sexta-feira, 9 de julho de 2010
O que é isto, DBA?
Trágico! Único adjetivo que consigo achar para o desfeche desta noite de insônia. Vozes dos atrozes a me perseguirem durante toda a madrugada. Mãos a me perturbarem, arrancado lascas de vida de meu invólucro santificado. Eu sou o meu santo. Eu sou o meu altar. E mesmo assim, eles, não respeitaram nem um minuto minha santidade insana de pessoa e filho e irmão. Eles não respeitam nunca.
Eu preciso de um pouco de respeito. Ao menos um pouco!, nem que seja apenas para que respeitem o meu sagrado.
Sagrado! Sacro! Santificado! Meu Deus!, me socorra. Pegue-me em suas mãos santificadas e endeusadas e me retire o mais rápido deste inferno vil.
Nunca em momento algum, desde que me entendo por gente, fui tão ferozmente absorvido e execrado por algozes tão dementes. E eu só precisava de um pouco de paz!
Paz! É difícil?
Bendito sejas tu que me destes a vida e ao mesmo tempo, aos poucos, vem retirando a mesma. Pausadamente. Concupiscente. Eu sou seu. Eu sou de você, mas, você não é meu.
Território livre. Território 0-1. Que se explodam as reflexões desalmadas e filosóficas feitas por quem quer que seja.
Eu sou um homem binário. 0. 1. Nada mais, nada menos! Apenas 0 ou 1.
Apenas trágico. Apenas atrozes a me dominar. Apenas um texto. Nada mais do que isto... um texto. Simples escrito!
Eu preciso de um pouco de respeito. Ao menos um pouco!, nem que seja apenas para que respeitem o meu sagrado.
Sagrado! Sacro! Santificado! Meu Deus!, me socorra. Pegue-me em suas mãos santificadas e endeusadas e me retire o mais rápido deste inferno vil.
Nunca em momento algum, desde que me entendo por gente, fui tão ferozmente absorvido e execrado por algozes tão dementes. E eu só precisava de um pouco de paz!
Paz! É difícil?
Bendito sejas tu que me destes a vida e ao mesmo tempo, aos poucos, vem retirando a mesma. Pausadamente. Concupiscente. Eu sou seu. Eu sou de você, mas, você não é meu.
Território livre. Território 0-1. Que se explodam as reflexões desalmadas e filosóficas feitas por quem quer que seja.
Eu sou um homem binário. 0. 1. Nada mais, nada menos! Apenas 0 ou 1.
Apenas trágico. Apenas atrozes a me dominar. Apenas um texto. Nada mais do que isto... um texto. Simples escrito!
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Simples escrito
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Devaneios 0833
Um grato agrado me deixa de lado. Escornado na beira deste alambrado. Chapado, largado, enfiado neste mundo desalmado. E você, assentado na esquina da rua do lado, me encontra largado, sem ao menos ter me amado, uma única vez. Largou-me novamente de lado e pôs-se a caminhar... Sem seu afago, fiquei novamente consternado. Restou-me novamente o alambrado com um Domecq do lado. Chapado, travado, largado... desalmado!
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Devaneios
terça-feira, 6 de julho de 2010
Devaneios 0945
Efêmero é o dia em que percebo a veracidade da voracidade escrita em meus olhos negros castanhos azuis verdes cegos. Efêmero é a paz que habita de forma habitual a minha lida.Efêmero é este texto.
Devaneios 0915
O achaque da vida se apresenta de formas dantescas e gigantescas, ou seriam gigantescas formas dantescas? Não sei. Não tenho respostas, e às vezes, nem mesmo perguntas eu tenho. Alguns dias pela manhã não tenho é nada!, nem o pó do café que tomo. Nem nada, nem tudo.
Efêmero
"Se tu achas que não te dou valor
Que não demonstro o meu amor
E que só penso no que é bom para mim
Saiba que também percebo em tua dor
A mesma vontade, o mesmo calor
Querendo o mundo inteiro só pra ti
Mas não viemos do mesmo lugar
Não sabemos onde vamos chegar
Bela é a diferença do amar
Cada gota que me deste
E as homenagens que eu te preste
São todas, juntas, tão pequenas para nós
Pois somo como o oceano
Executando nosso plano
De ser banhado por outros sóis
São tantos interesses em comum
Vamos tentar não esquecer nenhum
Porque por um momento, conseguimos ser um"
Fonte: Música: Efêmero
Autor: Moska
Que não demonstro o meu amor
E que só penso no que é bom para mim
Saiba que também percebo em tua dor
A mesma vontade, o mesmo calor
Querendo o mundo inteiro só pra ti
Mas não viemos do mesmo lugar
Não sabemos onde vamos chegar
Bela é a diferença do amar
Cada gota que me deste
E as homenagens que eu te preste
São todas, juntas, tão pequenas para nós
Pois somo como o oceano
Executando nosso plano
De ser banhado por outros sóis
São tantos interesses em comum
Vamos tentar não esquecer nenhum
Porque por um momento, conseguimos ser um"
Fonte: Música: Efêmero
Autor: Moska
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Olhos de fino trato
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Un lambrusco per favore!
Num relampejo único, a inércia da vida acaba. O horizonte se torna alvo. Meus olhos enxergam cada vez mais longe. Sinto a vida pulsar em minhas veias. Sangue por todo o corpo. Inquietude no coração. Sensações mais adversas possíveis e imaginárias. “Mi sento tutto quello che posso avere in questo momento”
Num café da manhã, num jantar a luz de vela. Um bom João Donato a cantarolar, mesmo que seja em minha cabeça, com seu piano reluzente e enfeitado com a chita que cobre teu corpo. Um universo numa taça de vinho. “Un lambrusco per favore!”
Teu corpo a mesa, servindo-me, meus olhos nos teus, minha mente ali, meu sexo com o teu. Três quartos são pequenos para o tamanho da noite. Precisamos da rua, da lua, da vida. A vida em uma garrafa é pouca.“Ehi ragazzo, mi porti un altro box di Lambrusco”
Num café da manhã, num jantar a luz de vela. Um bom João Donato a cantarolar, mesmo que seja em minha cabeça, com seu piano reluzente e enfeitado com a chita que cobre teu corpo. Um universo numa taça de vinho. “Un lambrusco per favore!”
Teu corpo a mesa, servindo-me, meus olhos nos teus, minha mente ali, meu sexo com o teu. Três quartos são pequenos para o tamanho da noite. Precisamos da rua, da lua, da vida. A vida em uma garrafa é pouca.“Ehi ragazzo, mi porti un altro box di Lambrusco”
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quinta-feira, 1 de julho de 2010
Sorrisos, vivos, cantemos...
Andei, caminhei, cansei...
Em tudo, tudo estava.
Em nada, nada pertencia.
Somente a “Deus”, meu coração não repreendia.
Voltei, chorei, cantei...
Na epopéia da procura.
Na verdade nua e crua.
Somente a ti, meu coração procurava.
Sentei, liguei, amei...
Na procura findada.
No pertencer do seu ser.
Em tudo, desta única vez, você estava.
Gemi, meti, sorri...
E hoje vivo.
Vivo com vida de vida.
Vida minha, que agora é tua, que por sua vez... é nossa.
Sorrisos, vivos, cantemos...
Em tudo, tudo estava.
Em nada, nada pertencia.
Somente a “Deus”, meu coração não repreendia.
Voltei, chorei, cantei...
Na epopéia da procura.
Na verdade nua e crua.
Somente a ti, meu coração procurava.
Sentei, liguei, amei...
Na procura findada.
No pertencer do seu ser.
Em tudo, desta única vez, você estava.
Gemi, meti, sorri...
E hoje vivo.
Vivo com vida de vida.
Vida minha, que agora é tua, que por sua vez... é nossa.
Sorrisos, vivos, cantemos...
