Nesta manhã, onde tudo renovado apareceu, acordei surpreendido com a falta. Meu corpo não me pertence mais, assim como minha alma. Não sou mais o mesmo. E quem é? Depois de anos e anos do mais absoluto desinteresse pela vida que me cerca, não sou mais o mesmo.
Com o etílico que vive a me cercar, me sinto... toco-me... me converto a mais bela história de dor. Dor... sempre esta maldita me acompanha. Para ela pouco importa onde estou e como estou. Se feliz, se triste. Não faz diferença, ela sempre presente.
Se tu um dia, acreditar na volta do anoitecer, me avise. Conte-me, me desconte. Mostre-me como adorar novamente o luar, sem ao menos pensar nela uma única vez. A lua... Lua que me abandonou. Eu que abandonei a lua.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Querer
Eu queria esta noite,
Entregar-me em seus braços,
Ver seus olhos fumegantes,
Sentir o seu calor.
Nestas noites de outono,
Seu calor me faz falta,
Mesmo sendo eu,
O que sou,
E ninguém mais sabe o que isso quer dizer,
Sou.
Nesta noite,
Eu queria encontrar sua boca,
Deixa-te louca,
Arrancar-lhe a roupa,
Fazer-nos feliz...
Como em outras épocas,
De nossas vidas vividas,
Eu queria...
Entregar-me em seus braços,
Ver seus olhos fumegantes,
Sentir o seu calor.
Nestas noites de outono,
Seu calor me faz falta,
Mesmo sendo eu,
O que sou,
E ninguém mais sabe o que isso quer dizer,
Sou.
Nesta noite,
Eu queria encontrar sua boca,
Deixa-te louca,
Arrancar-lhe a roupa,
Fazer-nos feliz...
Como em outras épocas,
De nossas vidas vividas,
Eu queria...
Marcadores:
Simples escrito
Xique Xique
"Eu vi o cego lendo a corda da viola
Cego com cego no duelo do sertão
Eu vi o cego dando nó cego na cobra
vi cego preso na gaiola da visão
Pássaro preto voando pra muito longe
E a cabra cega enxergando a escuridão
Eu vi a lua na cacunda do cometa
Vi a zabumba e o fole a zabumbá
Eu vi o raio quando o, céu todo corisca
E o triângulo engulindo faiscá
Vi a galáctea branca na galáctea preta
Eu vi o dia e a noite se encontrá
Eu vi o pai eu vi a mãe eu vi a filha
Via novilha que é filha da novilhá
Eu vi a réplica da réplica da bíblia
Na invenção dum cantador de ciençá
Vi o cordeiro de deus num ovo vazio
Fiquei com frio te pedi pra me esquentá"
Fonte: Música: Xique Xique
Autor: Tom Zé e Zé Miguel Wisnik
Cego com cego no duelo do sertão
Eu vi o cego dando nó cego na cobra
vi cego preso na gaiola da visão
Pássaro preto voando pra muito longe
E a cabra cega enxergando a escuridão
Eu vi a lua na cacunda do cometa
Vi a zabumba e o fole a zabumbá
Eu vi o raio quando o, céu todo corisca
E o triângulo engulindo faiscá
Vi a galáctea branca na galáctea preta
Eu vi o dia e a noite se encontrá
Eu vi o pai eu vi a mãe eu vi a filha
Via novilha que é filha da novilhá
Eu vi a réplica da réplica da bíblia
Na invenção dum cantador de ciençá
Vi o cordeiro de deus num ovo vazio
Fiquei com frio te pedi pra me esquentá"
Fonte: Música: Xique Xique
Autor: Tom Zé e Zé Miguel Wisnik
Marcadores:
Olhos de fino trato
Manhã de sufoco
Completamente atordoado e com a cabeça lembrando um ataque de maribondos, acordou. Não se recordava onde estava. Olhou em volta e não reconhecia nada. As portas, as janelas, o armário do quarto e nem mesmo a roupa de cama. E por falar em roupa, onde estavam as suas? Completamente nu, como veio ao mundo. Peladinho da silva.
