sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Tereza

Vi Tereza hoje!, em sua luz, continua santa como nunca. Em suas curvas, boemia como sempre. Seu cheiro seu gosto, seu corpo...

Tereza...
Lembranças das noites com Gotardo.  O rubro, a pasta, a luz acabada.

Lençóis alvos espalhados pela cama. Desejo dos amados almados.

Hoje vi Tereza. Boemia como sempre. Santa como nunca.

Tereza...

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Desalmado

Desnudo fico,
assim,
a ver navios,
no mar de nossa cama.

Cama que me deixa desalmado.

Alma,
que já não é mais minha.

Desalmado sou,
Desalmado estou...

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Fuga

Leve meu corpo

Para o lugar

De onde

Um dia

Eu não

Vim...

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Lambidas, gemidos e loucuras

Roupas a desnudar,
Vistas avistando o infinito,
Nós nus,
Notas de sol em seu violão,
Desejos e solfejos,
Cantigas, mandingas, lambidas...

Cheiros no ar,
Degusto o gosto do sentir,
Nosso balanço,
Dedilhando acordes em seu braço,
Beijos e desejos,
Risos, sorrisos, gemidos...

Coração a aquentar,
Tato no quente d’alma,
Vossos sons,
Manuseio o desejo da canção na pele,
Nossos corpos,
Doçura, tesura, loucura...

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Ali...Nasci

Foi numa tarde,
Onde o dia se desvencilhava entre suas mãos,
E os raios de luz abraçavam,
E a chuva nos molhava...

Ali,
Nesta mesma tarde,
Onde os casarões da terra santa brilhavam em seus olhos,
E a branca lua nos abençoou,
E o frio nos abraçava...

Ali,
No fim da tarde,
Onde teu corpo me abrigava com suas cores negras e alvas,
E as estrelas nos iluminavam,
E o calor nos bastava...
 
Ali,
Anoiteceu,
Em teu corpo era eu e em meu corpo era tu,
E pela lua nós dançávamos nus,
E a noite nos embalava,
Nasci...

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

men-te...ten-te

Triste, arrastou-se até a ponta. Olhou para o lado, depois pra cima, respirou profundamente. Mente...mente...ten-te. Não faltou muito para final-men-te saltar-se. Entregou-se a melancolia, o torpor na mente...mente...men-te. Estímulos lhe faltavam, dores espalhavam, corpo se decompunha. O odor regava as cavidades superiores, já as inferiores se contorciam. Era aquilo tudo mesmo, tinha certeza, de , nada. Mente...ten-te...men-te.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Acordar

Apaixonei-me!, mais uma vez. Mas desta vez foi logo pela manhã, e foi fácil. Você dormindo, eu já acordado e brigado com o relógio que insistia em trazer-me a lida.

Seus olhos se abriram, inchados de dormir. A pele branca, o entorno da boca sujo pelo resto da madrugada, o bocejar matinal.

As mãos procuravam algo e me acharam. Você olhou... sorriso lindo vazado pela falta dos dentes. Balbuciou algo, e como sempre, não entendi. Hálito de pureza angelical.
Unhas afiadas a cortar-me epiderme, que se exploda a derme, o que realmente vale é seu toque a qualquer hora do dia, mas pela manhã, faz a vida valer mais.

Sem nenhuma palavra peguei em meus braços e te beijei...
Um beijo que me salva do dia a cada dia...

Apaixonei-me!, mais uma vez.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Fintar

Ah!, os seus olhos. Estes me fintam e eu, tolo que sou, entrego sem lutar. Desnudo fico, assim, a ver navios, no mar de nossa cama. Cama que me deixa desalmado. Alma, que já não é mais minha, me fintou com seus olhos e me desalmou...

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Eclipse

Foi no meu quarto que você apareceu. Pé ante pé, devagarzinho, linda em sua camisola de lua, sorriu e me encantou.  Neste dia, quando o sol pediu licença a lua e se escondeu atrás dela, ela, a lua, também apareceu no meio do dia. Linda e nua, como você minutos depois de fechar a porta. Enalteci seu corpo negro e me entreguei aos seus encantos. Longos braços, abraços longos, sua respiração a entorpecer-me... desfaleci, e assim, renasci.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Sonhos intranquilos III

E foi pela manhã, numa destas manhãs onde o tempo passa seco, que senti o amargor pela primeira vez. O fel saltou-me a boca, roxa pelo frio imenso que fazia na capital das Gerais. Porém, seco como o tempo, foi o telefonema que recebi logo quando me desvencilhei do ededron negro que me encobria e fingia me proteger da cáustica temperatura. A voz metálica, do outro lado daquele estúpido aparelho, me cortava aos poucos. Retalhava o que havia sobrado da noite anterior, onde nuvens negras passavam junto ao céu e ao cume da Serra do Curral. Era a dor!, a tal dor que tantos haviam me dito. Maldito sejas tu, que resolveu me ligar e me lembrar do assassinato ocorrido ali perto de mim. Eu não tive culpa, já havia esquecido o ocorrido, mas você não aceitou, e agora, depois de tanto tempo, insiste em me arrastar para o inferno de lembranças. Você sabe que lutei, por várias e várias vezes, batalhas descomunais, noites em claro, dias a fio, mas enfim, fui vencido. E ele teve o direito divino de extinguir a vida que vivia ali. Foi duro ver a vida exaurir pelos seus olhos, sentir o peso da mão dele depositada em meu ombro, ali, no sofá negro da sala branca. Noites em claro, dias sem luz, nocivas pitadas de solidão depositada no porão de onde ele vivia. E mesmo assim, você me liga e me faz reviver todo este turbilhão de cheiros, cores, dores e rancores. – Sinto uma mão a me sacudir. Levanto os olhos para o alto e vejo Ernesto. Ele já está de pé. Ergue a mão direita e me mostra que o céu desta manhã está mais azul do que da semana passada neste mesmo nome de dia. Avisa que a caminhada vai ser dura, mas temos que continuar nossa expedição. Arrumamos toda a bagagem, ele segue em frente. Respiro e vou atrás. Vamos Ernesto!, a vida nos espera.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Perdi a hora

Eu sei, já é tarde e novamente perdi a hora. Não!, não vá embora, muito menos agora, fica mais, espere o café passar. Café com torradas e acompanha aquela geléia de goiaba que você tanto gosta. Uma fatia de queijo minas frescal? Claro, também gosto do suco de pêssego. Não, ainda está cedo,como você mesmo já disse, perdi a hora. Vamos tentar? Sempre... nunca deixei de pensar. O que você quer almoçar? Vai!, almoça comigo... serei sua sobremesa! Achou brega?, apenas estou tentando recuperar a hora perdida. Eu sei, passou o tempo, passou o dia, passou o amor... perdi a hora.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Olhar

Nos olhos,
   olhos nus,
      nós nus,
         olho-nos.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Desistência

Em um copo,
    Achei,
        Assim,
            Minha vida,
                Rasa. 

Um, dois, três minutos, perdi, o sentido, de tudo.

Em um corpo,
    Achei,
        Assim,
            Minha vida,
                Castra.

Tu, ele, vós, eles. Não havia mais espaço para eu e nós.

 Em um morto,
    Achei,
        Assim,
            Minha vida,
                Findada.

Ócio, ódio, ópio, AH!....

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Mulher azul

Em teu corpo, me encontro, nu!,
E desvendo teu corpo blue.
Lembro de meu amigo DJ,
Que num relance de acuidade,
Foi a Paris,
Ele, feliz como eu,
Descobriu a mulher blue,
Minha woman azul,
Our mulher azul.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Tereza

Lembranças de Tereza,
Na janela do quarto,
Veio assim de leve,
Quase abstrato.

Numa luz branca,
Que pela janela,
Serviu-nos de manta,
E nos fez tela.

Nu, resolvi dormir,
E como nunca, a abracei,
Ela ao meu lado a sorrir,
Iluminado, dormi e sonhei.

Ah!, minha bela Tereza,
Que nos faz sonhar,
Na alegria ou tristeza,
Venha nos visitar.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A cor do amor

Arrasto,
Sigo,
Ao canto,
Enxugando,
Meu roto,
Pranto,

Nada,
Nunca,
Cor,
Lilás,
Dele,
O,
Amor.

Agora,
Perro,
Ali,
Vejo,
Seu rosto,
Desejo.

Desespero,
Penso,
Desisto,
Reflito,
Regozijo,
Lilás.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Me mata

Eu sei que a vida tem volta,
E até Deus escreve por linhas tortas,
Mas saber que você não volta,
Me mata...

Procuro pelos meios,
Ando pelos cantos,
Até ele já não sorri tanto,
E saber que você não volta,
Me mata...

Fico aqui sentado na poltrona,
Idiota namorando a porta,
Mas saber que você não volta,
Me mata..

Mesmo com lagrimas a rolar,
Deixo a esperança brotar,
De um dia te ver a porta adentrar,
Mas saber que você não volta,
Me mata...