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quarta-feira, 30 de junho de 2010
Corpo
Eu amo teu corpo, porém, antes de amá-lo pela primeira vez, amei teu cheiro... mas de antemão amei teu toque e antes disto tudo, me apaixonei pelo teu sorriso. Sorriso branco de lua cheia. Lua de minha vida, vida minha de lua.
Surpreenda-me!
Tenho visto em muitos MSN’S e twitters pessoas com o mesmo discurso: “me surpreenda”. Não sei ao certo o que as pessoas desejam com isto, mas passeando há pouco com a Maristella fiquei pensando: Será que esta não é uma maneira medíocre de mandar a responsabilidade da conquista para o outro?
Surpreenda-me! Sempre a mesma ladainha. Normalmente tenho visto isto escrito em perfis femininos. Contei aqui, neste instante no meu MSN, quatro contatos com esta frase. E todos os contatos de amigas. Mas, com certeza, deve existir algum homem com esta pseudo-mensagem.
Há muito tempo não surpreendo ninguém. Sou assim... vivo assim... só não vou morrer assim!, afinal, seria o cúmulo do absurdo querer morrer da mesma maneira que nasci. A gente muda. Isto é claro e evidente.
“Me surpreenda” os escambau! Lute! Arregaçe a camisa e vá à luta! Seja gente, gente pensante, gente que gosta de gente do jeito que a gente é! Pare de sonhar com o príncipe/princesa encantada em seu belo Porshe branco chegando na sua casa e finalmente te pegando pelos braços. Deixa disto. Caia na rua e sinta as pessoas que existem e vivem.
E, simplesmente, te surpreenda!
Surpreenda-me! Sempre a mesma ladainha. Normalmente tenho visto isto escrito em perfis femininos. Contei aqui, neste instante no meu MSN, quatro contatos com esta frase. E todos os contatos de amigas. Mas, com certeza, deve existir algum homem com esta pseudo-mensagem.
Há muito tempo não surpreendo ninguém. Sou assim... vivo assim... só não vou morrer assim!, afinal, seria o cúmulo do absurdo querer morrer da mesma maneira que nasci. A gente muda. Isto é claro e evidente.
“Me surpreenda” os escambau! Lute! Arregaçe a camisa e vá à luta! Seja gente, gente pensante, gente que gosta de gente do jeito que a gente é! Pare de sonhar com o príncipe/princesa encantada em seu belo Porshe branco chegando na sua casa e finalmente te pegando pelos braços. Deixa disto. Caia na rua e sinta as pessoas que existem e vivem.
E, simplesmente, te surpreenda!
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Simples escrito
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Nus
Seus olhos nus, a descobrir o meu corpo coberto pelo desejo. Seu desejo de me desejar. Se desejar em me querer. Nossos corpos nus. Nus pelos seus olhos nus. Corpos sedentos de sede dum do outro. Nus... crus... enfim, nós novamente nos amando nus.
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Pequenos poemas
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Olha minha flor
Olha minha flor, por mais que baleie o coração deste ser que te persegue e venera, seja feliz!, mesmo que sozinha, mesmo que com outro, mesmo que fosse com quê.
Olha minha flor, por mais que qualquer coisa que possa acontecer, pela única e peculiar vida que posso te dar, se é do seu desejo a felicidade ímpar, eu fico aqui a esperar o dia louco em que você possa crescer e finalmente voltar.
Olha minha flor, olha de coração, olhe para trás e me veja. A dor, a cor, a flor.
A flor que eu deixei ir, viver só e feliz.
A dor que acolhi no vazio do vaso que vazou e te deixou partir.
A cor pálida que ficou nossa casa, cor da derrota derrotada em campos de batalhas jamais andados por este que ficou na janela a vê-la partir e sorrir.
Olha minha flor, olha!
Olha minha flor, por mais que qualquer coisa que possa acontecer, pela única e peculiar vida que posso te dar, se é do seu desejo a felicidade ímpar, eu fico aqui a esperar o dia louco em que você possa crescer e finalmente voltar.
Olha minha flor, olha de coração, olhe para trás e me veja. A dor, a cor, a flor.
A flor que eu deixei ir, viver só e feliz.
A dor que acolhi no vazio do vaso que vazou e te deixou partir.
A cor pálida que ficou nossa casa, cor da derrota derrotada em campos de batalhas jamais andados por este que ficou na janela a vê-la partir e sorrir.
Olha minha flor, olha!
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Simples escrito
terça-feira, 22 de junho de 2010
Chico, Xico, Rio
Deitado ao som de Chico,
Minto,
Suplico,
Eu sinto!
Suplico seu voltar,
O renascer,
O viver,
Fico a chorar.
No Rio pela canção,
Calor,
Amor,
Passeio no calçadão.
Minto,
Suplico,
Eu sinto!
Suplico seu voltar,
O renascer,
O viver,
Fico a chorar.
No Rio pela canção,
Calor,
Amor,
Passeio no calçadão.
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Poesia sem ser poeta
O poder
Nesta alternância de poder,
Eu mando em você,
Você manda em mim,
E quem manda e comanda em nós?
Claro,
Ele,
O sentimento maior,
O pai de toda dor,
O irmão de ardor,
O filho de todo o desejo,
O único e indiscutível...
Amor!
Eu mando em você,
Você manda em mim,
E quem manda e comanda em nós?
Claro,
Ele,
O sentimento maior,
O pai de toda dor,
O irmão de ardor,
O filho de todo o desejo,
O único e indiscutível...
Amor!
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domingo, 20 de junho de 2010
Devaneio 0038
Desisto! Entrego novamente o meu corpo, a minha alma, o meu ser... ao limbo.
Limbo... Ele... Crespo, nervoso, liso, hilário... reacionário...
Que lindo, ao menos rima, e cadê o clima? Clima pra quê? Pra me foder?
O inferno me acerta em cheio. E o querer me erra.
Eu amo! Eu clamo! Eu Reclamo! Ah... que desânimo!
E novamente me sinto aqui!, será que algo tem?
Quem? Tem? Heim?
Na verdade nada mais me aumenta o lamento.
Nem ao menos, o teu corpo, o seu gosto.
Agosto, julho, junho... nada nada.
Nem eu, nem tu, nem nada!
Limbo... Ele... Crespo, nervoso, liso, hilário... reacionário...
Que lindo, ao menos rima, e cadê o clima? Clima pra quê? Pra me foder?
O inferno me acerta em cheio. E o querer me erra.
Eu amo! Eu clamo! Eu Reclamo! Ah... que desânimo!
E novamente me sinto aqui!, será que algo tem?
Quem? Tem? Heim?
Na verdade nada mais me aumenta o lamento.
Nem ao menos, o teu corpo, o seu gosto.
Agosto, julho, junho... nada nada.
Nem eu, nem tu, nem nada!
sábado, 19 de junho de 2010
Vinho
Eu, você, nós dois. Numa mesa, num bar. Eu, você, um vinho, uma vela. O escuro, a vela, seu sorriso, nós dois. A noite, o vinho, a vela, o frio e seu sorriso iluminando a vida. A vida, o solo, o céu, a uva, o vinho, nós dois. Nós dois, nós nus, nós nos.
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Pequenos poemas
Antítese de mim
Caminhando apressadamente pela Rua da Bahia, ele é surpreendido pela voz calma...
- Olá! Tudo bem?
- Olá...
- Olá...
- Tudo bem? Você está bem?
- Você está bem?
- Quem é você?
- Eu!? Fácil responder isto. Eu sou a sua antítese!
- Hã?! Que isto? Realmente você está bem?
- Você está?
- Eu estou!
- Então eu não!
Já irritado com o rumo da conversa, ele coçou a cabeça. Pediu aos céus que lhe desse um pouco mais de paciência, já que aquele dia havia começado conturbado. Franziu a testa e novamente dirigiu seu olhar à pessoa que o interceptara no meio da calçada.
- Olha eu não te conheço. Não sei quem é você. O que pensa. O que quer comigo!?