Passou as mãos no corpo, viu que estava tudo no lugar. Depois de tantos emails descrevendo roubos de rins, foi logo conferir se os dele estavam por ali ainda. Tudo certo. Reparou que alguém estava no banheiro do quarto. O barulho do chuveiro ligado. O vapor da água quente preenchia o espaço do quarto.
Pensou na noiva, na mãe e até mesmo em Padre Eustaquio. Afinal era devoto e morador do bairro. Como iria explicar a todos eles a situação em que se encontrava. A noitada foi boa. O corpo todo marcado, o pênis dolorido e a dor de cabeça medonha o assombrava. Deus o que fiz desta vez? – pensava.
A vontade era de pegar suas roupas e sair correndo. E porque não fazer isto? Quando a idéia veio-lhe a cabeça deu um pulo da cama. Saiu catando as roupas no quarto afora. Vestiu a cueca, a calça, abotoou o cinto de maneira errônea, a camisa pra fora da calça e foi calçando os sapatos. Caminhou passo a passo até a porta e girou a maçaneta. Neste mesmo instante a ducha corona foi desligada. O coração apertou. Uma vontade louca de desaparecer. A porta do banheiro começa a ranger. Um aperto na barriga. Uma mão feminina aparece, e ele com vontade de ser a feiticeira e desaparecer. Uma perna estonteante torneada. Uma cara de bobo. Uma voz é reconhecida.
- Benhê!, onde você está indo?
Passou as mãos no corpo, viu que estava tudo no lugar. Depois de tantos emails descrevendo roubos de rins, foi logo conferir se os dele estavam por ali ainda. Tudo certo. Reparou que alguém estava no banheiro do quarto. O barulho do chuveiro ligado. O vapor da água quente preenchia o espaço do quarto.
Pensou na noiva, na mãe e até mesmo em Padre Eustaquio. Afinal era devoto e morador do bairro. Como iria explicar a todos eles a situação em que se encontrava. A noitada foi boa. O corpo todo marcado, o pênis dolorido e a dor de cabeça medonha o assombrava. Deus o que fiz desta vez? – pensava.
A vontade era de pegar suas roupas e sair correndo. E porque não fazer isto? Quando a idéia veio-lhe a cabeça deu um pulo da cama. Saiu catando as roupas no quarto afora. Vestiu a cueca, a calça, abotoou o cinto de maneira errônea, a camisa pra fora da calça e foi calçando os sapatos. Caminhou passo a passo até a porta e girou a maçaneta. Neste mesmo instante a ducha corona foi desligada. O coração apertou. Uma vontade louca de desaparecer. A porta do banheiro começa a ranger. Um aperto na barriga. Uma mão feminina aparece, e ele com vontade de ser a feiticeira e desaparecer. Uma perna estonteante torneada. Uma cara de bobo. Uma voz é reconhecida.
- Benhê!, onde você está indo?
Marcadores:
Mistérios de dona Naná
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Espetáculo de outono
Depois de te olhar pela última vez, senti o mundo ruir sob meus pés. Não sei como tive coragem de tomar decisão tão infame, mas tomei. Decisões foram feitas para serem tomadas, eu sabia disto, e as tomei. Não podia deixar aquilo tomar uma acepção monstruosa. O mal havia de ser cortado pela raiz. Não tive outra escolha. Os fatos eram claros, os personagens estavam escolhidos, a história era concisa. E a mim, diretor de tão funesto espetáculo de dor, sobrou tomar a direção correta.
Sentamos num boteco qualquer na Rua da Bahia. Olhamos tenramente nos olhos de nós mesmos, e com a boca perfumada pela cerveja gelada, começamos um papo qualquer. Por mais certeza que houvesse naquela decisão infortuna, queria deixá-la para tomá-la o mais tarde possível. Mas as coisas foram esquentando, o álcool já comandava a maioria de nossos atos e o tempo implorava que o mal fosse consumado.
Olhei para o céu, te mostrei a lua linda destas noites de outono. Fizemos planos, encenamos um primeiro ato da nossa peça da vida humana que temos. Sorrimos!, achávamos que éramos os donos do teatro. Mas os personagens já estavam escolhidos, o roteiro reescrito, o cenário desenhado, e eu, diretor da vida que não é mais minha... não tive opção.