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Cheiro


E o cheiro do almoço invade o ambiente. Enquanto seu perfume permanece por aqui. Felicidade tem cheiro. E eu sinto... Sinto que a tua presença é cada vez mais marcante. E que a noz-moscada não é nada perto de você, que chega sorrateiramente e me marca a boca com a explosão do sabor do teu beijo. Com suas unhas pintadas do vermelho pimenta, me cravam as costas deixando mais apimentado meu momento do que se fossem as malaguetas do armário. O calor do teu corpo faz meu sangue ferver. E o cheiro do almoço some perto do teu cheiro de fêmea-mulher que me entorpece os sentidos. E o sentido do dia passa ser você, só você que é a minha felicidade, e eu sinto o cheiro dela, de você, de nós em um só espaço.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Passageira


Meninas anêmicas,
    Movimentam o cone sul.

Vestes rasgadas,
   Fome aborígene.

Demônios endêmicos,
   Estragam o céu azul.

Mente congênere,
   Cáustica é a cor.

Veto o movimento,
   Solidão abraça.

Mãos decepadas,
   Forte dor.

Apenas lamento...
   A vida passa...

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Desilusão


Preciso te amar,
   Em lençóis brancos carmim.

Desejo te beijar,
   Ver seus olhos sorrindo assim.
 
Devo te matar,
   E arrancar esta dor de mim.



segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Luta e dor


Tristeza mata,
Quando assim,
Vejo o homem.

Avança a idade,
Avança a miséria,
A-van-ça.

Luta,
Dor,
Ele,
Idade,
Avança,
Luta e dor,
Lutador.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Sonhos intranquilos II

Entrei em colapso. O céu está vermelho. Fortes dores me atrasam a visão do infinito. Farpas me rasgam a pele. Pele me sobra ao prato. Me perco, perco-me, me cerco. Repito o mesmo mantra que aprendi quando tinha apenas do-ze-a-nos-de-i-da-de. Tudo vem tudo vai. São Paulo florida no meio da Augusta. Me esquivo entre caminhões e rubéolas. Sinto o mudar do tempo. Tempo... templo... convento... convenço. Néctar de limão em minha boca me faz pedir o doce salgado da vida que tive. Tive vida em outros dias, em outras vidas, em outro país, em outros. Mariposas envaidecidas me seguem o corpo quente. Nascente no meio do asfalto turvo da Afonso me leva até ao municipal parque. Entro em balões gigantes preenchidos de helium, e finalmente afino o corpo, a voz, o algoz. Ernesto me sacode. Com os solavancos em meu pescoço olho para o lado. Ele ruivo, de barba negra, sorri. Os dentes sujos, pretumes de mangue que não existe nas Gerais. Com um hálito adocicado pelo jatobá, colhido na esquina da Barata Ribeiro, ele me conta que novamente sonhou com a noiva de vermelho. Ela estava linda, vestida para o sepultamento do seu avô e ca-te-go-ri-ca-men-te, mentiu para não mais crescer nas ruas de Coritiba. Passo minha mão direita sobre a cabeça dele e sinto um calor gélido que me convence que as alucinações constantes de Ernesto são causadas pela flor esculpida em minha mão destra. Arranco do peito o colete que me aprisionava. Ernesto faz o mesmo. Com a estupidez de um vulcão em erupção, levantamos do banco da praça e olhamos novamente para o entardecer de mais um dia lilás vivido em nossas vidas cáusticas. Eu olho nos seus olhos e encontro o caminho que devemos seguir. Aponto o dedo para a direção do nosso caminho traçado pela cartomante que visitei em Budapeste. Ele concorda. Seguimos em direção oposta à indicada, afinal, não queremos o fim, e sim entender o começo. Uma forte dor me assola a sola do pé. Passo os dedos em meus olhos castanhos, que com a dor da hemorragia que me persegue, ficaram rubros. Levanto a cabeça, sacudo o pescoço e entendo que mais uma vez tive sonhos intranquilos. Acordo Ernesto e sigo em frente. Ele me segue.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

In-Gênios


In-compatibilidade de gênios,
Gênios compatíveis,
Gênios?
Compatíveis?
Não?
Eles, dois,
Um e dois,
Fortes,
Geniosos,
Ambos,
In,
Duo,
Três.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Desconcertante

Rodas psicodélicas me envolvem o corpo,
Sinto um leve nojo no asco que me detêm,
Nervos na pele flor,
Devasto o horizonte desconcertante,
O ócio negado a rigor,
Rosto... corpo... ouço...
Músicas para os meus ouvidos,
Estes entupidos.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Na chama azul do isqueiro amarelo

Minha cabeça dói - pensava enquanto acendia o cigarro na chama azul do isqueiro amarelo. Dedos da mesma cor estampavam o sabor da nicotina entediante sugada ao romper dos anos. A barba por fazer, a mais de três anos, o cabelo esvoaçado e o sentimento de que naquele dia tudo seria igual ao dia anterior, que por sua vez, foi igual ao mesmo dia com o mesmo número de identificação há doze meses. A vida era um ciclo vicioso.

A língua ainda estava dormente, o sacolé enrolado no bolso esquerdo da calça jeans denunciava, que mais uma vez, utilizou daquilo que prometera nunca mais usar. O branco era o mal, o dito pelo não dito. Na última vez que a encontrou jurou, de pé junto, que jamais ousaria a usar aquilo para entorpecê-lo. Mas a cabeça doía, e nada mais poderia ser feito em cumprimento a jura jurada entre lágrimas salgadas do desejo dela ficar. Uma tragada no cigarro, os pulmões em cinza cor da nicotina, os dedos amarelados, o sabor na chama azul do isqueiro amarelo.

O sol clareou no horizonte, aqueceu a mente, o sangue correu mais fácil com o calor na pele. A costa da mão direita suja estava coberta com a névoa horripilante da dor, um cartão de crédito na mão esquerda. Estradas de carrinhos de plásticos bolha são feitas em segundos e em milésimos, destes mesmos segundos, desaparecem.

Merda e a minha cabeça continua a doer – Debruçou sob o joelho e deixou o dia passar.

Árido e pálido

Necessito amplamente,
Abrir meus horizontes,
Doses entorpecentes,
Desejos aflitos,
Negados firmemente,
Entre náuseas e dentes.

Verrugas me saltam aos olhos,
Molho os dedos nas lágrimas,
Desejo o sujeito da frase,
Entrego-me...

Mendigos ácidos,
Negligencio solidão,
Aperto os dedos contra o corpo,
Dedos pálidos áridos,
Noites abertas ao clarão,
Em vinhos de tinto corpo.

Horizontes entorpecentes,
Aflitos áridos pálidos,
Dentes arrancados ao clarão,
Entrego-me...

sexta-feira, 22 de julho de 2011

O reino dos 20 andares

Corria pela escada feito um louco. Subia e descia, descia e subia. Assim eram seus ritos de diversão, naquele verão de 1979. Férias de escola, e na mais lúdica idade, divertia-se com pouca coisa. Aquele espaço era bem diferente do que estava acostumado, nada de terra, nada de água, muito menos do esgoto pútrido que escorria pela rua de casa. Ali, naquele lugar de 20 andares, era somente concreto. Concreto também foi o sonho realizado de ver o mar. Ah!, o mar... Aquela imensidão azul, que até aquele verão só havia visto através da televisão em preto e branco, e era bem mais belo que a figura cinzenta, apresentada através da caixinha que viajava durante as noites na casa do Sô Osvaldo. O cheiro do mar. A cor do mar. O frio do mar.

Uma vez por dia, ele podia ir ali. Passar seus pés na areia branca, sentir as cócegas provocadas pelos finos grãos, sentir o cheiro do mar, encher o pulmão e se entregar a grande maravilha das águas. Com o sol ainda em riste, ele tirava a camisa, descia o calção de brim, largava as sandálias e corria ao encontro ao mar. Pulava a primeira ondinha, se entregava de corpo na segunda e na terceira entregava a alma a Poseidon. Nadava e nadava, seguindo a longa faixa de areia. Acabava-se entre braçadas e pernadas. Pulava onda, furava onda, se enrolava na onda. A água salgada nos olhos, na boca, no corpo. E assim soltava-se, esquecia de todos os infortúnios que havia vivido até hoje na sua longa vida de nove anos. 

Nove anos de lar em lar, acompanhando sua mãe. Em algumas casas era desprezado, em outras nem era notado, e esta indiferença doía mais. Mas ali, naquela casa, naqueles vinte andares, naquele mar... ele era ele.  Sentia-se dono da vida, dono do mundo, dono da mãe, ao menos naquele período, onde ela estava liberada de acompanhar Sô Osvaldo. Este o tratava como filho. Dava balas, brinquedos, carinho, e principalmente, deixava a mãe o acompanhar durante algumas horas do dia. E além de tudo o presenteou com o mar. Ah!, o mar... Depois de certo tempo, ela o chamava, tomava uma ducha fria na barraca de frutas, enxugava-o e iam embora para o reino dos 20 andares.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Em transe...

Em transe, corria pela rua afora, na expectativa de alcançá-la mais uma vez. Todos os corpos lembravam o dela, todas as vidas eram a dela, todas as noites sonhava com ela. Respiros e afagos, na cama do pensamento, faziam com que ficasse mais fissurado no novo reencontro. As noites turvas, os dias gris, o corpo dela num copo de conhaque e o cheiro do ar que ela respirava. Tudo o entorpecia, e a idéia de encontrá-la mais uma vez, talvez a única vez, o deixava assim... em transe.