- Já te expliquei. Eu sou a sua antítese. Sua nova forma morfológica. A semântica do que você não vê, não sente, não nada. Eu sou isto, o aquilo e talvez, eu disse talvez, dependendo da maneira que você estiver, eu serei o tudo. O luto. A vida. O amor. E a dor. Eu sou você assim... ao contrário, com sentido e de uma maneira nova.
Ele respira profundamente, fecha os olhos, passa a mão na testa. Sente o suor escorrendo. Abre os olhos novamente e não enxerga mais a pessoa a sua frente.
- Olá! Tudo bem?
- Olá...
- Olá...
- Tudo bem? Você está bem?
- Você está bem?
- Quem é você?
- Eu!? Fácil responder isto. Eu sou a sua antítese!
- Hã?! Que isto? Realmente você está bem?
- Você está?
- Eu estou!
- Então eu não!
Já irritado com o rumo da conversa, ele coçou a cabeça. Pediu aos céus que lhe desse um pouco mais de paciência, já que aquele dia havia começado conturbado. Franziu a testa e novamente dirigiu seu olhar à pessoa que o interceptara no meio da calçada.
- Olha eu não te conheço. Não sei quem é você. O que pensa. O que quer comigo!?
- Já te expliquei. Eu sou a sua antítese. Sua nova forma morfológica. A semântica do que você não vê, não sente, não nada. Eu sou isto, o aquilo e talvez, eu disse talvez, dependendo da maneira que você estiver, eu serei o tudo. O luto. A vida. O amor. E a dor. Eu sou você assim... ao contrário, com sentido e de uma maneira nova.
Ele respira profundamente, fecha os olhos, passa a mão na testa. Sente o suor escorrendo. Abre os olhos novamente e não enxerga mais a pessoa a sua frente.
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sexta-feira, 18 de junho de 2010
Trinta e sete anos
Em frente ao espelho do banheiro ele finalmente tem certeza. Talvez a certeza mais terrível da sua vida, talvez da sua morte, mas, com certeza, era a mais terrível, independente de qual dimensão estivesse. O vapor do chuveiro havia embaçado todo o espelho. Com a mão suja de sabonete ele tentava limpar o espelho para ter certeza da sua terrível certeza.
Com o espelho desenfumaçado fixa o olhar. Tenta focar o máximo possível naquele ponto. Olha firmemente. Força as vistas até doer. E constata o que um dia seria inevitável! Ela chegou!
Consternado, começou a lembrar da jornada. Desde quando era pequeno, de cabelos loiros, correndo nas ruas do Primeiro de Maio, brincando na carvoaria da família. Depois se lembrou dos passeios de carroça do “Tio” Zé Guedes. Da linha do trem de ferro que ia do São Gabriel até perto da casa dos avós. Os passeios nos carrinhos de rolimã, na máscara de capeta do Tio Paulo. Nos cinemas com as tias Rutinha, Neide, Solimar e Sônia. Do macacão do Falcon, do pássaro preto do Vô Vicente, do palavreado da Vó Preta. Dos natais. Dos presentes da Tia Luzia. Das bananas vendidas na quitanda do avô. Foi lembrando-se da vida.
Lembrou-se dos sapatos Kildare, da calça Hamuche, dos beijos da mãe, das revistinhas de colorir que ganhou do pai de presente de aniversário. Lembrou-se dos cavalos de pau dados no Fusca meia nove. Dos amassos no Voyage oitenta e dois prata no campo do Saga. Da primeira namorada, dos amigos desta longa estrada. Do Ró, que partiu antes da hora e do Armadinho, que seguiu o mesmo caminho.
E o salsichão caído no chão, que foi comprado com muito custo com a vaquinha do pessoal da faculdade?, lembrou-se também. Até das vindas a Juatuba no Brava verde do Ângelo. Das maconhas fumadas no Opala noventa e dois com o Souza. Das cachaças e choros esvaziados com o Tião. Dos passeios na praia com Neto e Brubas. Das aventuras e desventuras vivenciadas com os “Pinguços”.
Mesmo com a certeza convicta de que ele chegara, não se arrependia de nada do que passou. Saiu do banheiro, caminhou até a sala e viu Vitor. Sorriu um sorriso alegre, leve, único. Retornou novamente ao banheiro e, mais uma vez, focou os olhos no espelho.
Realmente ele estava lá! Único como foi a sua vida. O primeiro fio de cabelo branco saindo da narina esquerda do seu monstruoso e incomparável nariz. A idade chegava. Os fios brancos rebeldes brotavam sem ao menos pedir licença. E a vida doada por Ele, vivida em grande vontade e gozo.
Feliz com toda a constatação da vida, pega uma tesoura, e sem pensar duas vezes, corta o delator dos seus trinta e sete anos.
Com o espelho desenfumaçado fixa o olhar. Tenta focar o máximo possível naquele ponto. Olha firmemente. Força as vistas até doer. E constata o que um dia seria inevitável! Ela chegou!
Consternado, começou a lembrar da jornada. Desde quando era pequeno, de cabelos loiros, correndo nas ruas do Primeiro de Maio, brincando na carvoaria da família. Depois se lembrou dos passeios de carroça do “Tio” Zé Guedes. Da linha do trem de ferro que ia do São Gabriel até perto da casa dos avós. Os passeios nos carrinhos de rolimã, na máscara de capeta do Tio Paulo. Nos cinemas com as tias Rutinha, Neide, Solimar e Sônia. Do macacão do Falcon, do pássaro preto do Vô Vicente, do palavreado da Vó Preta. Dos natais. Dos presentes da Tia Luzia. Das bananas vendidas na quitanda do avô. Foi lembrando-se da vida.
Lembrou-se dos sapatos Kildare, da calça Hamuche, dos beijos da mãe, das revistinhas de colorir que ganhou do pai de presente de aniversário. Lembrou-se dos cavalos de pau dados no Fusca meia nove. Dos amassos no Voyage oitenta e dois prata no campo do Saga. Da primeira namorada, dos amigos desta longa estrada. Do Ró, que partiu antes da hora e do Armadinho, que seguiu o mesmo caminho.
E o salsichão caído no chão, que foi comprado com muito custo com a vaquinha do pessoal da faculdade?, lembrou-se também. Até das vindas a Juatuba no Brava verde do Ângelo. Das maconhas fumadas no Opala noventa e dois com o Souza. Das cachaças e choros esvaziados com o Tião. Dos passeios na praia com Neto e Brubas. Das aventuras e desventuras vivenciadas com os “Pinguços”.
Mesmo com a certeza convicta de que ele chegara, não se arrependia de nada do que passou. Saiu do banheiro, caminhou até a sala e viu Vitor. Sorriu um sorriso alegre, leve, único. Retornou novamente ao banheiro e, mais uma vez, focou os olhos no espelho.
Realmente ele estava lá! Único como foi a sua vida. O primeiro fio de cabelo branco saindo da narina esquerda do seu monstruoso e incomparável nariz. A idade chegava. Os fios brancos rebeldes brotavam sem ao menos pedir licença. E a vida doada por Ele, vivida em grande vontade e gozo.
Feliz com toda a constatação da vida, pega uma tesoura, e sem pensar duas vezes, corta o delator dos seus trinta e sete anos.
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quinta-feira, 17 de junho de 2010
Anexos
Somos assim,
Eu pertenço a ela,
Ela pertence a mim,
Anexados um ao outro,
Na vida,
Na cama,
Na lida,
Eu sou dela,
Ela é d’eu!
Eu pertenço a ela,
Ela pertence a mim,
Anexados um ao outro,
Na vida,
Na cama,
Na lida,
Eu sou dela,
Ela é d’eu!
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Simples escrito
Vida
Encontro naturalmente o caminho do teu corpo,
Nele, sem pestanejar, sinto a felicidade,
Naturalmente, também, é o gozo da vida,
O gozo do gozo de gozar com você!