Vi-te descendo a Bahia enquanto ficava na Timbiras. Ali na esquina, com o lagoinha a mão. O sabor amargo da mudança de planos, de atos, de atores, de vida, era sentido agora em toda a minha boca. Fiquei difuso. Nada encontrava com nada. Nem eu com você. A obra dramática da vida escrita e tristemente encenada.
No cenário de uma noite qualquer de outono, de uma esquina única de Belo Horizonte, meu único espetáculo de luz e alegria, transformou-se em uma grande e melancólica tragédia.
Sentamos num boteco qualquer na Rua da Bahia. Olhamos tenramente nos olhos de nós mesmos, e com a boca perfumada pela cerveja gelada, começamos um papo qualquer. Por mais certeza que houvesse naquela decisão infortuna, queria deixá-la para tomá-la o mais tarde possível. Mas as coisas foram esquentando, o álcool já comandava a maioria de nossos atos e o tempo implorava que o mal fosse consumado.
Olhei para o céu, te mostrei a lua linda destas noites de outono. Fizemos planos, encenamos um primeiro ato da nossa peça da vida humana que temos. Sorrimos!, achávamos que éramos os donos do teatro. Mas os personagens já estavam escolhidos, o roteiro reescrito, o cenário desenhado, e eu, diretor da vida que não é mais minha... não tive opção.
Vi-te descendo a Bahia enquanto ficava na Timbiras. Ali na esquina, com o lagoinha a mão. O sabor amargo da mudança de planos, de atos, de atores, de vida, era sentido agora em toda a minha boca. Fiquei difuso. Nada encontrava com nada. Nem eu com você. A obra dramática da vida escrita e tristemente encenada.
No cenário de uma noite qualquer de outono, de uma esquina única de Belo Horizonte, meu único espetáculo de luz e alegria, transformou-se em uma grande e melancólica tragédia.
Marcadores:
Simples escrito
Noites de maio
As noites de maio me trazem dor,
Nestas noites andei perdendo minha flor,
Não sei quais os feitiços existentes em maio,
Mas em maio fiquei sem flor e com dor.
Um carro verde,
Uma hora imprópria,
Uma data...
Um maio qualquer.
São nas noites de maio...
Nestas noites andei perdendo minha flor,
Não sei quais os feitiços existentes em maio,
Mas em maio fiquei sem flor e com dor.
Um carro verde,
Uma hora imprópria,
Uma data...
Um maio qualquer.
São nas noites de maio...
Marcadores:
Simples escrito
Olho de lince
"Quem fala que sou esquisito hermético
É porque não dou sopa estou sempre elétrico
Nada que se aproxima nada me é estranho
Fulano sicrano e beltrano
Seja pedra seja planta seja bicho seja humano
Quando quero saber o que ocorre a minha volta
Ligo a tomada abro a janela escancaro a porta
Experimento tudo nunca me iludo
Quero crer no que vem por ao beco escuro
Me iludo passando presente futuro
Revir na palma da mão o dado
Presente futuro passado
Tudo sentir de todas as maneiras
É a chave de ouro do meu jogo
De minha mais alta razão
Na seqüência de diferentes naipes
Quem fala de mim tem paixão."
Fonte: Música: Olho de lince
Autores: Jards Macalé / Waly Salomão
É porque não dou sopa estou sempre elétrico
Nada que se aproxima nada me é estranho
Fulano sicrano e beltrano
Seja pedra seja planta seja bicho seja humano
Quando quero saber o que ocorre a minha volta
Ligo a tomada abro a janela escancaro a porta
Experimento tudo nunca me iludo
Quero crer no que vem por ao beco escuro
Me iludo passando presente futuro
Revir na palma da mão o dado
Presente futuro passado
Tudo sentir de todas as maneiras
É a chave de ouro do meu jogo
De minha mais alta razão
Na seqüência de diferentes naipes
Quem fala de mim tem paixão."
Fonte: Música: Olho de lince
Autores: Jards Macalé / Waly Salomão
Marcadores:
pensamentos
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Repensando
Os prazos vão correndo,
As datas vão aparecendo,
E os sentimentos de outrora seguem demonstrando os resultados de escolhas.
As datas vão aparecendo,
E os sentimentos de outrora seguem demonstrando os resultados de escolhas.