Nas esquinas imundas e pútridas, ele se aconchegava. Mendigava o encontro, o afago, o doce, a neve branca e sutil dela. Tudo era ela, até mesmo a dor, e disto ele entendia bem, do desencontro maldito causado pela mesma dor, porém que outra provocara, o céu gris da tarde calorosa do outono vivido no inverno. O isqueiro aceso, a cigarrilha soltando fumaça, o ar enfeitado pelo cheiro da erva cubana no ar. O transe...

No quarteirão fechado entre Carijós e Afonso Pena, ele se prostra. Ergue as mãos para o ar e relembra o primeiro encontro, talvez o encontro que nunca existira, e chora... chora um choro chorado de coisas estranhas nervosas. Os joelhos dobram, a gravidade força o encontro maldito do calçamento com o seu rosto débil. Lágrimas salgadas banham a face cansada da procura do encontro. As forças falham, o enjôo chega e a luz vai se definhando... a sensação é reconhecida... o transe.

Um afago a cabeça é sentido. O ar é reconhecido, o molde moldado contra o sol  é perceptível. Não pensou nem uma vez, agarrou-se nos braços longos dela e desapareceu pela Amazonas... em transe.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Lilás

Depois de cada azul,
Um novo lilás,
Mesmo nu,
Veja a vida voraz.

Depois de tudo blue,
Não vai olhar pra trás,
Mixar dor com alcaçuz,
Chorar... não vás.

Depois de tudo azul,
Não olhe para trás,
Depois de cada blue,
Verá um novo lilás.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Versos

Em diversos versos,
    me disperso.

Nestes versos, me resto.

Detesto?,
       é certo!

Mas,
   me resto,
         nos versos
                     diversos.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Bola morta

Mais uma vez a vida lhe prega peças
A bola amarela encoberta, ela, a final
o pano verde do bilhar, o copo de cerveja na ponta

o taco velho, meio torto, lambrecado de giz azul
e a bola amarela próximo à caçapa

Mais uma vez a vida, passando pelos olhos
A luz rubra, as pessoas indo, chegando, parando para ver o jogo

o jogo da vida, o jogo da morte e do trago do maldito cigarro
Lembrou de parar de fumar, lembrou tarde demais
Parou, mirou, respirou ofegante

pulmão cheio, visão turva, taco, dedos, olhos, corpo.
A bola amarela e a preta, na caçapa oposta.
Não errar - pensa. Não errarei - afirma
e a vida passa novamente por entre os dedos, indo... vindo...

o braço força
lembra dos filhos que estão em casa, da mulher... traga de novo - maldito vício
A bola branca voa por cima do pano verde, trajetória retilínea

passa-se um, dois segundos intermináveis e... le n t a m e n t e acerta o alvo
a bola branca, a bola amarela...

escrito por Clovisnailton

Babilônia macedônica

Babilônia afônica,
Nos desastres errôneos,
Macedônia que me ama,
Em ninfas invejosas,
Onde a fé é a maldade,
Que sugerem sacanagem.

Nudez enrustida,
Nervos a pele flor,
Asco do nunca,
Da terra da fuga,
Falta do amor.

Babilônia afônica,
Acertos pseudônimicos,
Macedônia me despreza,
Narcisos espalhados,
Em doces ácidos,
Minha vida arrasada.

 Negra dor oblíqua,
Em raios azuis lilás,
Merda cor em riste,
Sinto falta do ar,
Na atmosfera rarear.

Babilônia afônica,
Macedônia que me ama,
Babilônia afônica,
Macedônia me despreza,
Babilônia afônica,
Macedônia...

quarta-feira, 8 de junho de 2011


Ele sorria,
   Só ria ele,
     Ele, só, ria.
      
                                              Ele só.

                          Só ele.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Vejo a vida fugir

Um beijo roto,
No rosto louco,
Ecoou para mim.

O rasgo do fato,
No céu aberto,
Não foi assim.

Vejo a vida fugir... fugir...

No largo risco,
Do rosto roto,
Aberto assim.
 
O gozo,
Roto do louco,
Goza de mim.
 
Vejo a vida fugir... fugir...

Nem cravos,
Nem rosas,
Cuidaram de mim.

Nem dor,
Ou sorte,
Fizeram-me assim.

Vejo a vida fugir... fugir..

terça-feira, 31 de maio de 2011

Aquietar

Assim, olhei para o lado,
Não te vi,
Com o olhar parado,
Molhado fiquei.

Com desespero,
O aço que me atravessava à fonte,
O penhasco me esperava,
Não tive dúvidas,
Pulei em teus braços,
E me afoguei repetidas vezes,
Esperando que o lastro me levasse,
Dali, longe perto.

Asco do aço que me abraçava,
E molhado,
Com o desespero do mar,
Aquietei-me.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

O nu do Outro

Entre a loucura irritante e o grito, ele ficava nu. Preferia assim. Desnudo do frenesi da vida, do vinho, do ópio. Era assim que ele se sentia... nu.

Não se importava em escutar comentários alarmantes sobre a sua nudez de gente sensata. “sou nu e livre” – dizia a todo instante a si mesmo. Já o Outro, ficava encabulado com a nudez dele próprio. Sentia-se enfadado diante de tanta irreflexão. “Era isso que ele queria pra ele?”- não sabia julgar, afinal, o frenesi freqüente o deixava mais extasiado que nunca.

Nunca... nunca... never...nie...asla...

Negava-se em toda e qualquer língua existente. Tudo isso para ter o direito dele, e do Outro, de ficarem nus. De dia ou de noite, em casa ou na rua, almoçando ou jantando. O que importava era a nudez.

Assim, nu, ele era capaz de dizer a verdade, de sentir a verdade, de ver a verdade.

Nudez e verdade andavam juntas, para ele, já para o Outro, não.

Mas, em suma, nu a vida não tinha como se esquivar da verdade. Sem máscaras, sem apetrechos, sem nada, simplesmente nu... verdadeiro.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

O frio no Vale do Sol

Pela escuridão do vale do sol, ele andava. Chutava latas e aslfato. Tudo ali era inexato. Avenidas com nomes de quintas e primeiras, já as ruas, com nomes de planetas. E o vale do sol, naquela madrugada, como era de costume, estava frio... gélido. 

Caminhava por ali, sempre ao voltar de algum lugar, sempre sozinho, sempre por ali. Nada daquilo fazia sentido, o sol do vale nunca era verdadeiro. O frio sim era legítimo. Tão real como o fim do universo e o medo gritante que rondava o seu vale do amor.

Ela, a maldita, o havia deixado mais uma vez. E ele, louco e tonto, torto e morto, sofria ao anoitecer... há saudade... ah saúde... há alguma coisa que precisava de ser revista. Tentava descobrir o porquê do fim. Ele ali, andando pelo vale do sol, no frio da noite, sozinho como não queria.

“Pessoa maldita”- ficava a pensar. “Pessoa nefasta”- ficava a penar...

Na curva, um carro, uma luz, o calor percorria o corpo, ela a sua frente, o vazio no bolso, a dor do amor, o nojo do gosto, o vento no ventre, a sombra da luz, o sono frio no Vale do Sol...

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Amor

Ó meu amor, por tão presente que estás e tão honesto que sejas, eu me perco. Perco pelas portas que entro ou nas ruas que adentro e, às vezes, até mesmo, às vezes, no afago gostoso dos teus seios.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Uma vez por mês

Assim, do nada, ela seguiu até o alpendre e o encontrou. Com os pés no chão, mãos calejadas do labuto ingrato, ele estava lá. Pele vermelha pimenta, castigada pelo sol durante a jornada escravagista. Ruas e ruas de canas cortadas, espinhos da folha adentro do corpo, o podão na mão direita enquanto a esquerda juntava a folhagem negra. O suor irrigava o corpo, corpo malhado pela luta do trabalho. Trabalho ingrato e nefasto. Mas a vida precisava daquilo, e ele mais que tudo, precisava da vida.

O sorriso no rosto acariciou o coração. O cansaço louco e pervertido desapareceu. Encontrou o doce hálito da vida naquela boca. Boca carnuda romã. Mãos nas mãos, pés perto dos pés, um banho tomado sem muita pressa. O cheiro da água de colônia invadia o seu corpo. E ela, linda... ali, e ele cansado... ali. Olhos úmidos e humildes. Mão grossa contra mão fina. Amor com amor...

O corpo já não era seu. O trabalho pecaminoso não existia mais. Naquele momento era tudo sagrado. Sagrado o coração, sagrado a cama, sagrado o gozo. Gozo gozado e jorrado no encontro de suas mãos. Uma grossa, outra fina. Pés descalços no linho branco do lençol. Pés roçando em pés, boca com boca, hálito doce pairando no ar. Liras de Orfeu os embalava, o sonho era realidade, e a vida, doce, como o doce da cana, continuava.

O sol aparece, e esquenta a pele vermelho pimenta do moço. Descalço segue novamente para as ruas de canas a serem cortadas, sem antes, porém, de deixar sobre o criado do quarto uma parte do ganho do mês. E era assim que a vida tornava-se doce, ao menos uma vez por mês.

Filhos

Dois
Filhos,
Um com V,
Outro com C.

