorriso,
      Sofreguidão em olhos azuis a desejar a vida,
    Dormência demoníaca ao peito,
  Nossos laços,
Estilhaços.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Primogênito

És o senhor dos meus domínios,
E também dos meus fascínios,
Eu não posso mais perder,
Muito menos esquecer,
Pois és tu que me controla,
E me faz cantarolar,
Nesta vida agora,
Onde o sol passa a brilhar.

És o senhor dos meus fascínios,
E também dos meus domínios,
Já não posso conceder,
E quiçá reverter,
De envolver em seu sorriso,
Em suas mãos me enrolar,
Deixarei de ser narciso,
E suas marcas vão me marcar.

És o senhor dos meus fascínios,
E também dos meus suplícios,
Preciso agora é entender,
O que queres é viver,
Lançado a lança ao vento,
Fico agora a olhar,
Vá longe meu rebento,
Feliz vivo por saber amar.

sábado, 26 de novembro de 2011

Meu mundo

Tento me esquecer,
Mas viver é ávido,
Vivo a desprender,
Mas exijo o calor,
Deste mundo meu,
Que pelas manhãs,
Tudo nele é teu.

Se viver é amor,
Vivo a aprender,
A enfeitar de cor,
E desenraivecer,
Deste mundo meu,
Que pelas manhãs,
Tudo nele é teu.

Nisto tudo é flor,
Vamos juntos a caminhar,
E esquecer a dor,
Aprendendo a amar,
Neste mundo meu,
Que pelas manhãs,
Tudo nele é teu.

Certo é viver,
E viver de amor,
Vamos juntos crer,
E enfeitar de cor,
Este mundo meu,
Que pelas manhãs,
Tudo nele é teu.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Corpo

Fiquei anos e anos te procurando em meu corpo,
Fiquei anos e anos te procurando,
Em meu corpo fiquei anos,
Procurando-te corpo,
Anos e anos,
Meu e teu,
Corpo,
Fiquei.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Ícaro

Queria ser Ícaro,
E neste seu espaço de céu me arremessar em seus braços,
Asas de braços em seu céu,
Sol me derrete as asas,
Bicicletas e relâmpagos,
Luz e sol,
Amor desamor,
Vôo longe das garras sol meu único desejo,
O céu seu.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Estação central

Central estação,
Passa , chega, vai...
Trem da ilusão.

Sons. Sonhos, piuí tic tac...
Inocência embarcada, despachada, acabada.

Central estação,
Vai, passa, chega...
Trem da desilusão.

Ardor. Rancor, shiiiii...
Sentimento sentido, sofrido, atrevido.

Central estação,
Estação central.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Tereza

Vi Tereza hoje!, em sua luz, continua santa como nunca. Em suas curvas, boemia como sempre. Seu cheiro seu gosto, seu corpo...

Tereza...
Lembranças das noites com Gotardo.  O rubro, a pasta, a luz acabada.

Lençóis alvos espalhados pela cama. Desejo dos amados almados.

Hoje vi Tereza. Boemia como sempre. Santa como nunca.

Tereza...

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Desalmado

Desnudo fico,
assim,
a ver navios,
no mar de nossa cama.

Cama que me deixa desalmado.

Alma,
que já não é mais minha.

Desalmado sou,
Desalmado estou...

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Fuga

Leve meu corpo

Para o lugar

De onde

Um dia

Eu não

Vim...

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Lambidas, gemidos e loucuras

Roupas a desnudar,
Vistas avistando o infinito,
Nós nus,
Notas de sol em seu violão,
Desejos e solfejos,
Cantigas, mandingas, lambidas...

Cheiros no ar,
Degusto o gosto do sentir,
Nosso balanço,
Dedilhando acordes em seu braço,
Beijos e desejos,
Risos, sorrisos, gemidos...

Coração a aquentar,
Tato no quente d’alma,
Vossos sons,
Manuseio o desejo da canção na pele,
Nossos corpos,
Doçura, tesura, loucura...

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Ali...Nasci

Foi numa tarde,
Onde o dia se desvencilhava entre suas mãos,
E os raios de luz abraçavam,
E a chuva nos molhava...

Ali,
Nesta mesma tarde,
Onde os casarões da terra santa brilhavam em seus olhos,
E a branca lua nos abençoou,
E o frio nos abraçava...

Ali,
No fim da tarde,
Onde teu corpo me abrigava com suas cores negras e alvas,
E as estrelas nos iluminavam,
E o calor nos bastava...
 
Ali,
Anoiteceu,
Em teu corpo era eu e em meu corpo era tu,
E pela lua nós dançávamos nus,
E a noite nos embalava,
Nasci...