Manhãs de outono
O quê mais dói nestas manhãs claras de outono é sentir-me subjugado. Sejam pelas forças da dor, do amor, ou até mesmo pela coloração cinza do céu. É inevitável sentir tais apertos a me apertar.
No caminho da terra santa até onde sou sistematicamente entorpecido pela pressão do dia-a-dia, venho sentindo a falta do calor das manhãs do meu último verão. Não sei quando este calor voltará ou até mesmo se voltará. O calor do quadrado mágico em minha terra santa.
É bem certo que o inverno chegará impiedoso. E nós, amantes da vida sofrida, sofreremos mais e cada vez mais, com a falta da vigília da pessoa amada ao nosso lado. Mas a dúvida continua e sempre continuará pairando sob nossas cabeças: "O que é o amor, onde vai dar, luar perdido em mim...".
No caminho da terra santa até onde sou sistematicamente entorpecido pela pressão do dia-a-dia, venho sentindo a falta do calor das manhãs do meu último verão. Não sei quando este calor voltará ou até mesmo se voltará. O calor do quadrado mágico em minha terra santa.
É bem certo que o inverno chegará impiedoso. E nós, amantes da vida sofrida, sofreremos mais e cada vez mais, com a falta da vigília da pessoa amada ao nosso lado. Mas a dúvida continua e sempre continuará pairando sob nossas cabeças: "O que é o amor, onde vai dar, luar perdido em mim...".
Marcadores:
Simples escrito
terça-feira, 13 de abril de 2010
Poesia
"Sorri
Quando te conheci,
Quis ser de mais ninguém
Existia um porém que eu fiquei sem saber
Se o que tinha de ser me fazia sorrir
Menti, resisti com ardor
Não pensava em querer
Foi olhar pra você e o cenário mudou
E ficou tudo azul como tinha de ser
Deixei a mão da poesia rabiscar um poema
Pra falar de amor
Ter você como tema
E agradecer em verso a prosa que eu ouvi
Em letra e melodia
Agradeço o dia em que te conheci"
Fonte: Música: Poesia
Autora: Teresa Cristina
Quando te conheci,
Quis ser de mais ninguém
Existia um porém que eu fiquei sem saber
Se o que tinha de ser me fazia sorrir
Menti, resisti com ardor
Não pensava em querer
Foi olhar pra você e o cenário mudou
E ficou tudo azul como tinha de ser
Deixei a mão da poesia rabiscar um poema
Pra falar de amor
Ter você como tema
E agradecer em verso a prosa que eu ouvi
Em letra e melodia
Agradeço o dia em que te conheci"
Fonte: Música: Poesia
Autora: Teresa Cristina
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Mal-dito, bem-dito
Mal-dito é a dor, bem-dito é o amor.
Maldito é o espaço do tempo em que deixamos de nos ver,
Bendito são as horas em que passamos nos amando.
Maldito é o ódio que nos preenche o coração,
Bendito são os dias em que estive ao teu lado.
Maldito é aquele momento em que a raiva tomou conta,
Bendito foi o instante quando aceitamos nosso amor.
Mal-dito é o rancor, bem-dito é o amor.
Maldito foi o dia em que me amaldiçoou,
Bendito o dia em que me abençoou.
Maldito o instante que resolveu me esquecer,
Bendito o exato segundo em que se lembrou de mim.
Maldito foi a noite em que sua luz foi embora,
Bendito é o sorriso da sua boca que ficou comigo.
Vida mal-dita, Vida bem-dita.
Maldito é o espaço do tempo em que deixamos de nos ver,
Bendito são as horas em que passamos nos amando.
Maldito é o ódio que nos preenche o coração,
Bendito são os dias em que estive ao teu lado.
Maldito é aquele momento em que a raiva tomou conta,
Bendito foi o instante quando aceitamos nosso amor.
Mal-dito é o rancor, bem-dito é o amor.
Maldito foi o dia em que me amaldiçoou,
Bendito o dia em que me abençoou.
Maldito o instante que resolveu me esquecer,
Bendito o exato segundo em que se lembrou de mim.
Maldito foi a noite em que sua luz foi embora,
Bendito é o sorriso da sua boca que ficou comigo.
Vida mal-dita, Vida bem-dita.