Nele, sem pestanejar, sinto a felicidade,
Naturalmente, também, é o gozo da vida,
O gozo do gozo de gozar com você!
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De BH até Betim
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Uma dose de conhaque
O álcool já demonstrava seus efeitos. A noite fria sugeria mais uma dose do conhaque para aquecer-lhe novamente o peito. Estava ali, naquele bar da praça, ao menos umas duas horas. Não sabia o porquê de estar ali, entre tantos bares foi parar logo ali, ao lado da casa dela.
O coração apertado, o sexo em atraso, o amor desleixado. Saudades do corpo que, até há pouco tempo, lhe pertencia. Tragou a última dose e, como se estivesse em transe, começou a caminhar rumo à casa da deusa. Cabisbaixo, e calçando a máscara do desejo, prostrou-se em frente do prédio.
As lembranças renasciam em sua cabeça. Lembrava-se da boca, da voz, do cheiro do corpo, dos seios duros e fartos, do vaivém frenético do quadril, do gosto da boceta na boca. As lembranças excitavam-no, mas o medo da rejeição o fazia temer apertar o interfone. O desejo de vê-la era forte. A vontade de tê-la mais uma vez era enorme. O sexo perfeito, ali; era só apertar o número do apartamento e pronto. Pensou novamente se seria apropriado aquele momento, se não haveria outro em seu lugar, se ela ainda o desejava, se... se. Virou-se para a rua e almejou chegar à outra calçada, quando uma voz conhecida o chama.
O sorriso recebido e doado, as trocas de mãos, o beijo furtivo. Entraram prédio adentro, resenharam sobre fatos, coisas, festas, shows e beijos. O assunto surgia, o corpo reclamava a falta, o sexo cheirava.
As bocas se entrelaçaram num balé de corpos no chão da sala, corpos à mostra, seios, pelos, boceta, pau, sexo, gozo. Juras de desejo, beijos longos, amor imperando. Acabaram-se na sala. Janis Joplin cantarolava, e eles ainda com o desejo do amor em seus corpos. Caminharam de mãos dadas para o quarto, onde novamente se amaram.
O corpo dourado pela luz da lua, a boca com o gosto gostoso que só ela possui, os seios amados e cultuados, o púbis nu do pêlo, o amor no sexo. O gozo jorrava, a oração do gozo era repetida como uma ladainha, o desejo de morrer ali, naquela hora, era imenso. O quadril deslizava em suas mãos levando a bunda direto ao seu cacete. O urro do tesão preenchia o vazio do quarto. Seu amor, de quatro, sendo possuída mais uma vez. O céu ali.
Amaram-se durante horas. Horas que pareciam meses, tamanha a intensidade do amor. De pé, ele a beija e desce a escada ganhando novamente a rua. Prometendo a si próprio que voltaria e reencontraria a paz novamente.
O coração apertado, o sexo em atraso, o amor desleixado. Saudades do corpo que, até há pouco tempo, lhe pertencia. Tragou a última dose e, como se estivesse em transe, começou a caminhar rumo à casa da deusa. Cabisbaixo, e calçando a máscara do desejo, prostrou-se em frente do prédio.
As lembranças renasciam em sua cabeça. Lembrava-se da boca, da voz, do cheiro do corpo, dos seios duros e fartos, do vaivém frenético do quadril, do gosto da boceta na boca. As lembranças excitavam-no, mas o medo da rejeição o fazia temer apertar o interfone. O desejo de vê-la era forte. A vontade de tê-la mais uma vez era enorme. O sexo perfeito, ali; era só apertar o número do apartamento e pronto. Pensou novamente se seria apropriado aquele momento, se não haveria outro em seu lugar, se ela ainda o desejava, se... se. Virou-se para a rua e almejou chegar à outra calçada, quando uma voz conhecida o chama.
O sorriso recebido e doado, as trocas de mãos, o beijo furtivo. Entraram prédio adentro, resenharam sobre fatos, coisas, festas, shows e beijos. O assunto surgia, o corpo reclamava a falta, o sexo cheirava.
As bocas se entrelaçaram num balé de corpos no chão da sala, corpos à mostra, seios, pelos, boceta, pau, sexo, gozo. Juras de desejo, beijos longos, amor imperando. Acabaram-se na sala. Janis Joplin cantarolava, e eles ainda com o desejo do amor em seus corpos. Caminharam de mãos dadas para o quarto, onde novamente se amaram.
O corpo dourado pela luz da lua, a boca com o gosto gostoso que só ela possui, os seios amados e cultuados, o púbis nu do pêlo, o amor no sexo. O gozo jorrava, a oração do gozo era repetida como uma ladainha, o desejo de morrer ali, naquela hora, era imenso. O quadril deslizava em suas mãos levando a bunda direto ao seu cacete. O urro do tesão preenchia o vazio do quarto. Seu amor, de quatro, sendo possuída mais uma vez. O céu ali.
Amaram-se durante horas. Horas que pareciam meses, tamanha a intensidade do amor. De pé, ele a beija e desce a escada ganhando novamente a rua. Prometendo a si próprio que voltaria e reencontraria a paz novamente.
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Vida bandida
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Frio de julho
Quero amar como nas noites de julho,
O frio corta a carne latente,
O sexo fica mais quente,
O amor brota em seu sorriso.
Quero sentir as noites de julho,
O ar gelado nos cercando,
Sua boca quente suplicando,
E a vida a seguir liso.
Quero as noites de julho,
Quero você além de julho,
Amo viver as noites em julho,
Detesto sofrer o frio de agora.
O frio corta a carne latente,
O sexo fica mais quente,
O amor brota em seu sorriso.
Quero sentir as noites de julho,
O ar gelado nos cercando,
Sua boca quente suplicando,
E a vida a seguir liso.
Quero as noites de julho,
Quero você além de julho,
Amo viver as noites em julho,
Detesto sofrer o frio de agora.
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Devaneios 0300
No sorriso do teu olhar,
Jogo-me no chão,
E novamente deixo-me pisotear pelo teu amor!
Jogo-me no chão,
E novamente deixo-me pisotear pelo teu amor!
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Devaneios
domingo, 13 de junho de 2010
Devaneios 0012
Hoje a noite é de ardor,
A pimenta me queima a boca,
O sexo inerte não me satisfaz,
Meu amor por um punhado de dólar.
A pimenta me queima a boca,
O sexo inerte não me satisfaz,
Meu amor por um punhado de dólar.
Nós dois!
E mais uma noite acaba. E com ela, ao meu lado, volto para casa. Abro a porta e juntos entramos. Procuramos o mesmo copo. A mesma água, o mesmo gole, o mesmo mesmo.
O frio contundente, desta noite, mostra o tanto que estamos juntos. Unha e carne. Sangue e veias. Eu e ela. Nós dois.
Sem frescura deitamos juntos. Nus, inteiramente pelados, nos abraçamos. Aquecemos-nos no frio que nós mesmos provocamos.
A noite de prazer, o amor único, cada qual no seu lado da cama. Sonhos, desilusões e luxúria.
Pela manhã viro para o lado. Peço incansavelmente que ela vá embora, afinal, não a quero tão perto de mim.
Ela, como todas as manhãs, tenta me convencer do tanto que é importante em minha vida. Em minha sobrevida. Em minha sorte.
Eu, amargamente amado, suplico para que ela me deixe. Que nunca mais volte. Que abandone minha cama, pois preciso do calor, do tato, da saliva e do céu.
Ela diz que não. Não me abandonará nunca mais. Sempre estará comigo. Seremos dois sempre sempre.
Sem conseguir convencê-la a abraço novamente e choro em seu colo. Embalado novamente nos seus braços, vamos andando lado a lado.
Eu e a solidão. A solidão e eu. Ela e eu. Eu e ela. Nós dois!
O frio contundente, desta noite, mostra o tanto que estamos juntos. Unha e carne. Sangue e veias. Eu e ela. Nós dois.