Duas,
Vidas,
Lindas,
De 0 a 15.

Os,
Dois,
Amores,
Meu...

terça-feira, 12 de abril de 2011

Nada é feito...

É inevitável,
O choro,
Latente,
Corrói,
Quente,
Mata.

Rasgo o peito,
Nada é feito...

É irremediável,
Na contramão,
O sufoco,
Aperta,
O louco,
Morre.

Estilhaço o peito,
Nada é feito...

Nada é feito,
Mata,
Nada é feito,
Morre.

Tudo corre...
Tudo morre!

Segue

Vida que segue,
Ao lado,
De que lado?
De dentro,
De fora,
Segue vida!

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Uma pinga, uma marica e um cobertor fétido

Não leve nossa conversa para o lado da galhofa, o papo é sério! – falava nervoso ao comparsa, enquanto acendia a marica. A noite havia sido tensa, uma correria só. Depois do assalto, efetuado na região da praça da rodoviária, a fuga insana pelas ruas que rodeiam a Paraná, o descanso, embaixo do viaduto, era merecido.

Um trago de pinga, um trago na marica, o cobertor fétido o aquecendo e agora, por mais absurdo que poderia ser, aquela discussão idiota.  Quem ficaria com o prêmio da corrida ilegítima? Ele que percorreu grande parte do percurso com os gambés em seus pés, ou o parceiro que apenas ficou olhando na esquina da Afonso com Caetés?

Mais um trago na pinga e na marica, a vista acinzentou-se. Um leve tremor em suas mãos. A vida esvaziava diante de seus olhos. A chuva lavava e levava o rubro líquido escorrendo ao lado. A discussão acabou...

terça-feira, 1 de março de 2011

Dê dor a dor

A dor há dor,
Nem sempre há dor,
Na morte da vida,
No nascimento da cor,
A dor há dor,
Com carinho e amor,
Há dor na dor.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

O menino

O menino,
Teu maroto,
Fique quietinho,
Tua hora chegarás,
Como raio de sol,
E a vida iluminarás.

O menino,
Teu travesso,
Já és tão queridinho,
Vens devagarzinho,
E com alvoroço,
Encher-te-ei de beijinhos.

O menino,
Meu amigo-garoto,
Quero-te aqui do ladinho,
Como um anjinho,
Pra Deus agradecer,
O mais belo presentinho.

O menino... o menino!

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Caetanear

E um sorriso desponta,
Sorriso inocente,
De gente sem dente,
Que em dia de luar,
Com a inocência fulgurante,
Ofusca o mais belo luar,
E só me restará um verbo,
O de Caetanear.

Marcas

Encontros macabros,
Marcados os encontros,
Marcos a marcar,
Vidas a passar,
Sem nada pra marcar.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Pele

Lambe mais uma vez a pele,
Trazendo assim o desejo,
De entrar em ti,
E mais uma vez,
Tornarmos apenas um,
Num só corpo,
Em um só coração,
Com batimentos loucos,
De tesão descontrolado,
Sexo a pele,
Apelo do sexo,
Lambe mais uma vez a pele,
Trazendo assim o desejo.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Cores

Um beijo louco,
No dedo tosco,
De lado a lado,
Sempre,
Verde ou azul,
Talvez roxo,
De fato,
O falo,
Fala,
Mais que apenas,
Ouvimos,
Sós,
Nós,
E nunca,
Na verdade,
É dita,
Bendita,
A besta,
Da voz.

Rio

Eu sei,
Claro que sei,
Viajei entre pontes e navios,
Logo cedo quando cheguei ao Rio,
E sem prontos soluços,
Nem frases prontas na 040,
Segui feliz até Copa,
Onde num único conjugado,
Este, claro que foi alugado,
Em seus braços abraçados,
Noites em dias ensolarados,
Larguei meu corpo jogado,
Eu e você,
Nós dois enamorados,
E hoje em dia,
Na mais bela supremacia,
Casados.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Devaneios 11:44

Vagando pelo escuro da luz, senti meu corpo flutuando sobre o doce luar que me iluminava. Sentimento curto, doce, longínquo e bárbaro. Barbaridade é a minha de sentir isto em pleno êxtase da vida. Vida vivida de vivos viventes. Nobre é o ser que não se arrepende do viver. Viver a vida!, na luz, no escuro, na dor...  bendita é a dor! Esta nobre criatura que nos cerca e nos leva ao amor, ou vice-versa, não sei ao certo. O amor traz a dor, ou a dor traz o amor? O amor e a dor, companheiros de longa caminhada. O amor é a dor? Definições que estão por aí, soltas, esperando a mão majestosa de vossa excelência, a vida, para defini-las. 

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Carmem

Nos seios de Carmem, Anselmo encontrava seu sossego.
Chegava a casa, entre violas e violões, descansava no seio do lar.
Casa de Carmem, seio dos seios, desejos e vontades, satisfazendo-se em sonhos. Volúpias em Carmem, sonhos de carne, seios no seio, carne de Carmem.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

A triste sina de Godofredo

Enquanto cobras e tiús descem pela parede do casebre de pau-a-pique, Godofredo apertava o fumo de seu cigarro, esquecendo-se dos problemas mundano e lembrando-se da amada Sara que o deixara para trás.

O céu escuro entorpecia seu corpo. A cada minuto passado, a cada fumo cortado, a cada ar respirado, ele sofria! Triste e quieto sentado no tronco da árvore que em outrora era o motivo da alegria dos dois.

Ah Sara! – Dizia ao vento que lhe abraçava e gelava teu antigo quente coração. Sara não mais estava ali. A árvore caiu. O céu nebuloso e, para terminar, o entorpecimento já havia conquistado Godofredo e seu fumo.

Pobre Godofredo e seu fumo cortado.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Doce voz de Caetano

Na Avenida Brasil, sentindo a sua pele negra no meu corpo color, ouço infinitas vezes seu olhar descrito em canções líricas. O maestro toca, eu te escuto. Caetano chuta, enquanto eu navego novamente em suas longas tranças e finalmente me perco nos abraços longos de seus braços.

Sem me perder, fixo meu olhar no seu norte, e o seu sorriso alvo, da brancura de sua alma, me limpa. Traz a leveza da dor que perdi no passado e deixei na terra santa. Feliz, sigo até a praça, pois agora, quem me ama é a liberdade.

Liberdade que abracei no momento em que disse sim! Sim, minha clara jovem negra, sim para você, sim para ele que vai chegar num dia de verão, sim para nossa vida. Sim para o mundo que me uniu ao teu abraço naquela tarde de domingo, vendo o sol ir embora e você a me abraçar em seus abraços longos. Sim a tua boca carnuda que me afaga com seu hálito de desejo fêmeo e real. Sim...

O carro para... e junto ficamos a ouvir a voz de Caetano...

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Cadê o solo?

Falta-me ar,
Sobram-me os pés,
Cadê o solo?

Chão para quem quer pão.
Vida para sorrir,
E você para mim!
Cadê o solo?

Cadê a cama,
Vem pro colchão,
Novamente me aqueça,
Com seu branco olhar,
Cadê o solo?

Solo tu,
Solo mio,
Você é meu solo!

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Amor compartilhado

E você virá,
Forte, ardente e feliz!
E quanto a nós,
Estaremos loucos na alegria,
Contida no desejo de te abraçar,
Não uma vez,
Muito menos duas,
Nem mesmo mil,
O abraço será eterno,
Como o nosso amor,
Antes único,
Agora compartilhado!

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Sonhos intraquilos de Ernesto

Na mais nova viagem intranquila, onde monges tibetanos tomam o chá de origem amazônico e nordestinos se sacolejam ao som da mais bela polca, sinto meus pés estremecerem a cada pegada que encontro.

Profundamente obeso com o volume adquirido nos últimos anos de escalada ao Everest, eu e Ernesto, desistimos, por hora, de chegar ao Taj Mahal passando pelo Obelisco, afinal, o congestionamento registrado ali, na Nove de Julho, é simplesmente caótico.

Entristeço com a novidade lançada ao espaço, ninguém merecia passar pela entrada apertada do monumento erguido no fim do último dia da escalada das ações, nada humanitárias, da Bolsa de São Paulo.

A crise que vivo, Ernesto insiste em dizer que é passageira, me trai os mais belos pensamentos a respeito da imigração dos patos selvagens vindo do Canadá. Não sinto mais prazer em olhar para o blue Sky de Belo Horizonte e não mais encontrar o beija-flor perdido em filmes que nunca vi, ou até mesmo, que não dirigi.

O tempo me convence mais que Ernesto, e o odor vindo de minhas rugas centenárias provam que a vida é única. Não existe dinheiro barato, assim como remédio para minha economia que vai de vento e polpa arrebentando o meu esforço de me manter cético ao novo plano de expansão da trajetória humana.

Esqueço tudo e aprendo novamente com as pegadas achadas. O caminho é único. A devoção é divina. O triste é alegre.

A intranquilidade me abraça de tal maneira que me sinto limpo e inerte ao seu poder. Embriago-me em seu licor, me sujo em sua cor, assim, desta única e terrível maneira, a viagem contínua... intranquila e obscena. Tomo o chá e sigo dançando. Ernesto vem junto.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

D’alma

Com a falta de você,
Meu corpo vira mártir,
O inseto voa pelo asfalto azul,
O ônibus solavanca,
No uniforme fosco da ingratidão.