Marcadores:
Simples escrito
Alma no vento que bate no rosto
11h28min: mandei-te um texto
11h28min: Cara, Lupicínio Rodrigues no final... Está se divertindo com os textos né malandro?
11h29min: uai, pintou... Achei que dava pra por
11h29min: perfeito, deu certinho! Vale uma nota no final falando que o trecho é da música dele na voz de Bethânia, LP Mel, 1971 (risos)
11h30min: Tem gente que não gosta muito desta "dores”...
11h31min: Como assim?
11h32min: Tipo, acha que vivo triste
11h34min: E você? O que acha?
11h34min: Acho que é dor de cotovelo... Porque não sabe pra quem eu escrevo.
11h35min: (risos) E pra quem é que você escreve? Sabe que eu já me fiz essa pergunta?
11h36min: Eu escrevo pros meus amores... Sejam quais forem. Desde meus cachorros, até meus amigos, minhas mulheres, meus homens... escrevo pra tudo. Pro carro que não funcionou de manhã, pra viagem que deixei de fazer, pro chope que estava gelado... para tudo e para todos.
11h36min: bom, explica! Muito bom...
11h37min: (risos) Gosto muito de continuar respirando
11h37min: É garoto, isso aí, alma no vento que bate no rosto...
11h28min: Cara, Lupicínio Rodrigues no final... Está se divertindo com os textos né malandro?
11h29min: uai, pintou... Achei que dava pra por
11h29min: perfeito, deu certinho! Vale uma nota no final falando que o trecho é da música dele na voz de Bethânia, LP Mel, 1971 (risos)
11h30min: Tem gente que não gosta muito desta "dores”...
11h31min: Como assim?
11h32min: Tipo, acha que vivo triste
11h34min: E você? O que acha?
11h34min: Acho que é dor de cotovelo... Porque não sabe pra quem eu escrevo.
11h35min: (risos) E pra quem é que você escreve? Sabe que eu já me fiz essa pergunta?
11h36min: Eu escrevo pros meus amores... Sejam quais forem. Desde meus cachorros, até meus amigos, minhas mulheres, meus homens... escrevo pra tudo. Pro carro que não funcionou de manhã, pra viagem que deixei de fazer, pro chope que estava gelado... para tudo e para todos.
11h36min: bom, explica! Muito bom...
11h37min: (risos) Gosto muito de continuar respirando
11h37min: É garoto, isso aí, alma no vento que bate no rosto...
domingo, 11 de abril de 2010
Vida de pobre
Lá no alto a alvorada chega mais cedo. È assim, pessoas levantam correndo, arrumam suas marmitas com a comida que sobrou do jantar. Passam ligeiramente um bife, claro que isto acontece quando recebem a benção do Senhor de possuírem o tal bife. Fecham rapidamente tudo e colocam na bolsa. Um café preto com o pão com a margarina mais barata do mercado goela abaixo. Uma baforada em cada sovaco do álcool misturado com bicarbonato. E finalmente vão para a rua.
Pensa que acabou o sofrimento? Ilusão de Maria Pezinho. Nada meu filho... ainda tem a maratona do ônibus. Ponto cheio, multidão enraivecida com a demora do lotação. Bolsas à frente, mochilas para trás, cheiro de comida espalhada pela rua. Dez minutos e nada. Vinte minutos e finalmente um carro aparece na esquina. A multidão entra em polvorosa. O busão para, a porta é aberta, e só neste momento que começa a competição de quem pega o assento primeiro. Terminado esta prova começa automaticamente a de quem fica por último. Passado alguns minutos, o busu lotado. Corpos espremidos pelo corredor afora. A mistura de odores de comida fica mais intensa. E lá vai o ônibus embora. Seguindo despejando gente até o centro da cidade.
Vida sofrida é esta do povo do morro. À volta para casa não é muito diferente. A não ser das marmitas vazias e a troca do ponto final do lotação. No resto é a mesma história.