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

men-te...ten-te

Triste, arrastou-se até a ponta. Olhou para o lado, depois pra cima, respirou profundamente. Mente...mente...ten-te. Não faltou muito para final-men-te saltar-se. Entregou-se a melancolia, o torpor na mente...mente...men-te. Estímulos lhe faltavam, dores espalhavam, corpo se decompunha. O odor regava as cavidades superiores, já as inferiores se contorciam. Era aquilo tudo mesmo, tinha certeza, de , nada. Mente...ten-te...men-te.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Acordar

Apaixonei-me!, mais uma vez. Mas desta vez foi logo pela manhã, e foi fácil. Você dormindo, eu já acordado e brigado com o relógio que insistia em trazer-me a lida.

Seus olhos se abriram, inchados de dormir. A pele branca, o entorno da boca sujo pelo resto da madrugada, o bocejar matinal.

As mãos procuravam algo e me acharam. Você olhou... sorriso lindo vazado pela falta dos dentes. Balbuciou algo, e como sempre, não entendi. Hálito de pureza angelical.
Unhas afiadas a cortar-me epiderme, que se exploda a derme, o que realmente vale é seu toque a qualquer hora do dia, mas pela manhã, faz a vida valer mais.

Sem nenhuma palavra peguei em meus braços e te beijei...
Um beijo que me salva do dia a cada dia...

Apaixonei-me!, mais uma vez.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Fintar

Ah!, os seus olhos. Estes me fintam e eu, tolo que sou, entrego sem lutar. Desnudo fico, assim, a ver navios, no mar de nossa cama. Cama que me deixa desalmado. Alma, que já não é mais minha, me fintou com seus olhos e me desalmou...

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Eclipse

Foi no meu quarto que você apareceu. Pé ante pé, devagarzinho, linda em sua camisola de lua, sorriu e me encantou.  Neste dia, quando o sol pediu licença a lua e se escondeu atrás dela, ela, a lua, também apareceu no meio do dia. Linda e nua, como você minutos depois de fechar a porta. Enalteci seu corpo negro e me entreguei aos seus encantos. Longos braços, abraços longos, sua respiração a entorpecer-me... desfaleci, e assim, renasci.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Sonhos intranquilos III

E foi pela manhã, numa destas manhãs onde o tempo passa seco, que senti o amargor pela primeira vez. O fel saltou-me a boca, roxa pelo frio imenso que fazia na capital das Gerais. Porém, seco como o tempo, foi o telefonema que recebi logo quando me desvencilhei do ededron negro que me encobria e fingia me proteger da cáustica temperatura. A voz metálica, do outro lado daquele estúpido aparelho, me cortava aos poucos. Retalhava o que havia sobrado da noite anterior, onde nuvens negras passavam junto ao céu e ao cume da Serra do Curral. Era a dor!, a tal dor que tantos haviam me dito. Maldito sejas tu, que resolveu me ligar e me lembrar do assassinato ocorrido ali perto de mim. Eu não tive culpa, já havia esquecido o ocorrido, mas você não aceitou, e agora, depois de tanto tempo, insiste em me arrastar para o inferno de lembranças. Você sabe que lutei, por várias e várias vezes, batalhas descomunais, noites em claro, dias a fio, mas enfim, fui vencido. E ele teve o direito divino de extinguir a vida que vivia ali. Foi duro ver a vida exaurir pelos seus olhos, sentir o peso da mão dele depositada em meu ombro, ali, no sofá negro da sala branca. Noites em claro, dias sem luz, nocivas pitadas de solidão depositada no porão de onde ele vivia. E mesmo assim, você me liga e me faz reviver todo este turbilhão de cheiros, cores, dores e rancores. – Sinto uma mão a me sacudir. Levanto os olhos para o alto e vejo Ernesto. Ele já está de pé. Ergue a mão direita e me mostra que o céu desta manhã está mais azul do que da semana passada neste mesmo nome de dia. Avisa que a caminhada vai ser dura, mas temos que continuar nossa expedição. Arrumamos toda a bagagem, ele segue em frente. Respiro e vou atrás. Vamos Ernesto!, a vida nos espera.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Perdi a hora

Eu sei, já é tarde e novamente perdi a hora. Não!, não vá embora, muito menos agora, fica mais, espere o café passar. Café com torradas e acompanha aquela geléia de goiaba que você tanto gosta. Uma fatia de queijo minas frescal? Claro, também gosto do suco de pêssego. Não, ainda está cedo,como você mesmo já disse, perdi a hora. Vamos tentar? Sempre... nunca deixei de pensar. O que você quer almoçar? Vai!, almoça comigo... serei sua sobremesa! Achou brega?, apenas estou tentando recuperar a hora perdida. Eu sei, passou o tempo, passou o dia, passou o amor... perdi a hora.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Olhar

Nos olhos,
   olhos nus,
      nós nus,
         olho-nos.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Desistência

Em um copo,
    Achei,
        Assim,
            Minha vida,
                Rasa. 