Nesta crise de abstinência,
Onde o ópio é você,
Sou eu usuário ávido,
E a nos separar,
O sofá negro macio nada altruísta.

A noite perpetua,
Com a cama despovoada,
Com a chuva à encalir nosso Love,
O ar me sufoca,
Temeroso raia o dia.

Sinto falta de você,
Flagelado pelas garras da estupidez,
Com o invólucro d’alma dilacerado,
Procuro seus olhos rasgados,
E entorpecer novamente no seu agrado.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Coquetéis molotov

Andei pensando em estrofes,
Versos,
E até em coquetéis molotov!,
Explosões além norte,
Eu, você, nós!

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

São Judas

Na escrivaninha do quarto, a meia luz, o papel largado a mesa, os rabiscos intensos, o lápis preto sendo destruído em nome de algo que nem ele mesmo saberia dizer. A fonte no quintal ligada e jorrando jorros de água. Água colorida pela luz iluminada da lâmpada ligada. O céu não era azul mais. O impossível de acontecer estava tão longe, que de certo, se tornará cada vez mais impossível. Em inexatidões longínquas o acesso do abscesso ficava mais obstruído com o tempo, e desta maneira, a boca doía cada vez mais, e o mau cheiro impregnava todas as cavidades superiores. E o rabisco saía forte sem o porquê de estar ali.

A novidade não era mais a mesma, portanto não era mais novidade. O lápis não era mais perfeito, assim como sua ponta feita com a faca. Faca que cortava cada vez mais sua esperança da volta de alguém que um dia resolveu partir e nunca mais voltar. Voltar a ser visto. Voltar para o lado direito do individuo oblíquo. Sujeito que ele jurava, agora, entre lágrimas e calafrios, que não existia mais. Era fato: o papel estava ali, o lápis em suas mãos e o alguém estava além da sua compreensão. Carniça de vida insaturável.

As comemorações do dia de São Judas haviam passado. E ele continuava ali, com sua causa impossível.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Falem

Deixe que falem de mim,
Deixe que falem de nós,
Deixem quem fale.

Pouco me importa...
Se foi este ou aquele,
Se aquela ou aquele,
Largamos para lá,
E sigamos em frente:

“Para o alto e avante”

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Ela

Sexta-feira, tarde da noite, avenida qualquer, entrada da boate. Ela chega com seu vestidinho lilás bordado com cristais falsificados, imponente em seu Luis XV. O perfume, tão marcante quanto seus olhos negros, deixavam todos fascinados – fascinado fico pelo seu andar. O cabelo esvoaçante açoita o vento com o cheiro gostoso do cremehidratante. Tudo era usado para mantê-la ali, no altar, e nós,súditos malditos, ficávamos a desejar seu rabo, nem que fosse por uma noite apenas

No escuro da pista, ao som do mais podre cancioneiro pop, ela se vangloriava. O corpo modelado pela academia da esquina era, para nós, a passarela da vida onde queríamos desfilar. A silhueta perfeita, os mamilos acesos, o suor descendo seu pescoço e adentrando ao grande decote cravado em suas costas. Costas que era enfeitada com um grande dragão verde-lilás que levava aos sonhos mais exóticos dos pobres mortais. E ela lá, dançando... sozinha... se acabando na pista.

A luz acende, ela caminha até a saída, as portas se abrem, ela reaparece sob a luz do luar. Ainda resta um pouco do perfume, o andar, a solidão me abraça. Sigo-a até ao carro e ela nem aí. A porta abre, a perna esguia acessa o interior do carro, o assento abraça seu traseiro malhado, a outra perna desaparece no vão da porta. Toneladas de fumaça invadem a atmosfera, ela ganha a avenida e desaparece na escuridão da noite. Dentro do carro a solidão a persegue. Ela chora um choro chorado em lágrimas quentes que molham seu corpo gelado. Já é sábado

terça-feira, 19 de outubro de 2010

A barata

Ô vida ingrata, dizem que não sou homem, por que não mato barata!
Porque acabar com a vida, da bichinha espremida?
Olha que belo rasante, e por não te matar, não sirvo nem como amante?!
Vá pro meio da rua, o barata danada, senão no final das contas, não vou prestar pra mais nada.

Devaneios 1302

Enquanto fico aqui com a cabeça demente olhando para o céu, minha boca grita palavras eloquentes, querendo aquecer os mais belos cachos de seu cabelo. O rojo expelido pela face incrível da dor que abastece a cavidade mais estranha do invólucro de alguém, a marca pesada e prensada do ferro à brasa, que um dia chegou e feriu o mais tenro tecido que cobria aquele santuário erguido no meio da sala, mostra com exatidão a intensidade do grito. Anjos e demônios se abrigaram no lado esquerdo do telhado ouvindo as súplicas expelidas enquanto o verme que chega e destrói a vida, chegava e se alimentava do ócio produzido pelo ódio e vergonha explícitos nas palavras brotadas por aí. O suor desce a testa e é fato: na noite de São Judas não fui eu quem gritou a favor do encontro maldito que se sucedeu instantes após a bomba explodir ao lado do terraço do décimo quinto andar daquele edifício que era belo no início, e que se tornou esquizofrênico ao romper da aurora.Nada mais, nada menos, apenas isto para seu gozo provocado pelas maldições ditas exacerbadamente. Nada, além disto, ou aquilo. Nada...

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Ronda

Ela ronda,
       por aqui,
             por ali,
                   e às vezes nos faz ri.


                                             Ela ronda,
                                          por lá,
                                  por cá,
                         e sempre nos faz chorar.


                       Ela ronda,
      ronda, 
                           ronda
          e às vezes ronda.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Três “eme”

O inferno estava ali, a merda espalhada pela calçada, o fétido sabor da morte rondava seus olhos negros, a miséria estampada nos rostos de qualquer ser presente naquele espaço. Nada, tudo, merda, porra e mais nada. Sobe escada, desce escada, abre porta, fecha porta. Putas e travecos num meio comum. E ele ali. Espiando o brilho da faca que acabaria utilizando em qualquer coisa que cruzasse seu caminho. Doses cavalares de aldol eram utilizadas para adormecer a besta-fera. O cuspe cuspido na ponta da faca a deixava mais mortal. O vírus da merda nela. A merda da vida no sangue. O sangue rubro, fétido escorrendo pelas mãos do algoz justiceiro. Merla, merda e morte. Três “emes” necessários na vida dele. A besta.

Merla na veia. Merla no espírito. Merla na alma. Merda de veia que não aceita a merla. A viagem perfeita, a euforia extasiante. O universo fica pequeno. E com ela, todos se rendem ao sabor da morte azeda vinda da faca de metal cuspida. A ponta entra cortante cal-ma-men-te. Merla sem dentes. Sistema nervoso oscilante, extravagante, emergente, impotente em resolver o que deve ser feito e o que deve ser morto. Merla sempre...

Merda é a vida vivida por estes que se sucumbem ao inferno do escroto que passa com a grana em sacolas verdes com nomes sugestivos gravados em suas bordas. Fracos que vivem na merda. Merda é o sentimento profundo em que a besta segue vivendo. Besta que reúne o poder da cura dos males destes que se ajoelham ao deus babaca que seguem. Merda é sentir o desejo infame de viver com eles até o exato momento da ruptura carnal... “Seu espírito agora encontrará a paz”, a besta entregava o corpo a merda da vida e o espírito a salvação. Sentia-se um padre. Um padre?! Merda sempre...

Morte sempre para a purificação do individuo falido da moral. Morte sempre para quem ousasse atravessar o seu caminho. Morte sempre àqueles que não jurassem lealdade ao seu deus. Morte sempre a quem não convertesse seu coração maldito a maldição da besta. Besta redentora, utilizando a faca espessa e polida com os sangues dos malditos que foram dessa pra melhor. Melhor morrer a viver neste inferno de vida. Morte sempre...

Merla, merda e morte!

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Tabaco e Vodka

Na quinta esquina, após a Rua Mármore com Garbo, ele estava lá. Quieto sob a luz amarela do poste. O cigarro fino aceso, uma garrafa de vodka embaixo do braço, o violão nas costas e mil idéias enroladas em seus caracóis. Já passavam das vinte e duas horas, e o último metrô logo chegaria a estação, e exatamente nesta composição que ele depositava suas esperanças. Com certeza ela chegaria nela. Mais um ônibus rompe a Mármore, e ninguém desce no ponto. E as esperanças lá embaixo na Andradas.

O frio cortante daquela noite o deixava com mais dor. A vodka visitava com regularidade cada espaço da boca mal cuidada. O cigarro amarelava e perfumava seus dedos. As idéias rodeavam e norteavam suas ações. Lembrava do momento exato que vira aquele sorriso pela primeira vez. Um doce sorriso. Um amargo momento. Um ácido misturado com chocolate. Era assim que ele definia aquele breve momento. Depois daquilo, sua vida nunca mais foi a mesma. A necessidade de rever o sorriso, de sentir os sentimentos momentâneos, de curtir e reverenciar o enorme prazer da vida oculta naquele olhar divino. Por isto ele estava ali até agora. Com o frio cortando seu corpo. E a incerteza do contato aquecendo o coração.