Pensa que acabou o sofrimento? Ilusão de Maria Pezinho. Nada meu filho... ainda tem a maratona do ônibus. Ponto cheio, multidão enraivecida com a demora do lotação. Bolsas à frente, mochilas para trás, cheiro de comida espalhada pela rua. Dez minutos e nada. Vinte minutos e finalmente um carro aparece na esquina. A multidão entra em polvorosa. O busão para, a porta é aberta, e só neste momento que começa a competição de quem pega o assento primeiro. Terminado esta prova começa automaticamente a de quem fica por último. Passado alguns minutos, o busu lotado. Corpos espremidos pelo corredor afora. A mistura de odores de comida fica mais intensa. E lá vai o ônibus embora. Seguindo despejando gente até o centro da cidade.
Vida sofrida é esta do povo do morro. À volta para casa não é muito diferente. A não ser das marmitas vazias e a troca do ponto final do lotação. No resto é a mesma história.
Marcadores:
Simples escrito
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Circulando
Na minha vida perdida, de homens assombrados e mulheres espetaculares, vejo-me novamente na rotatória da insensatez. O céu cinza com o sol se escondendo entre as nuvens, nestas manhãs intensas de outono, vem o frio.
O frio da cama, da poltrona, do lado avesso do sentimento que um dia nutri por alguém.
Insensato é a versão oblíqua que um dia escutei de alguém, talvez o mesmo alguém que me alimentou durante carnavais e temporais, sobre a existência de nós. Não me lembro bem quem me disse isto, ou se realmente me disseram isso ou se é apenas mais um dos meus devaneios na escuridão da vida.
È fato. O natal será em dezembro, assim como o carnaval foi em um dia de um mês diferente dos últimos carnavais.
Quando saio da rotatória e volto ao meu quarto, é claro que não vejo nada alem do quadro da serpente brigando com os lobos e o cavalo, me sinto feliz. Meu quadrado insensato como a vida da rotatória que deixei para trás. Normalmente me sinto único nestes momentos de inexatidão. De não ter você ou até mesmo eu. È estúpido o sentimento de solidão. È insólito tal coisa na vida de tais pessoas.
Eu sou a pessoa, o estúpido!, eu sou o insólito. Eu sou eu e diferentemente do que possamos pensar... nós somos nós.
Apenas eu, apenas tu, apenas nós.
A rotatória da insensatez está novamente ali. E eu novamente entro nela e retorno a viagem sem fim, sem volta, sem começo, sem eu, sem você.
Circulando...
O frio da cama, da poltrona, do lado avesso do sentimento que um dia nutri por alguém.
Insensato é a versão oblíqua que um dia escutei de alguém, talvez o mesmo alguém que me alimentou durante carnavais e temporais, sobre a existência de nós. Não me lembro bem quem me disse isto, ou se realmente me disseram isso ou se é apenas mais um dos meus devaneios na escuridão da vida.
È fato. O natal será em dezembro, assim como o carnaval foi em um dia de um mês diferente dos últimos carnavais.
Quando saio da rotatória e volto ao meu quarto, é claro que não vejo nada alem do quadro da serpente brigando com os lobos e o cavalo, me sinto feliz. Meu quadrado insensato como a vida da rotatória que deixei para trás. Normalmente me sinto único nestes momentos de inexatidão. De não ter você ou até mesmo eu. È estúpido o sentimento de solidão. È insólito tal coisa na vida de tais pessoas.
Eu sou a pessoa, o estúpido!, eu sou o insólito. Eu sou eu e diferentemente do que possamos pensar... nós somos nós.
Apenas eu, apenas tu, apenas nós.
A rotatória da insensatez está novamente ali. E eu novamente entro nela e retorno a viagem sem fim, sem volta, sem começo, sem eu, sem você.
Circulando...
Marcadores:
Simples escrito
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Indagação
Tente,
Nem tente,
Comente,
Lamente!
Tem gente,
Serpente,
Que é quente.
Sorridente!?
Na mente,
Única-mente,
Latente,
Só-mente,
A gente?
Consente...
Nem tente,
Comente,
Lamente!
Tem gente,
Serpente,
Que é quente.
Sorridente!?
Na mente,
Única-mente,
Latente,
Só-mente,
A gente?
Consente...