Sem frescura deitamos juntos. Nus, inteiramente pelados, nos abraçamos. Aquecemos-nos no frio que nós mesmos provocamos.
A noite de prazer, o amor único, cada qual no seu lado da cama. Sonhos, desilusões e luxúria.
Pela manhã viro para o lado. Peço incansavelmente que ela vá embora, afinal, não a quero tão perto de mim.
Ela, como todas as manhãs, tenta me convencer do tanto que é importante em minha vida. Em minha sobrevida. Em minha sorte.
Eu, amargamente amado, suplico para que ela me deixe. Que nunca mais volte. Que abandone minha cama, pois preciso do calor, do tato, da saliva e do céu.
Ela diz que não. Não me abandonará nunca mais. Sempre estará comigo. Seremos dois sempre sempre.
Sem conseguir convencê-la a abraço novamente e choro em seu colo. Embalado novamente nos seus braços, vamos andando lado a lado.
Eu e a solidão. A solidão e eu. Ela e eu. Eu e ela. Nós dois!
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sábado, 12 de junho de 2010
Devaneios 1054
Não se incomode,
Não...
Não me acode,
Não...
Pare, deixa pra lá,
Deixe...
Sabe que sou,
Único,
E apenas,
Um factóide.
Não...
Não me acode,
Não...
Pare, deixa pra lá,
Deixe...
Sabe que sou,
Único,
E apenas,
Um factóide.
Logo por ela.
Eu não amo mais. Apesar de demonstrar este sentimento com tanta facilidade, não acredito mais no amor. Talvez tenha amado até ontem, ou quem sabe até hoje pela manhã. Cansei desta prosa de amor. Na verdade não sei se é prosa ou se é farsa. Ao certo mesmo é que me cansei deste louco e insano blábláblá. Minhas unhas, vermelhas agora, estão mais frágeis. Meu saco murcho. E você sentada naquela esquina se deliciando com outros e outras. Não quero mais falar de amor. Ele não existe. Eu não existo. E refletindo calmamente nós nunca existimos! – Com uma força descomunal ele terminava o ponto de exclamação.
A força foi tão bruta, que rasgou o papel tenro do bloco que ficava disponível no quarto do hotel. Com os olhos umedecidos pelas poucas lágrimas que ele permitia escorrer na sua face, voltou-se para a janela. Do décimo oitavo andar admirava a Bacia de Santos. Longe de sua terra infortunamente descobriu a traição rondando em sua casa. Logo ela que ele tanto amava. Logo ela pela qual, ele, dedicara todo o sentimento mais nobre. Logo ela que um dia jurou fidelidade no altar. Logo ela.
Leu novamente o que acabara de escrever. E envolto de soluços, estes mais verdadeiros que o sentimento expressado por ela, embolou o papel e jogou no lixo. Voltou para cama, e com o sono que havia chegado depois de engolir os dez calmantes, desmaiou pensando nela. Logo nela.
A força foi tão bruta, que rasgou o papel tenro do bloco que ficava disponível no quarto do hotel. Com os olhos umedecidos pelas poucas lágrimas que ele permitia escorrer na sua face, voltou-se para a janela. Do décimo oitavo andar admirava a Bacia de Santos. Longe de sua terra infortunamente descobriu a traição rondando em sua casa. Logo ela que ele tanto amava. Logo ela pela qual, ele, dedicara todo o sentimento mais nobre. Logo ela que um dia jurou fidelidade no altar. Logo ela.
Leu novamente o que acabara de escrever. E envolto de soluços, estes mais verdadeiros que o sentimento expressado por ela, embolou o papel e jogou no lixo. Voltou para cama, e com o sono que havia chegado depois de engolir os dez calmantes, desmaiou pensando nela. Logo nela.
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sexta-feira, 11 de junho de 2010
Um beijo
Sexta, cesta, sesta ?
Não seja besta!,
Eu só quero cair em seus braços e matar-me no seu amor,
Jorrar meu jorro de gozo no teu gozo,
Ser feliz ao menos esta noite,
E por fim...
Suplicar mais uma vez um beijo seu.
Não seja besta!,
Eu só quero cair em seus braços e matar-me no seu amor,
Jorrar meu jorro de gozo no teu gozo,
Ser feliz ao menos esta noite,
E por fim...
Suplicar mais uma vez um beijo seu.
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quinta-feira, 10 de junho de 2010
Fase em frase
No universo frio, meus olhos ardem, sem ao menos ver a luz da vida novamente.
O sol tenta aquecer, mas do jeito que estou, nem a lua conseguiria.
Finalmente entendo a solidão!
Obviamente a procurei.
É sensato às vezes tê-la ao lado.
O sol tenta aquecer, mas do jeito que estou, nem a lua conseguiria.
Finalmente entendo a solidão!
Obviamente a procurei.
É sensato às vezes tê-la ao lado.
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quarta-feira, 9 de junho de 2010
Sumariamente apaixonado
Sumariamente apaixonado pela vida. Acordei desta maneira, nesta manhã fria e insensata. A cabeça me doía, o nariz não estava nada bem e, para completar, atrasado! Olhei para a porta ainda fechada, fui ao quarto do meu filho. Ele, arrumado, me esperava para ir ao colégio. Tomei um banho corrido, penteei o que deu do cabelo e segui meu caminho. Apaixonado pela vida.
Jeep sujo, ar-condicionado funcionando precariamente, jornal falando de coisas nada agradáveis e eu ali, sumariamente apaixonado pela vida.
Não!, não vá pensando que apareceu uma moça em minha vida, que Maristella reaprendeu a fazer xixi no lugar certo, que Vitor recuperou as notas perdidas ou que Guinelo fez cirurgia e consertou o nariz. Nada disto aconteceu!, nadica de nada mesmo. Apenas acordei, olhei pro céu cinza e resolvi me apaixonar pela vida.
A Contorno, como sempre, abarrotada de carros e de gente. A Via Expressa nem precisa dizer, não é? E a Fernão Dias? Claro que tudo estava do mesmo jeito, nada novo, sempre engarrafado. E pra terminar, não tomei meu expresso nesta manhã, afinal, acordei atrasado. E mesmo assim, com tudo dando errado, resolvi ficar apaixonado pela vida.
Jeep sujo, ar-condicionado funcionando precariamente, jornal falando de coisas nada agradáveis e eu ali, sumariamente apaixonado pela vida.
Não!, não vá pensando que apareceu uma moça em minha vida, que Maristella reaprendeu a fazer xixi no lugar certo, que Vitor recuperou as notas perdidas ou que Guinelo fez cirurgia e consertou o nariz. Nada disto aconteceu!, nadica de nada mesmo. Apenas acordei, olhei pro céu cinza e resolvi me apaixonar pela vida.
A Contorno, como sempre, abarrotada de carros e de gente. A Via Expressa nem precisa dizer, não é? E a Fernão Dias? Claro que tudo estava do mesmo jeito, nada novo, sempre engarrafado. E pra terminar, não tomei meu expresso nesta manhã, afinal, acordei atrasado. E mesmo assim, com tudo dando errado, resolvi ficar apaixonado pela vida.
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Lupiciniando
Encostar-me em seu corpo,
Espelhar meu rosto nos seus olhos,
Amar-me em seus braços,
Penetrar em sua alma,
Ser eu de você,
Ser você de eu!
Espelhar meu rosto nos seus olhos,
Amar-me em seus braços,
Penetrar em sua alma,
Ser eu de você,
Ser você de eu!
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Poesia sem ser poeta
terça-feira, 8 de junho de 2010
Virei burguês
Acordei hoje com um frio danado. Manhãs de junho são indecentemente frias. Mas esta foi mais. Não sei o porquê, mas me senti mais friorento. Eram seis horas da manhã, o céu cinza, típico de junho. O corpo gelado, os pés quentes. Achei que havia algo de errado. Olhei pra porta, estava fechada. Verifiquei a janela do quadrado da terra santa, fechada também. Não conseguia achar explicações para o frio!, nada mostrava o motivo do frio.