Uma nova talagada. Um novo trago. Uma leveza lhe descia a cabeça chegando até as pernas. As nuvens negras da noite lhe pareciam brancas como as do dia. O uniforme do guarda municipal parecia sujo. A moto rasgava o morro em direção a alguma casa. E a intimidade com o sorriso ia aumentando a cada gole, a cada trago, a cada minuto. A meia furada, o tênis rasgado na ponta, o violão devidamente afinado. Tudo pronto pro encontro mortal e devastador.

As notas começaram a aparecer quando o barulho do metrô parando na estação foi ouvido. Sentiu novamente o perfume a exalar no ar. Sentou-se rapidamente na calçada. Fechou os olhos. Sentiu os passos. Respirou profundamente. Entregou-se a criação divina.

Os passos fortes, correria na passarela, o sorriso doce cortante passeando em sua frente. O primeiro acorde, o segundo e assim a coisa aconteceu. Largou o violão de lado e foi direto ao caderninho. Pronto!, estava feito. O azedume se tornou doce, o agora virou eternidade, o céu continuou escuro e o frio mais gelado. Levantou-se tragou o último trago do cigarro fino, mais uma nova bicada na vodka. Acenou para o céu e foi embora subindo a Mármore.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

O que posso fazer?

O que posso fazer?

Meus olhos não desgrudam do seu sorriso,
Minha boca só quer a sua,
Meu corpo se derrete ao leve toque de suas mãos,
O velho coração bate no ritmo do teu nome,
E meus passos sempre seguem para seu espaço.

O que posso fazer?
O sentimento puro que sinto é único e distinto,
Há alvoroço toda manhã quando olho pro lado e te vejo,
A lua é você, e eu apaixonado pela sua alva brancura,
O gosto do chocolate é a tua pele em minha boca,
E se o lado da cama que mais gosto, é o seu com você lá.

O que posso fazer?
Se a única coisa que me vem à cabeça hoje e sempre,
É te amar... te amar... te amar...
E finalmente, no final de tudo,
No restinho da coisa toda,
É te amar.

O que posso fazer?
A alma é sua,
O corpo é seu,
A vida é nossa,
E o fim...
Este não existe ao seu lado.

O que posso fazer?

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Olho

Olho nos teus olhos,
E em tudo vejo graça,
Pão, água, cachaça.

Olhos nos teus olhos,
A tristeza se rechaça,
Deliciosamente tua caça.

Olhos nos teus olhos,
Teu corpo na fumaça,
“Mi” alma em eterna graça.

Olhos nos teus olhos,
E a estúpida dor passa,
Beijo, alma, caça.

Olho nos teus olhos,
Navego sem farsa,
O teu amor me basta.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

La bestia

E no meio da noite, sentado a frente do portão, com as mãos sujas de sangue da última vítima, fica pensativo. A queimação lhe subia no esôfago e ele pensava no que poderia fazer se não fosse o que era. Não tinha mais medo. Perdeu a inocência. Os sonhos tenros da infância perfeita já não havia. Nada além da besta-fera que se transformou passava em sua mente. Atos exatos do mais violento assassinato. Sangue, dor e solidão.

O suspiro final de suas vitimas o deixava louco, e ao mesmo tempo enchia de fé o coração amargurado da dor do próximo. Sempre que executava uma pessoa, a obrigava a aceitar o Senhor em seu coração. O mesmo coração que em poucos minutos estaria em suas mãos. O mesmo Senhor por quem esperava ser julgado e condenado. Os batimentos eram exauridos aos poucos, len-ta-men-te, como a vida nos olhos do pobre coitado que até pouco tempo estava indo para casa, trabalho, zona, restaurante, ou qualquer lugar. Que infelizmente, por uma triste e infeliz coincidência, não iria mais existir. E a dor do pecado mortal, “Não matarás”, o sufocava loucamente.

A noite escura. A dor imensurável. O inseto voando em torno da luz. Ele ali. Sentado. Pensando no que poderia ser se não fosse aquilo. Aquele ser estúpido e insensato que seguia as regras de seu instinto assassino. Não queria mais fazer aquilo, mas era inevitável. O inferno da vida era presente em cada minuto. A dádiva da dor. Em cada segundo. E as gotas de sangue escorriam pelos dedos e manchava a calçada em frente à casa de um qualquer. Qualquer um poderia passar ali e notar que a criatura ainda estava ali, com o coração nas mãos e as preces elevadas aos céus.

Levantou-se. Olhou o céu. Com o Pai em mente, sorriu. Entre seus dentes o liquido que acabara de golfar escorria queixo afora e manchava-lhe a camisa alva. Com uma única cusparada limpou toda a sua boca. Com as mangas repletas do líquido rubro, misturou a dor do outro com a sua dor. Elevou as mãos acima da cabeça e reverenciou o ato macabro mais uma vez. Sorriu novamente. Pôs-se a andar até a esquina próxima e de lá seguiria até sua casa, onde finalmente, tomaria um banho de sal grosso para retirar toda a energia negativa do corpo e definitivamente dormir nos braços da amada vida que lhe foi dada.

A alvorada chegava estupidamente como a vida escapara dos olhos. O coração estava em outras mãos. Na última visão, a besta sorria. O banho de água gélida e salgada o despertava e trazia uma leve decência em sua vida. Vida porca de sujeito matador, que a seu ver, seguia ordens de alguém que não sabia quem era. Mas, como não podia lutar contra tudo e todos, achou por bem, aceitar a indesejada vontade de ir contra algo que não sabia o quê. Devaneios estúpidos de um ser estúpido. Ladrão de sonhos, agente do inferno em nome de Deus. “Fulano, sicrano e beltrano”. E a música embalava seu banho de decência indecente. A limpeza do pêlo pelos poros normais arrancava-lhe a cor encarnada do sangue jorrado pelo coração furtado. E o sorriso morto rondava seus dias.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

A última palavra...

Nem mesmo ninguém sabia explicar aquele homem. Nem mesmo ele sabia explicar pra ninguém. Nem ao menos pra ele.

Ao passar um ano de declarar coisas e não ter mais nada a declarar, interrompo por aqui a escrita que um dia me trouxe paz.

Agradeço a cada um que leu, gostou, amou, eternizou, colaborou e até mesmo odiou.

A escrita é assim... começa e para.

Eu paro por aqui.

Enfim, não tenho mais nada a declarar...

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Devaneios 2102

Na escuridão da noite, fico em meu quarto e encontro os demônios e monstros que insistem perturbar meu sono, que outrora fora angelical, e hoje, insistem em ser infernal. O desapego da fluidez da solução narcótica me envolve no mais pesado pesadelo. Horrores de circos, monstros de picadeiros e mulheres e homens se masturbam ao meu lado, que fico aqui, só. Esperando a mais profana gratidão dos homens que passam em seus carros importados. Eu, com o chapéu na mão, fico pedindo mais uma vez um pouco da benção. Ela que ainda não passou por aqui. E assim, desta maneira trágica, abstrata e vertiginosa, vejo o tom do brilho do sol se tornar cada vez mais vermelho e triste. E só para lembrar:“Tristeza não tem fim, felicidade sim”

sexta-feira, 30 de julho de 2010

A pedra

E quem de vós, parados aí na esquina, teria a audácia de chegar o dedo em minha cara e me dizer com a cara deslavada que eu não sou e nem serei - em qualquer momento desta minha vida ordinária e suja - feliz? Sim! Feliz como os corvos que passeiam por aí, ou como os abutres que ficam a esperar a merda da morte acontecer e assim celebrar a celebração da morte. E até mesmo como o rato que se deleita nos restos dos restos restados dos dejetos dos pobres e infelizes como nós. Quem de vós? Quem?

Homens fétidos, vida injusta, pessoas pútridas, menções nojentas. Vós, nós, e diria que até o algoz. Nada. Nem tudo, nem mesmo um jumento mais sortudo. Ninguém poderia riscar o dedo no espaço entre mim e tu, ou ele, e dizer escancaradamente: “Vós, meu amigo fétido, sujo e promíscuo, nunca será feliz! Maldito sois vós com todos os seus defeitos e trejeitos. Maldita é a vida que tu carregas. Maldito é o mundo que desnuda nossos corpos e coloca-nos em vitrines expostas como vacas mortas e bezerros quentes. Largue a mão de ser demente e tente, ao menos uma vez, viver como gente”

Nem mesmo depois deste sermão, irei olhar para vós com piedade. E espero, profundamente, que ao acordar não veja mais nenhum de vocês rondando minha morada. Meu invólucro da vida é meu. Meu corpo é a minha morada. Minha morada é meu templo. Meu deus é o desnudo. E assim... sumam, desapareçam e nem pensem em voltar quando queimar a próxima pedra e viajar no inferno que a vida me prometeu.

Desta maneira, ele acordou, virou para o canto, pegou o cachimbo, colocou mais uma pedra, ascendeu o isqueiro, e novamente a vida se exauria de seus pulmões.

Viver

Sem pensar,
E nem sonhar,
Sem ao menos, num breve encontro, festejar!

Na cadência,
Da decadência,
Vai, vivendo a vida, na base da reticência.