Marcadores:
Simples escrito
Pensamento do dia
"Vamos começar
Colocando um ponto final
Pelo menos já é um sinal
De que tudo na vida tem fim"
"Mas é tudo novo de novo
Vamos nos jogar onde já caímos
Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos"
Fonte: Música: Tudo novo de novo
Autor: Moska
Colocando um ponto final
Pelo menos já é um sinal
De que tudo na vida tem fim"
"Mas é tudo novo de novo
Vamos nos jogar onde já caímos
Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos"
Fonte: Música: Tudo novo de novo
Autor: Moska
Marcadores:
pensamentos
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Sabor do vinho
Um louco sabor do cáustico vinho assolou minha boca neste exato momento.
O sabor ácido da uva amassada e pisada pelos pés de não sei quem é, fica cada vez mais acentuado das lembranças... taças tomadas. Não se importando se estas foram devoradas a galope, ou até mesmo em uma mansa e tenra viagem do amor.
A boca salivou, o gosto passou, mas as marcas ficaram e indubitavelmente o vinho acabou.
O sabor ácido da uva amassada e pisada pelos pés de não sei quem é, fica cada vez mais acentuado das lembranças... taças tomadas. Não se importando se estas foram devoradas a galope, ou até mesmo em uma mansa e tenra viagem do amor.
A boca salivou, o gosto passou, mas as marcas ficaram e indubitavelmente o vinho acabou.
Marcadores:
Simples escrito
Blues
Com um blues no violão,
Canto uma canção,
Será que um dia destes,
Acerto de vez seu coração?
Canto uma canção,
Será que um dia destes,
Acerto de vez seu coração?
Marcadores:
Simples escrito
O cordel estradeiro
"A bença Manoel Chudu
O meu cordel estradeiro
Vem lhe pedir permissão
Pra se tornar verdadeiro
Pra se tornar mensageiro
Da força do teu trovão
E as asas da tanajura
Fazer voar o sertão
Meu moxotó coroado
De xiquexique e facheiro
Onde a cascavel cochila
Na boca do cangaceiro
Eu também sou cangaceiro
E o meu cordel estradeiro
É cascavel poderosa
É chuva que cai maneira
Aguando a terra quente
Erguendo um véu de poeira
Deixando a tarde cheirosa
É planta que cobre o chão
Na primeira trovoada
A noite que desce fria
Depois da tarde molhada
É seca desesperada
Rasgando o bucho do chão
É inverno e é verão
É canção de lavadeira
Peixeira de Lampião
As luzes do vaga-lume
Alpendre de casarão
A cuia do velho cego
Terreiro de amarração
O ramo da rezadeira
O banzo de fim de feira
Janela de caminhão
Vocês que estão no palácio
Venham ouvir meu pobre pinho
Não tem o cheiro do vinho
Das uvas frescas do Lácio
Mas tem a cor de Inácio
Da serra da Catingueira
Um cantador de primeira
Que nunca foi numa escola
Pois meu verso é feito a foice
Do cassaco cortar cana
Sendo de cima pra baixo
Tanto corta como espana
Sendo de baixo pra cima
voa do cabo e se dana"
Fonte:Música: O cordel estradeiro
Autor: Lirinha
Trechos de : Ivanildo Vilanova, fragmento de um improviso
: Manoel Chudu
Grupo : Cordel do fogo encantado
O meu cordel estradeiro
Vem lhe pedir permissão
Pra se tornar verdadeiro
Pra se tornar mensageiro
Da força do teu trovão
E as asas da tanajura
Fazer voar o sertão
Meu moxotó coroado
De xiquexique e facheiro
Onde a cascavel cochila
Na boca do cangaceiro
Eu também sou cangaceiro
E o meu cordel estradeiro
É cascavel poderosa
É chuva que cai maneira
Aguando a terra quente
Erguendo um véu de poeira
Deixando a tarde cheirosa
É planta que cobre o chão
Na primeira trovoada
A noite que desce fria
Depois da tarde molhada
É seca desesperada
Rasgando o bucho do chão
É inverno e é verão
É canção de lavadeira
Peixeira de Lampião
As luzes do vaga-lume
Alpendre de casarão
A cuia do velho cego
Terreiro de amarração
O ramo da rezadeira
O banzo de fim de feira
Janela de caminhão
Vocês que estão no palácio
Venham ouvir meu pobre pinho
Não tem o cheiro do vinho
Das uvas frescas do Lácio
Mas tem a cor de Inácio
Da serra da Catingueira
Um cantador de primeira
Que nunca foi numa escola
Pois meu verso é feito a foice
Do cassaco cortar cana
Sendo de cima pra baixo
Tanto corta como espana
Sendo de baixo pra cima
voa do cabo e se dana"
Fonte:Música: O cordel estradeiro
Autor: Lirinha
Trechos de : Ivanildo Vilanova, fragmento de um improviso
: Manoel Chudu
Grupo : Cordel do fogo encantado
Marcadores:
Simples escrito
terça-feira, 6 de abril de 2010
Quantas lágrimas
Sentado no boteco, ergue a mão e pede mais uma. Uma boa dose da felicidade ardente é colocada no copo lagoinha. Até na risca – falou meio embolado.