Outra vez o celular desperta. Às vezes tenho vontade de arremessá-lo contra a parede. Todo dia é a mesma ladainha. Aquela música aterrorizante me incomoda. Mostra-me que está na hora do despertar. Pior que o despertar das manhãs de junho é o programa “Despertar da fé”, que passa numa emissora destas aí. Não assisti, realmente nunca assisti, mas imagino do que se trata. Algum “em-veado” do Todo Poderoso pregando “suas” coisas. E o interessante é que existe gente que acredita nisto. Tudo bem, é questão de cada um. Eu não acredito nem assisto. Afinal, os meus dez por cento é do garçom. Pessoa bem mais confiável.
Passados os tão deliciosos cinco minutos, o danado me relembra, mais uma vez, que está na hora. E o frio apertava mais. E eu não entendendo como estava com os pés quentes e o corpo frio. Fui verificar o que estava acontecendo.
Minha gente, meu povo, meus amigos, meus meus!, virei burguês! Sério, lembra aquela música do Barão?, pois é, dormi de meias! Logo eu, um socialista convicto, um rapaz oriundo da classe Z, agora burguês. Mas teve bom. O pé tava quentinho, parecia não sei o quê. Ai ai, como é bom dormir de meias. Já experimentou? Não!? Então tente. Hoje à noite você vai deitar e colocar um bom par de meias. Amanhã cedinho você conversa comigo.
Mas, por favor, não faça a idiotice que eu fiz. Vista uma roupa!, porque este lance de dormir de meias só vale a pena se você não dormir nu.
obs. Texto revisado, fraternalmente, por Karina Otoni (@karinaotoni)
Outra vez o celular desperta. Às vezes tenho vontade de arremessá-lo contra a parede. Todo dia é a mesma ladainha. Aquela música aterrorizante me incomoda. Mostra-me que está na hora do despertar. Pior que o despertar das manhãs de junho é o programa “Despertar da fé”, que passa numa emissora destas aí. Não assisti, realmente nunca assisti, mas imagino do que se trata. Algum “em-veado” do Todo Poderoso pregando “suas” coisas. E o interessante é que existe gente que acredita nisto. Tudo bem, é questão de cada um. Eu não acredito nem assisto. Afinal, os meus dez por cento é do garçom. Pessoa bem mais confiável.
Passados os tão deliciosos cinco minutos, o danado me relembra, mais uma vez, que está na hora. E o frio apertava mais. E eu não entendendo como estava com os pés quentes e o corpo frio. Fui verificar o que estava acontecendo.
Minha gente, meu povo, meus amigos, meus meus!, virei burguês! Sério, lembra aquela música do Barão?, pois é, dormi de meias! Logo eu, um socialista convicto, um rapaz oriundo da classe Z, agora burguês. Mas teve bom. O pé tava quentinho, parecia não sei o quê. Ai ai, como é bom dormir de meias. Já experimentou? Não!? Então tente. Hoje à noite você vai deitar e colocar um bom par de meias. Amanhã cedinho você conversa comigo.
Mas, por favor, não faça a idiotice que eu fiz. Vista uma roupa!, porque este lance de dormir de meias só vale a pena se você não dormir nu.
obs. Texto revisado, fraternalmente, por Karina Otoni (@karinaotoni)
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segunda-feira, 7 de junho de 2010
Que amor é este?,
Que amor é este?,
Que arranca minha pele,
Consome meu sangue,
Ulcera o meu estômago,
Dilacera os meus intestinos,
E por fim, sem mais nem menos,
Arranca-me o coração!
Que amor é este?,
Que consegue me deixar vazio,
Mostrar-me a face da dor,
Revelar-me o querer do anoitecer,
Tornar-me dependente de algo que não tenho mais,
Onde o horror da solidão vive a escamurrengar minha vida,
E o ébano mundo me devora!
Que amor é este?,
Que desaparece em meio ao agreste,
Agreste da minha alma,
Alma que não é mais minha,
Minha que agora é sua,
Sua que já, agora, é de outrem,
Que amor é este?
Que arranca minha pele,
Consome meu sangue,
Ulcera o meu estômago,
Dilacera os meus intestinos,
E por fim, sem mais nem menos,
Arranca-me o coração!
Que amor é este?,
Que consegue me deixar vazio,
Mostrar-me a face da dor,
Revelar-me o querer do anoitecer,
Tornar-me dependente de algo que não tenho mais,
Onde o horror da solidão vive a escamurrengar minha vida,
E o ébano mundo me devora!
Que amor é este?,
Que desaparece em meio ao agreste,
Agreste da minha alma,
Alma que não é mais minha,
Minha que agora é sua,
Sua que já, agora, é de outrem,
Que amor é este?
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Poesia sem ser poeta
Obituário
Segunda-feira, seis da manhã. Ele levanta e vai até a varanda pegar o Estado de Minas. O frio corta-lhe a carne. Manhãs de junho são sempre assim, frias! Ainda mais as segundas-feiras. Lentamente caminha de volta até a sala e se posta no sofá. A xícara com o café quente ao lado, o saboroso biscoito a ser deliciado e o jornal em mãos. Sua rotina matinal perfeitamente seguida. Café, roscas e jornal.
Já beirava os quarenta anos e conseguia gozar de uma tranquilidade matinal incrível, algo raro na sua idade. Pôs-se a ler o folhetim diário. Abrindo a página de “Cidades” não acreditou no que estava vendo. Leu e releu várias vezes. O coração antes tranquilo, agora batia freneticamente. Um ritmo descompassado e apressado. Falta-lhe ar. A ânsia chega avassaladora. As pernas bambas gritam de horror.
Levanta-se atordoado com o que vira e começa a procurar a velha agenda.
O frio daquela manhã parecia mais estridente do que nos outros dias. O céu cada vez mais nublado. O sol, cada vez mais escondido. Parecia que sabia que naquele dia não era pra brilhar. O resplendor de tão majestoso astro deveria ser apagado pelo gris do dia. A água quente do aquecedor solar resolvera não aparecer. O café que há pouco estava quente, neste momento estava gelado. As roscas apetitosas ficaram ácidas. E o sentimento da manhã tornara-se cáustico.
Lembrou-se do tempo da escola. A farra furtiva no intervalo. O elevador lotado para chegar à sala de aula. Os SMS’s passados a todos na hora da prova. Colas, trabalhos e aulas teóricas. Podiam dominar o mundo. Acreditavam que eram todos os melhores do universo. O pão com carne do boteco da esquina. O macarrão comprado no ambulante. As escapadas à zona da cidade. O álcool do dia a dia. Tudo era perfeito naquele tempo, até mesmo a falta de dinheiro. O medo da prova ser cancelada. O baseado compartilhado entre os mesmos de sempre. E o frio da noite, independente do mês do ano.
Voltou à sala e novamente pegou o jornal. Realmente era verdade, ao menos estava escrito. Saudades seriam eternas. Lembranças seriam revividas. O tempo dando uma grande reviravolta no tempo. A dor cortante como o frio daquela manhã. O nome do conhecido no obituário.
Já beirava os quarenta anos e conseguia gozar de uma tranquilidade matinal incrível, algo raro na sua idade. Pôs-se a ler o folhetim diário. Abrindo a página de “Cidades” não acreditou no que estava vendo. Leu e releu várias vezes. O coração antes tranquilo, agora batia freneticamente. Um ritmo descompassado e apressado. Falta-lhe ar. A ânsia chega avassaladora. As pernas bambas gritam de horror.
Levanta-se atordoado com o que vira e começa a procurar a velha agenda.
O frio daquela manhã parecia mais estridente do que nos outros dias. O céu cada vez mais nublado. O sol, cada vez mais escondido. Parecia que sabia que naquele dia não era pra brilhar. O resplendor de tão majestoso astro deveria ser apagado pelo gris do dia. A água quente do aquecedor solar resolvera não aparecer. O café que há pouco estava quente, neste momento estava gelado. As roscas apetitosas ficaram ácidas. E o sentimento da manhã tornara-se cáustico.