Com a luz,
Que o seduz,
Ele e ela e seus belos corpos nus.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Resposta do amor

Eu não amargo muito menos estrago!

Eu sigo,
Procuro,
Viro-me e quando menos eu espero... encontro!
Encontro no teu canto, no seu pranto,
Mas às vezes nem tanto...

Por mais que eu rode,
Por mais que eu te sacode,
Por mais... por mais...

Viro-me para um lado qualquer e resolvo novamente te amar...
E espero que seu doce, me adoce e assim, desta única e singela maneira,
Suma com o nosso amargo.

E novamente brincaremos juntos...

obs.: respondendo: http://panoderosas.blogspot.com/2010/07/voce-querendo-so-cancao-e-eu-inventei.html

Lembrança da infância

Assentado sobre o meio-fio cuspia em cima das formigas que passavam debaixo de suas pernas. Costumava ficar assim sempre que era repreendido pela sua mãe. E isto era quase que constante. Não nesta época, mas sim quando ainda era moleque. E pirralho como era, sempre levava um puxão de orelha. Fazia uns bons anos que não ficava naquela posição de pensador. Porém, naquela manhã de julho, ao acordar com a luz do sol a queimar seus pés sobre a cama, ficou jururu. Lembrou dos problemas mundanos que tinha que resolver e ficou assim.

Mas o que realmente o incomodava naquela manhã, depois de se pegar na posição de criança, foi a danada saudade da mãe. Com a correria do dia-a-dia não tinha tanto tempo para vê-la. Era um eterno corre-corre. Mas naquela manhã de julho, o coração apertava e a saudade aumentava. As repreensões corretivas da mãe, também surgiram na memória: “Menino, sai da rua e vem estudar”. Conselhos, dizeres, reclamações, sobretudo o carinho maternal. Isto lhe mexia o coração.

Levantou a cabeça, mas antes fez questão de dar uma última cusparada em uma saúva que passava por ali, pegou a chave do carro no bolso direito da calça e partiu em direção a casa da mãe.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Devaneio 1229

Minha cabeça dói, meus pés descalços e inchados. O mundo é pútrido, e eu, desnutrido da vida feliz, sigo arrematando cada um que passa em minha frente. Inóspito sou. Demente é a vida. Contente são os outros.

Apenas mais algo sem ter o que fazer.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Maldição dos trinta

Trinta dias fora de casa!, malditos trinta dias. Não via a hora de voltar e rever a amada. O celular naquele fim de mundo não funcionava. O telefone público mais perto ficava a uns bons trinta quilômetros. O sol ardia na cacunda naquele maldito ambiente árido. E a temperatura girava em torno de trinta graus centígrados. E ele já estava cumprindo o turno a mais ou menos trinta horas. E tudo isso para ganhar trinta dinheiros por hora. E em mais alguns trinta dias completaria trinta anos. Já não suportava mais aqueles trintas em sua vida.

Quando entrou na companhia de energia, era só felicidade. Planos para construir seu futuro. A história de seu pai naquela mesma empresa, diga-se de passagem, que foi uma história de trinta anos, demonstrava um belo futuro para frente. A noiva ficou entusiasmada com a promessa de casamento assim que construíssem a casa. Compraram um lote em trinta prestações, e assim que quitassem começariam a construir. Tudo perfeito. Em sessenta meses, no máximo, lembrando que trinta vezes dois é igual a sessenta, teriam a tão esperada casa.

Mas ali, preso naquele solão, suportando jornadas de trinta horas, temperatura de trinta graus centígrados, o que mais queria era mandar tudo para o quintos dos infernos. E que os trinta dinheiros por hora fossem visitar o cramulhão, afinal, o que mais queria naquele momento era tomar umas trintas cervejas para aliviar o calor, e ao menos uns trinta bons minutos com a amada para afagar-lhe o coração.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Francisco, Izabela, Rita e Maristella

Esta noite sonhei com vocês. Estavam lá, passando debaixo da cama, numa correria só. Ele, o mais apegado, ficava me lambendo o tempo todo. Ela, a mais alta, ficava deitada ao lado da cama. A outra, que mesmo longe de mim neste momento terreno, não desgrudava dele. A fuzarca era imensa e vocês enchiam a casa. Em dado momento cada um me deu um beijo no rosto. Beijo quente como ás lágrimas que me escorrem a face neste momento e naquela hora da madrugada.

Acordei chorando. A nova companheira estendeu-me a mão e beijou-me infinitas vezes. Mostrou-me com seu olhar de olhos azuis que estava ali no lugar de vocês. Sei que nunca terei vocês novamente ao meu lado. Certeza também que jamais esquecerei vocês. Estejam onde estiverem. Mas ela também tem o seu lugar. Ainda mais agora que vocês foram embora.

Com a dor que me atacou, e ao mesmo tempo, com calor das caricias dela, voltei a dormir e sonhar. E desta vez vocês quatros estavam juntos. Todos pulando e festejando o encontro. Corríamos, nós cinco, por algum lugar em que nunca estivemos. E sei que um dia estaremos. Nós cinco!

terça-feira, 20 de julho de 2010

Falando com ele

Meu Deus!, socorra-me, afinal, o fim se aproxima. A luz está negra, a escuridão está clara, e a clara não envolve mais a gema. O universo desistiu de unir o verso. E eu não suporto mais a pressão de estar sempre pré-são!

Meu Deus!, socorra-me com suas mãos que não existem, afinal, o final é mais certo que o recomeço, a idade não me lembra mais a ida e sim à volta, “o pra sempre, sempre acaba”, e eu, que sempre fico aqui , com o intuito de ficar para sempre, um dia irei desaparecer deste maldito lugar. Já que um dia tudo finda. O amor, o ódio, a vida. Dê-me mais um copo de coca-cola por favor!

Meu Deus!, socorra-me, porque o meu prazer não mais me satisfaz. O Uísque aranha minha garganta. A calcinha azul me deixa sem graça, e a vermelha, me deixa mais irritado que normalmente sou. A cama me corta a carne acamada. E o meu sexo não pertence mais a mim. Sim!, nada mais é meu, e vai tirando o cavalinho da chuva, porque o seu também não pertence a você. Nada mais é de alguém, e sim, tudo agora é de ninguém. A mais perfeita e mórbida comunidade, comum-unidade, com uma idade. Idade de quem?, vida de quem?, quem é o ninguém, e o alguém? Comum?

Meu Deus!, meu Deus, você existe?

sábado, 17 de julho de 2010

Mar da lua

Enquanto as crianças brincam a beira d’água, eu me refresco neste mar. Mar de paixões. Mar que me fez encontrar-te. Mar de minha linda e branca lua.

Devaneios 1121

Queria mesmo ser ignorante. Mais do que sou. Além do que sou. Para novamente não entender o que suas palavras ríspidas me dizem. Intranquilo e insensato... Novamente minha vida ao avesso de cabeça para baixo. Não sou mais um, nem mais eu, mas apenas, eu disse apenas, queria ser mais ignorante. Meu vocábulo com o passar do tempo foi-se expandindo. Ultimamente nem mesmo com ÈFI SETE, do editor de texto, estou utilizando. Saudades do tempo de quando falava tota-tola, nesta época, com certeza, não haveria entendido sua fúria nas palavras que me cortam a pele, o pelo, o sebo, o rego. Cale tua boca. Arranque as facas que estão entre os dentes.Malditos dentes... maldita faca... maldito eu.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Devaneios 0951

Pare! Não me agarre. Sei apenas que não mais quero tudo e ao mesmo tempo quero mais nada. Prolixo? Mortiço? Estrupício? Quem é você, quem sou eu, quem somos nós? Quem? Na contrabalança eu peso o peso do pesado peso do mundo anêmico. Anemia tem cura?, e abscesso nasal na minha massa cinzenta, manchada pelo humor negro lilás, que carrego a todo lado que sigo. O que tem cura? O que mata? O que desidrata? Venha se retrata, pois não quero mais virar a lata.

Ela e ele

Dezoito horas e eu aqui parada nesta esquina estranha. Tudo começou quando recebi a ligação dele. Há quanto tempo não ouvia aquela voz. Na hora que atendi, e reconheci quem era, meu coração palpitou. Bambeei as pernas. Senti um calor enorme. Aquele filho da puta não me procurava não sei há quanto tempo. Da última vez me usou e largou-me lá, no motel, com a conta pra pagar. Mas hoje, ao telefone, me disse que mudou. Que agora a coisa seria diferente. E eu, idiota apaixonada que sou, aceitei mais uma vez, dar-lhe a chance que pediu. Agora estou aqui nesta esquina, esperando o puto aparecer. Ai!, como sou idiota.

Eu sei, mulher é um bicho esquisito. Mas sou assim... apaixonada! Mesmo sendo por ele, não tenho vergonha. Já me falaram um monte, mas sabe como é, quando a coisa pega e a pegada é forte, a gente fica louca. Existe aquele ditado machista: “Amor que fica, é amor de pica”. Confesso que no início achava ri-dí-cu-lo, mas hoje, com esta experiência toda que tenho de vida,nestes meus dezenove anos de idade, concordo plenamente. Ele, por exemplo, só de pensar fico toda molhada. Vá entender bicho-mulher.