Um, dois, três minutos, perdi, o sentido, de tudo.

Em um corpo,
    Achei,
        Assim,
            Minha vida,
                Castra.

Tu, ele, vós, eles. Não havia mais espaço para eu e nós.

 Em um morto,
    Achei,
        Assim,
            Minha vida,
                Findada.

Ócio, ódio, ópio, AH!....

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Mulher azul

Em teu corpo, me encontro, nu!,
E desvendo teu corpo blue.
Lembro de meu amigo DJ,
Que num relance de acuidade,
Foi a Paris,
Ele, feliz como eu,
Descobriu a mulher blue,
Minha woman azul,
Our mulher azul.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Tereza

Lembranças de Tereza,
Na janela do quarto,
Veio assim de leve,
Quase abstrato.

Numa luz branca,
Que pela janela,
Serviu-nos de manta,
E nos fez tela.

Nu, resolvi dormir,
E como nunca, a abracei,
Ela ao meu lado a sorrir,
Iluminado, dormi e sonhei.

Ah!, minha bela Tereza,
Que nos faz sonhar,
Na alegria ou tristeza,
Venha nos visitar.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A cor do amor

Arrasto,
Sigo,
Ao canto,
Enxugando,
Meu roto,
Pranto,

Nada,
Nunca,
Cor,
Lilás,
Dele,
O,
Amor.

Agora,
Perro,
Ali,
Vejo,
Seu rosto,
Desejo.

Desespero,
Penso,
Desisto,
Reflito,
Regozijo,
Lilás.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Me mata

Eu sei que a vida tem volta,
E até Deus escreve por linhas tortas,
Mas saber que você não volta,
Me mata...

Procuro pelos meios,
Ando pelos cantos,
Até ele já não sorri tanto,
E saber que você não volta,
Me mata...

Fico aqui sentado na poltrona,
Idiota namorando a porta,
Mas saber que você não volta,
Me mata..

Mesmo com lagrimas a rolar,
Deixo a esperança brotar,
De um dia te ver a porta adentrar,
Mas saber que você não volta,
Me mata...

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Cheiro


E o cheiro do almoço invade o ambiente. Enquanto seu perfume permanece por aqui. Felicidade tem cheiro. E eu sinto... Sinto que a tua presença é cada vez mais marcante. E que a noz-moscada não é nada perto de você, que chega sorrateiramente e me marca a boca com a explosão do sabor do teu beijo. Com suas unhas pintadas do vermelho pimenta, me cravam as costas deixando mais apimentado meu momento do que se fossem as malaguetas do armário. O calor do teu corpo faz meu sangue ferver. E o cheiro do almoço some perto do teu cheiro de fêmea-mulher que me entorpece os sentidos. E o sentido do dia passa ser você, só você que é a minha felicidade, e eu sinto o cheiro dela, de você, de nós em um só espaço.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Passageira


Meninas anêmicas,
    Movimentam o cone sul.

Vestes rasgadas,
   Fome aborígene.

Demônios endêmicos,
   Estragam o céu azul.

Mente congênere,
   Cáustica é a cor.

Veto o movimento,
   Solidão abraça.

Mãos decepadas,
   Forte dor.

Apenas lamento...
   A vida passa...

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Desilusão


Preciso te amar,
   Em lençóis brancos carmim.

Desejo te beijar,
   Ver seus olhos sorrindo assim.
 
Devo te matar,
   E arrancar esta dor de mim.



segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Luta e dor


Tristeza mata,
Quando assim,
Vejo o homem.

Avança a idade,
Avança a miséria,
A-van-ça.