Lembrou-se do tempo da escola. A farra furtiva no intervalo. O elevador lotado para chegar à sala de aula. Os SMS’s passados a todos na hora da prova. Colas, trabalhos e aulas teóricas. Podiam dominar o mundo. Acreditavam que eram todos os melhores do universo. O pão com carne do boteco da esquina. O macarrão comprado no ambulante. As escapadas à zona da cidade. O álcool do dia a dia. Tudo era perfeito naquele tempo, até mesmo a falta de dinheiro. O medo da prova ser cancelada. O baseado compartilhado entre os mesmos de sempre. E o frio da noite, independente do mês do ano.
Voltou à sala e novamente pegou o jornal. Realmente era verdade, ao menos estava escrito. Saudades seriam eternas. Lembranças seriam revividas. O tempo dando uma grande reviravolta no tempo. A dor cortante como o frio daquela manhã. O nome do conhecido no obituário.
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domingo, 6 de junho de 2010
Devaneios 154
Eu tenho em minhas mãos apenas o ódio da dor que tu me deixaste. Ó promiscua e infiel mulher. Vós que prometestes o único e ardente amor. O singular e irreparável sexo. A extraordinária e irreparável morte. Porém, viro-me ao avesso e não lhe enxergo mais.
Unicamente promíscua. Exclusivamente amada. Excepcionalmente serpente.
Amada, serpente, carente.
Assassinara-me. Único e exclusivo homem do teu viver.
Largo-me agora na enxurrada do esgoto que passa no fundo do meu coração. Este errante e andante. Pétreo agora. Vivo morto. Fétido!
Unicamente promíscua. Exclusivamente amada. Excepcionalmente serpente.
Amada, serpente, carente.
Assassinara-me. Único e exclusivo homem do teu viver.
Largo-me agora na enxurrada do esgoto que passa no fundo do meu coração. Este errante e andante. Pétreo agora. Vivo morto. Fétido!
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quinta-feira, 3 de junho de 2010
Cama e mesa
Meu amor,
Aqueça-me,
Tormente-me,
Tempere meu corpo com o suor do teu,
O vinho da sua saliva,
O alho do seu apego,
Sem ao menos pestanejar,
Sirva-me para seu deleite.
Cardápio do dia: meu coração na bandeja ainda pulsando por você!
Aqueça-me,
Tormente-me,
Tempere meu corpo com o suor do teu,
O vinho da sua saliva,
O alho do seu apego,
Sem ao menos pestanejar,
Sirva-me para seu deleite.
Cardápio do dia: meu coração na bandeja ainda pulsando por você!
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quarta-feira, 2 de junho de 2010
3x4
Com a foto 3x4 na mão, ela fica com os pensamentos distantes. Já fazia alguns meses que estava longe da família, do lar. Viera tentar a vida na cidade grande. Como é de costume, o êxodo. Sozinha no quarto de pensão ficava alheia a toda a baderna que acontecia a sua volta.
As noites eram assim, uma suprema e eficaz tortura. A falta do chão que ficou em sua casa, lá pra trás, há uns bons trezentos quilômetros de distância, a deixava sem fé. O prego não encontrava a madeira. A firmeza era inexistente.
O ensejo de vir para a cidade grande apareceu de supetão. Era a oportunidade de sua vida. Deixou, porém, o amor. Amor que batalhara anos e anos de sua longa vida de dezenove anos para conseguir. Algo puro. Tão puro quanto sua pureza ainda não tocada. Jovem, pobre e sozinha. E ainda numa pensão vagabunda da Goitacazes com Olegário Maciel. Putas e putos conviviam ali. E ela, com sua inocência imaculada, vivendo em meio aquilo tudo.
A foto na mão. O coração em prantos. Vontade e desejo insano de fazer a meia volta. O pouco dinheiro. A saudade de todos.
Amanhece o dia. O sol quente lhe aquece a face. O sorriso largo no rosto. A aflição açoita o coração. A parada na esquina. O sorvete da máquina italiana. A banca de revistas. Desce do ônibus e põe-se a caminhar freneticamente pela calçada sem ao menos cumprimentar qualquer alma viva. Lê a placa da casa, bate na porta e finalmente sorri!
Onde você estava enquanto eu ouvia “Lanterna Dos Afogados” e morria de tanto chorar? – Indaga amorosamente ao moço da fotografia 3x4. Nos braços do amado, finalmente estava em casa.
As noites eram assim, uma suprema e eficaz tortura. A falta do chão que ficou em sua casa, lá pra trás, há uns bons trezentos quilômetros de distância, a deixava sem fé. O prego não encontrava a madeira. A firmeza era inexistente.
O ensejo de vir para a cidade grande apareceu de supetão. Era a oportunidade de sua vida. Deixou, porém, o amor. Amor que batalhara anos e anos de sua longa vida de dezenove anos para conseguir. Algo puro. Tão puro quanto sua pureza ainda não tocada. Jovem, pobre e sozinha. E ainda numa pensão vagabunda da Goitacazes com Olegário Maciel. Putas e putos conviviam ali. E ela, com sua inocência imaculada, vivendo em meio aquilo tudo.
A foto na mão. O coração em prantos. Vontade e desejo insano de fazer a meia volta. O pouco dinheiro. A saudade de todos.
Amanhece o dia. O sol quente lhe aquece a face. O sorriso largo no rosto. A aflição açoita o coração. A parada na esquina. O sorvete da máquina italiana. A banca de revistas. Desce do ônibus e põe-se a caminhar freneticamente pela calçada sem ao menos cumprimentar qualquer alma viva. Lê a placa da casa, bate na porta e finalmente sorri!
Onde você estava enquanto eu ouvia “Lanterna Dos Afogados” e morria de tanto chorar? – Indaga amorosamente ao moço da fotografia 3x4. Nos braços do amado, finalmente estava em casa.
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terça-feira, 1 de junho de 2010
A-penas
Saudades do teu corpo,
Da tua mente,
Da nossa gente,
Do seu amasso.
Saudades da água ardente,
Do dente branco,
Do nosso pranto,
Da pele quente.
Saudade de eu,
De mim,
De tu,
De nós.
Da tua mente,
Da nossa gente,
Do seu amasso.
Saudades da água ardente,
Do dente branco,
Do nosso pranto,
Da pele quente.
Saudade de eu,
De mim,
De tu,
De nós.
Devaneios 615
Efêmero é a felicidade,
Hermético sou,
Tragicidade a vida,
Irrefreável à vontade.
Hermético sou,
Tragicidade a vida,
Irrefreável à vontade.
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segunda-feira, 31 de maio de 2010
Despertar-se
Pútrido, meu corpo despertou-se assim. O peso das coisas terrenas e carnais, vividas e sentidas, durante este longo período que sigo existindo, pesa cada vez mais. O etílico corrompe minha moral transformando-me em amoral. Minha eficácia degrada a todo o momento. Meu Eu desaparece paulatinamente. Depaupero minha vida e meus amores.
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sábado, 29 de maio de 2010
Inerte
Meu corpo arde, derrete. Fico inerte frente ao espelho. Não consigo mais mover um músculo sequer.
Meus olhos me comem com a fúria louca de um louco descomedido.
O que fazer para controlar esta louca vontade de louco de mais uma vez voar?
O amor não tem o mesmo peso do algodão preso às plumas do meu travesseiro. Não tenho mais... perdi por ali. Maldito seja quem inventou.
Inventou? Inventamos?
Volto-me ao espelho. Meu mundo ebâneo. Mundo que pertenço e amo. Nasci assim. Errado.
Venha!, derreta-se em meu corpo de promiscuidade. Estou aqui, parado, inerte, derrete, arde.
Meus olhos me comem com a fúria louca de um louco descomedido.
O que fazer para controlar esta louca vontade de louco de mais uma vez voar?