Lá vem ele. Não muda mesmo. A mesma calça jeans lavada, o tênis desamarrado, barba por fazer e aquele sorriso amarelo. Não sei o que vejo neste traste. Mas ele me fascina. Atrasado como sempre. Olha o andar dele, desengonço só, chego até ter dó. Mas quando me pega nos braços, começa a me beijar, vou às alturas. Sujeito sacana. Um puto na cama. Deixa-me retocar o batom, ele ama. Uma nova pincelada do perfume. Ajeitar a calcinha, colocando bem gostosa. Ajeitar o cabelo... pronto!, agora serei dele.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Um uísque, uma mulher, um pecado.

Ele ali. Assentado naquela mesa do bar. No fundo, na última mesa. Sob a penumbra. O uísque no copo com gelo a refrescar o hálito amargo da semana. O cigarro entre os dedos da mão esquerda. A fumaça a exaurir no espaço. Na vitrola uma música qualquer. Nem estava dando atenção ao que escutava. Apenas estava ali, fumando, bebendo, sonhando. A solidão ao lado como a melhor companhia, naquele momento. Mais nada. Mais ninguém. Apenas os dois.

A luz entra pelo vão da porta de ferro, junto com a luminosidade um vulto. O vulto se transforma numa bela silhueta. A silhueta se transforma. Ela chega! Sorri. Ele se encanta. Observa os grandes seios e a bela bunda. Um trago no cigarro. Um cheiro de menta. O sabor do perfume Dior penetra pela narina adentro. Arrepios. O mastro dá sinal. Ele levanta.

No balcão melado de cerveja derramada por outro qualquer, eles se encostam. Ela de costas pro balcão. Ele de frente para os seus grandes seios. Um trago no cigarro, outro no uísque, uma piadinha infame, um sorriso amarelo, uma cantada barata, um sorriso vagabundo, uma nota de cem reais enfiada na bolsa de mão, um acordo comercial. O hálito amargo da sexta-feira desaparece dando lugar ao hálito de feromônio.

A calça de oncinha grudada na pele demonstra a evidência de uma bela e suculenta anca. A placa vermelha demonstra o destino final dos dois corpos. Num amor pago, ele encontra a felicidade perdida no início do expediente. O céu era novamente seu. Em meios aos belos seios ele se acha um anjo que acabara de cair do céu. Seu céu. No deslizar dos corpos sobre a cama, ele arranca a pele da onça. O triângulo da perdição aparece. Ele, sem pensar, se entrega ao inferno. A santidade some. O céu escurece. Os olhos se completam. O sexo é feito.

A fumaça o desperta. Ele abre os olhos e se sente novamente aliviado. Olha para os lados, reconhece cada milímetro que lhe cerca. O Uísque ainda no copo o convida para mais um beberico. Espeta a linguiça defumada na tijelinha de metal. Olha para a porta e vê algo que lhe desperta um temor. O vulto da silhueta que o encantara naquele minuto de solidão. Sem pensar duas vezes, retira uma nota de cinquenta reais e deixa sob o copo.

Pensando na esposa que o esperava, sobe no ônibus e segue para casa. Aliviado do pecado infernal que não cometera.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Êxodo maldito

Será que você esqueceu-se da existência deste ser que precisa tanto da sua benevolência? – começou assim a carta ao amado, que a deixara a esperar durante meses. Ele, um rapaz alto e alvo, partiu do interior de Minas Gerais para a capital. O grande sonho da cidade grande. Ela ficou lá. Na pequena cidade onde todos sabem de tudo, e tudo se sabem de todos.

A esperança da volta era tão grande quanto a certeza do abandono. A incerteza do amor, vivido entre os dois, de ser lembrado e amado pelo amado distante. Havia três meses que ele não respondia mais a nenhuma carta. Nenhum telefonema. Nem email ele mandava. E com isto, o coração ficava cada vez mais apertado.

Ah vida ingrata! Logo ele, a quem ela presenteou com seu amor verdadeiro? Dores pelo corpo da alma alfinetavam a todo o momento.

Beijos Magali – finalizava assim a carta. Dobrou com carinho, espalhou um pouco de perfume, presente do amado, e colocou no envelope. Caminhou até a porta, destravou a tranca, girou a maçaneta... de susto encontrou com ele. Parado ali, na soleira da casa.

Alto e alvo, a pegou nos braços e morreram uns nos braços do outro. Num único beijo. Num único amor.

Devaneio 1201

Deprimido, reprimido, espremido... exprimido!

O que é isto, DBA?

Trágico! Único adjetivo que consigo achar para o desfeche desta noite de insônia. Vozes dos atrozes a me perseguirem durante toda a madrugada. Mãos a me perturbarem, arrancado lascas de vida de meu invólucro santificado. Eu sou o meu santo. Eu sou o meu altar. E mesmo assim, eles, não respeitaram nem um minuto minha santidade insana de pessoa e filho e irmão. Eles não respeitam nunca.

Eu preciso de um pouco de respeito. Ao menos um pouco!, nem que seja apenas para que respeitem o meu sagrado.

Sagrado! Sacro! Santificado! Meu Deus!, me socorra. Pegue-me em suas mãos santificadas e endeusadas e me retire o mais rápido deste inferno vil.

Nunca em momento algum, desde que me entendo por gente, fui tão ferozmente absorvido e execrado por algozes tão dementes. E eu só precisava de um pouco de paz!

Paz! É difícil?

Bendito sejas tu que me destes a vida e ao mesmo tempo, aos poucos, vem retirando a mesma. Pausadamente. Concupiscente. Eu sou seu. Eu sou de você, mas, você não é meu.

Território livre. Território 0-1. Que se explodam as reflexões desalmadas e filosóficas feitas por quem quer que seja.

Eu sou um homem binário. 0. 1. Nada mais, nada menos! Apenas 0 ou 1.

Apenas trágico. Apenas atrozes a me dominar. Apenas um texto. Nada mais do que isto... um texto. Simples escrito!

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Devaneios 0833

Um grato agrado me deixa de lado. Escornado na beira deste alambrado. Chapado, largado, enfiado neste mundo desalmado. E você, assentado na esquina da rua do lado, me encontra largado, sem ao menos ter me amado, uma única vez. Largou-me novamente de lado e pôs-se a caminhar... Sem seu afago, fiquei novamente consternado. Restou-me novamente o alambrado com um Domecq do lado. Chapado, travado, largado... desalmado!

terça-feira, 6 de julho de 2010

Devaneios 0945

Efêmero é o dia em que percebo a veracidade da voracidade escrita em meus olhos negros castanhos azuis verdes cegos. Efêmero é a paz que habita de forma habitual a minha lida.Efêmero é este texto.

Devaneios 0915

O achaque da vida se apresenta de formas dantescas e gigantescas, ou seriam gigantescas formas dantescas? Não sei. Não tenho respostas, e às vezes, nem mesmo perguntas eu tenho. Alguns dias pela manhã não tenho é nada!, nem o pó do café que tomo. Nem nada, nem tudo.

Efêmero

"Se tu achas que não te dou valor
Que não demonstro o meu amor
E que só penso no que é bom para mim
Saiba que também percebo em tua dor
A mesma vontade, o mesmo calor
Querendo o mundo inteiro só pra ti
Mas não viemos do mesmo lugar
Não sabemos onde vamos chegar
Bela é a diferença do amar

Cada gota que me deste
E as homenagens que eu te preste
São todas, juntas, tão pequenas para nós
Pois somo como o oceano
Executando nosso plano
De ser banhado por outros sóis
São tantos interesses em comum
Vamos tentar não esquecer nenhum
Porque por um momento, conseguimos ser um"

Fonte: Música: Efêmero
Autor: Moska

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Un lambrusco per favore!

Num relampejo único, a inércia da vida acaba. O horizonte se torna alvo. Meus olhos enxergam cada vez mais longe. Sinto a vida pulsar em minhas veias. Sangue por todo o corpo. Inquietude no coração. Sensações mais adversas possíveis e imaginárias. “Mi sento tutto quello che posso avere in questo momento”

Num café da manhã, num jantar a luz de vela. Um bom João Donato a cantarolar, mesmo que seja em minha cabeça, com seu piano reluzente e enfeitado com a chita que cobre teu corpo. Um universo numa taça de vinho. “Un lambrusco per favore!”

Teu corpo a mesa, servindo-me, meus olhos nos teus, minha mente ali, meu sexo com o teu. Três quartos são pequenos para o tamanho da noite. Precisamos da rua, da lua, da vida. A vida em uma garrafa é pouca.“Ehi ragazzo, mi porti un altro box di Lambrusco”

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Sorrisos, vivos, cantemos...

Andei, caminhei, cansei...

Em tudo, tudo estava.
Em nada, nada pertencia.
Somente a “Deus”, meu coração não repreendia.

Voltei, chorei, cantei...

Na epopéia da procura.
Na verdade nua e crua.
Somente a ti, meu coração procurava.

Sentei, liguei, amei...

Na procura findada.
No pertencer do seu ser.
Em tudo, desta única vez, você estava.

Gemi, meti, sorri...

E hoje vivo.
Vivo com vida de vida.
Vida minha, que agora é tua, que por sua vez... é nossa.

Sorrisos, vivos, cantemos...