Luta,
Dor,
Ele,
Idade,
Avança,
Luta e dor,
Lutador.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Sonhos intranquilos II

Entrei em colapso. O céu está vermelho. Fortes dores me atrasam a visão do infinito. Farpas me rasgam a pele. Pele me sobra ao prato. Me perco, perco-me, me cerco. Repito o mesmo mantra que aprendi quando tinha apenas do-ze-a-nos-de-i-da-de. Tudo vem tudo vai. São Paulo florida no meio da Augusta. Me esquivo entre caminhões e rubéolas. Sinto o mudar do tempo. Tempo... templo... convento... convenço. Néctar de limão em minha boca me faz pedir o doce salgado da vida que tive. Tive vida em outros dias, em outras vidas, em outro país, em outros. Mariposas envaidecidas me seguem o corpo quente. Nascente no meio do asfalto turvo da Afonso me leva até ao municipal parque. Entro em balões gigantes preenchidos de helium, e finalmente afino o corpo, a voz, o algoz. Ernesto me sacode. Com os solavancos em meu pescoço olho para o lado. Ele ruivo, de barba negra, sorri. Os dentes sujos, pretumes de mangue que não existe nas Gerais. Com um hálito adocicado pelo jatobá, colhido na esquina da Barata Ribeiro, ele me conta que novamente sonhou com a noiva de vermelho. Ela estava linda, vestida para o sepultamento do seu avô e ca-te-go-ri-ca-men-te, mentiu para não mais crescer nas ruas de Coritiba. Passo minha mão direita sobre a cabeça dele e sinto um calor gélido que me convence que as alucinações constantes de Ernesto são causadas pela flor esculpida em minha mão destra. Arranco do peito o colete que me aprisionava. Ernesto faz o mesmo. Com a estupidez de um vulcão em erupção, levantamos do banco da praça e olhamos novamente para o entardecer de mais um dia lilás vivido em nossas vidas cáusticas. Eu olho nos seus olhos e encontro o caminho que devemos seguir. Aponto o dedo para a direção do nosso caminho traçado pela cartomante que visitei em Budapeste. Ele concorda. Seguimos em direção oposta à indicada, afinal, não queremos o fim, e sim entender o começo. Uma forte dor me assola a sola do pé. Passo os dedos em meus olhos castanhos, que com a dor da hemorragia que me persegue, ficaram rubros. Levanto a cabeça, sacudo o pescoço e entendo que mais uma vez tive sonhos intranquilos. Acordo Ernesto e sigo em frente. Ele me segue.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

In-Gênios


In-compatibilidade de gênios,
Gênios compatíveis,
Gênios?
Compatíveis?
Não?
Eles, dois,
Um e dois,
Fortes,
Geniosos,
Ambos,
In,
Duo,
Três.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Desconcertante

Rodas psicodélicas me envolvem o corpo,
Sinto um leve nojo no asco que me detêm,
Nervos na pele flor,
Devasto o horizonte desconcertante,
O ócio negado a rigor,
Rosto... corpo... ouço...
Músicas para os meus ouvidos,
Estes entupidos.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Na chama azul do isqueiro amarelo

Minha cabeça dói - pensava enquanto acendia o cigarro na chama azul do isqueiro amarelo. Dedos da mesma cor estampavam o sabor da nicotina entediante sugada ao romper dos anos. A barba por fazer, a mais de três anos, o cabelo esvoaçado e o sentimento de que naquele dia tudo seria igual ao dia anterior, que por sua vez, foi igual ao mesmo dia com o mesmo número de identificação há doze meses. A vida era um ciclo vicioso.

A língua ainda estava dormente, o sacolé enrolado no bolso esquerdo da calça jeans denunciava, que mais uma vez, utilizou daquilo que prometera nunca mais usar. O branco era o mal, o dito pelo não dito. Na última vez que a encontrou jurou, de pé junto, que jamais ousaria a usar aquilo para entorpecê-lo. Mas a cabeça doía, e nada mais poderia ser feito em cumprimento a jura jurada entre lágrimas salgadas do desejo dela ficar. Uma tragada no cigarro, os pulmões em cinza cor da nicotina, os dedos amarelados, o sabor na chama azul do isqueiro amarelo.

O sol clareou no horizonte, aqueceu a mente, o sangue correu mais fácil com o calor na pele. A costa da mão direita suja estava coberta com a névoa horripilante da dor, um cartão de crédito na mão esquerda. Estradas de carrinhos de plásticos bolha são feitas em segundos e em milésimos, destes mesmos segundos, desaparecem.

Merda e a minha cabeça continua a doer – Debruçou sob o joelho e deixou o dia passar.

Árido e pálido

Necessito amplamente,
Abrir meus horizontes,
Doses entorpecentes,
Desejos aflitos,
Negados firmemente,
Entre náuseas e dentes.

Verrugas me saltam aos olhos,
Molho os dedos nas lágrimas,
Desejo o sujeito da frase,
Entrego-me...

Mendigos ácidos,
Negligencio solidão,
Aperto os dedos contra o corpo,
Dedos pálidos áridos,
Noites abertas ao clarão,
Em vinhos de tinto corpo.