Trago na risca do copo, voz embolada, olhos vermelhos. Retira da carteira a foto da mulher que o havia deixado. Esta sim o fez sofrer como um cachorro a beira da loucura.
Me dá uma ficha! - Estica os dois dedos e recebe um papel com código de barras. Dirige-se a jukebox escolhe uma música e espera a sua vez de escutar os versos escolhidos.
Os primeiros acordes da canção são dados. Um gole longo e profundo mata a última dose servida. Quero mais uma! – Completamente bêbado, começa a chorar enquanto Manacé vai destruindo o resto do orgulho que ainda tinha.
“Ah, quantas lágrimas eu tenho derramado; Só em saber que não posso mais; Reviver o meu passado”.
A dor sentida, o abandono sentado no banco ao lado, a mulher perdida.
Milhares de planos destruídos, os filhos que nunca mais irão nascer. Só lhe restava o companheiro de outrora. Este sim, nunca o abandonara. Sempre ali. Na risca. No lagoinha.
“Eu vivia cheio de esperança; E de alegria, eu cantava, eu sorria; Mas hoje em dia eu não tenho mais; A alegria dos tempos atrás”.
Mais uma dose – desta vez chorando prantos intermináveis grita ao atendente do balcão.
“Só melancolia os meus olhos trazem; Ai, quanta saudade a lembrança traz; Se houvesse retrocesso na idade; Eu não teria saudade; Da minha mocidade”
Pedido atendido, golo tomado, tontura sentida. Termina de escutar os últimos versos. Chora mais um pouco, limpa as lágrimas dos olhos vermelhos de dor, e finalmente sai.
Segue a rua cambaleando na esperança de que algo aconteça e absorva aquela toda dor.
Trago na risca do copo, voz embolada, olhos vermelhos. Retira da carteira a foto da mulher que o havia deixado. Esta sim o fez sofrer como um cachorro a beira da loucura.
Me dá uma ficha! - Estica os dois dedos e recebe um papel com código de barras. Dirige-se a jukebox escolhe uma música e espera a sua vez de escutar os versos escolhidos.
Os primeiros acordes da canção são dados. Um gole longo e profundo mata a última dose servida. Quero mais uma! – Completamente bêbado, começa a chorar enquanto Manacé vai destruindo o resto do orgulho que ainda tinha.
“Ah, quantas lágrimas eu tenho derramado; Só em saber que não posso mais; Reviver o meu passado”.
A dor sentida, o abandono sentado no banco ao lado, a mulher perdida.
Milhares de planos destruídos, os filhos que nunca mais irão nascer. Só lhe restava o companheiro de outrora. Este sim, nunca o abandonara. Sempre ali. Na risca. No lagoinha.
“Eu vivia cheio de esperança; E de alegria, eu cantava, eu sorria; Mas hoje em dia eu não tenho mais; A alegria dos tempos atrás”.
Mais uma dose – desta vez chorando prantos intermináveis grita ao atendente do balcão.
“Só melancolia os meus olhos trazem; Ai, quanta saudade a lembrança traz; Se houvesse retrocesso na idade; Eu não teria saudade; Da minha mocidade”
Pedido atendido, golo tomado, tontura sentida. Termina de escutar os últimos versos. Chora mais um pouco, limpa as lágrimas dos olhos vermelhos de dor, e finalmente sai.
Segue a rua cambaleando na esperança de que algo aconteça e absorva aquela toda dor.
Marcadores:
Simples escrito
Assinar:
Postagens (Atom)