Horizontes entorpecentes,
Aflitos áridos pálidos,
Dentes arrancados ao clarão,
Entrego-me...

sexta-feira, 22 de julho de 2011

O reino dos 20 andares

Corria pela escada feito um louco. Subia e descia, descia e subia. Assim eram seus ritos de diversão, naquele verão de 1979. Férias de escola, e na mais lúdica idade, divertia-se com pouca coisa. Aquele espaço era bem diferente do que estava acostumado, nada de terra, nada de água, muito menos do esgoto pútrido que escorria pela rua de casa. Ali, naquele lugar de 20 andares, era somente concreto. Concreto também foi o sonho realizado de ver o mar. Ah!, o mar... Aquela imensidão azul, que até aquele verão só havia visto através da televisão em preto e branco, e era bem mais belo que a figura cinzenta, apresentada através da caixinha que viajava durante as noites na casa do Sô Osvaldo. O cheiro do mar. A cor do mar. O frio do mar.

Uma vez por dia, ele podia ir ali. Passar seus pés na areia branca, sentir as cócegas provocadas pelos finos grãos, sentir o cheiro do mar, encher o pulmão e se entregar a grande maravilha das águas. Com o sol ainda em riste, ele tirava a camisa, descia o calção de brim, largava as sandálias e corria ao encontro ao mar. Pulava a primeira ondinha, se entregava de corpo na segunda e na terceira entregava a alma a Poseidon. Nadava e nadava, seguindo a longa faixa de areia. Acabava-se entre braçadas e pernadas. Pulava onda, furava onda, se enrolava na onda. A água salgada nos olhos, na boca, no corpo. E assim soltava-se, esquecia de todos os infortúnios que havia vivido até hoje na sua longa vida de nove anos. 

Nove anos de lar em lar, acompanhando sua mãe. Em algumas casas era desprezado, em outras nem era notado, e esta indiferença doía mais. Mas ali, naquela casa, naqueles vinte andares, naquele mar... ele era ele.  Sentia-se dono da vida, dono do mundo, dono da mãe, ao menos naquele período, onde ela estava liberada de acompanhar Sô Osvaldo. Este o tratava como filho. Dava balas, brinquedos, carinho, e principalmente, deixava a mãe o acompanhar durante algumas horas do dia. E além de tudo o presenteou com o mar. Ah!, o mar... Depois de certo tempo, ela o chamava, tomava uma ducha fria na barraca de frutas, enxugava-o e iam embora para o reino dos 20 andares.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Em transe...

Em transe, corria pela rua afora, na expectativa de alcançá-la mais uma vez. Todos os corpos lembravam o dela, todas as vidas eram a dela, todas as noites sonhava com ela. Respiros e afagos, na cama do pensamento, faziam com que ficasse mais fissurado no novo reencontro. As noites turvas, os dias gris, o corpo dela num copo de conhaque e o cheiro do ar que ela respirava. Tudo o entorpecia, e a idéia de encontrá-la mais uma vez, talvez a única vez, o deixava assim... em transe.

Nas esquinas imundas e pútridas, ele se aconchegava. Mendigava o encontro, o afago, o doce, a neve branca e sutil dela. Tudo era ela, até mesmo a dor, e disto ele entendia bem, do desencontro maldito causado pela mesma dor, porém que outra provocara, o céu gris da tarde calorosa do outono vivido no inverno. O isqueiro aceso, a cigarrilha soltando fumaça, o ar enfeitado pelo cheiro da erva cubana no ar. O transe...

No quarteirão fechado entre Carijós e Afonso Pena, ele se prostra. Ergue as mãos para o ar e relembra o primeiro encontro, talvez o encontro que nunca existira, e chora... chora um choro chorado de coisas estranhas nervosas. Os joelhos dobram, a gravidade força o encontro maldito do calçamento com o seu rosto débil. Lágrimas salgadas banham a face cansada da procura do encontro. As forças falham, o enjôo chega e a luz vai se definhando... a sensação é reconhecida... o transe.

Um afago a cabeça é sentido. O ar é reconhecido, o molde moldado contra o sol  é perceptível. Não pensou nem uma vez, agarrou-se nos braços longos dela e desapareceu pela Amazonas... em transe.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Lilás

Depois de cada azul,
Um novo lilás,
Mesmo nu,
Veja a vida voraz.

Depois de tudo blue,
Não vai olhar pra trás,
Mixar dor com alcaçuz,
Chorar... não vás.

Depois de tudo azul,
Não olhe para trás,
Depois de cada blue,
Verá um novo lilás.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Versos

Em diversos versos,
    me disperso.

Nestes versos, me resto.

Detesto?,
       é certo!

Mas,
   me resto,
         nos versos
                     diversos.