O amor não tem o mesmo peso do algodão preso às plumas do meu travesseiro. Não tenho mais... perdi por ali. Maldito seja quem inventou.
Inventou? Inventamos?
Volto-me ao espelho. Meu mundo ebâneo. Mundo que pertenço e amo. Nasci assim. Errado.
Venha!, derreta-se em meu corpo de promiscuidade. Estou aqui, parado, inerte, derrete, arde.
sexta-feira, 28 de maio de 2010
A praga
Com o rosto escondido entre as mãos, no escuro do seu quarto, ele se desespera ao notar que mais uma vez ela o deixou. Céptico do amor dela para com ele, afinal era a décima vez que isso acontecia, ele chorava copiosamente. O coração apertado, ânsia louca e ininterrupta. O sono o abandonara também naquela noite. Noite igual às de outrora em que já estava cansado de vivê-las.
Sabia a decisão certa a ser tomada. Os laços do enlaço deveriam ser desatados. A dor de um fétido amor tinha que se afastar de sua casa. Com coragem, deveria colocar este sofrimento na prateleira e deixá-lo lá. Junto com outros desamores do passado. Nem altar, nem beatificação e nem ao menos uma punheta ele, o amor maldito, merecia.
Com a certeza encarnada em seu corpo, levantou-se da cama. Caminhou até a cozinha, colocou o café no filtro, ligou a máquina e esperou o líquido preto e forte ficar pronto. Com a xícara já ocupada pelo salvador líquido, olhava pela janela os pombos no telhado em frente. O aroma do café o despertava para a vida. Vida que, a partir daquele momento, seria de festa, alegria e devoção.
O suor daquela noite escorria pelo corpo. Levava, enfim, o amor maldito e desafortunado. E abria espaço para um novo. Estava certo de que esta era a condição de vida que precisava. Amor novo!, de forma desabrida. Onde ele e ela iriam poli-lo e até chegar à perfeição. A maestria do sentimento seria alcançada em pouco tempo. Tinha certeza disto. Iria batalhar por isto. Esta seria sua nova forma de amar.
Convicto dos seus novos ideais, pega o telefone no bolso, disca o número e novamente suplica pela sua volta. Afinal, agora já sabia amar.
Sabia a decisão certa a ser tomada. Os laços do enlaço deveriam ser desatados. A dor de um fétido amor tinha que se afastar de sua casa. Com coragem, deveria colocar este sofrimento na prateleira e deixá-lo lá. Junto com outros desamores do passado. Nem altar, nem beatificação e nem ao menos uma punheta ele, o amor maldito, merecia.
Com a certeza encarnada em seu corpo, levantou-se da cama. Caminhou até a cozinha, colocou o café no filtro, ligou a máquina e esperou o líquido preto e forte ficar pronto. Com a xícara já ocupada pelo salvador líquido, olhava pela janela os pombos no telhado em frente. O aroma do café o despertava para a vida. Vida que, a partir daquele momento, seria de festa, alegria e devoção.
O suor daquela noite escorria pelo corpo. Levava, enfim, o amor maldito e desafortunado. E abria espaço para um novo. Estava certo de que esta era a condição de vida que precisava. Amor novo!, de forma desabrida. Onde ele e ela iriam poli-lo e até chegar à perfeição. A maestria do sentimento seria alcançada em pouco tempo. Tinha certeza disto. Iria batalhar por isto. Esta seria sua nova forma de amar.
Convicto dos seus novos ideais, pega o telefone no bolso, disca o número e novamente suplica pela sua volta. Afinal, agora já sabia amar.
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quarta-feira, 26 de maio de 2010
Advento do amor
Eu sonhei com você esta noite. Estava com o corpo desvisto entornado em minha cama de aço frio e cortante. Minha pele febril com o peso da falta do amor sentia a aproximação da tua. Esta que aflorara com o advento do amor.
Você chegou e me abraçou, num dos nossos mais longos e furtivos abraços. E com um tapa lançado à face, despertou-me do sono inócuo. Com sua imagem sentada ao lado do meu receptáculo de dor, senti a alegria vibrar onde já fora viril várias vezes ao te encontrar.
Com suas garras vermelhas, seu sorriso brando de branco, seus lábios perfeitos fui sendo degustado lentamente. Abriste meu invólucro e retiraste toda a dor que ali habitava. Minha virilidade reviveu. A alegria rondou todo o quadrado. O gozo de gozar novamente me fez uma pessoa viva. E você, se saciou com minha carne em seus dentes. Meu gozo em teu gozo. Minha pele na tua.
Depois de devorado, bruscamente e amadamente, sereníssimo fiquei. Imóvel, trajado do gozo que me deixaste. Iluminado pela alegria da vida que vivi mais uma vez. O aço cortante não mais me importunava. Brandeaste minha febre de pele. Afloraste o amor em mim.
Mesmo acordando para Dante, que antes não passava apenas de devaneios e agora é real, senti-me livre e leve. Radiante da noite de volúpia. Amado do amor que me visitou.
Você chegou e me abraçou, num dos nossos mais longos e furtivos abraços. E com um tapa lançado à face, despertou-me do sono inócuo. Com sua imagem sentada ao lado do meu receptáculo de dor, senti a alegria vibrar onde já fora viril várias vezes ao te encontrar.
Com suas garras vermelhas, seu sorriso brando de branco, seus lábios perfeitos fui sendo degustado lentamente. Abriste meu invólucro e retiraste toda a dor que ali habitava. Minha virilidade reviveu. A alegria rondou todo o quadrado. O gozo de gozar novamente me fez uma pessoa viva. E você, se saciou com minha carne em seus dentes. Meu gozo em teu gozo. Minha pele na tua.
Depois de devorado, bruscamente e amadamente, sereníssimo fiquei. Imóvel, trajado do gozo que me deixaste. Iluminado pela alegria da vida que vivi mais uma vez. O aço cortante não mais me importunava. Brandeaste minha febre de pele. Afloraste o amor em mim.
Mesmo acordando para Dante, que antes não passava apenas de devaneios e agora é real, senti-me livre e leve. Radiante da noite de volúpia. Amado do amor que me visitou.
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De BH até Betim
terça-feira, 25 de maio de 2010
Maio e Junho
É maio. Na verdade, maio se finda. Maio maior mês do ano, ao menos para ela. Desde o início de sua consciência pensava em inferno astral em maio. Maio começava e as coisas apareciam: enxaquecas, dores, rugas, nervos à flor da pele, etc. Ano após ano, a batalha de maio era vivida.
Marcam-se milhares de coisas em maio: casamento, namoro, noivado, festas, churrascos. Diferente dos demais maios de sua vida, este foi especial. Renascimento no fim de maio. Reiniciar!, era tudo o que realmente precisava.
Durante alguns anos as coisas não estavam bem e vinham-se arrastando, dia após dia. Nada andava. O carro vivia com problema. A cadela amada vivia arredia no canto da sala. O afilhado querido sempre longe. A mãe com asma. E tudo piorava em maio.
Maldito maio – dizia a todo o momento.
Mas num belo dia de maio tudo muda. O telefone toca. O coração palpita. Um encontro marcado. Ela fica de ligar novamente. Outro encontro. A vida renasce. Horizontes se abrem. Sorriso aparece-lhe novamente na face de forma esplendorosa. Conversas sérias. Pendências resolvidas. Acertos feitos. Renascimento... renascimento!, e tudo na medida exata. Projetos novos a serem conquistados. Vida nova, tudo novo.
Salve junho – dizia a todos que encontrava. Mas esquecera-se que tudo começou no seu malgrado mês. E, mais uma vez, maio, o mês terrível, vai ficando para trás e levando os louros da glória para o teu próximo irmão. E junho começa sorridente agradecendo ao irmão mais velho o presente da vida.
p.s.: Em homenagem a sua nova vitória.
Marcam-se milhares de coisas em maio: casamento, namoro, noivado, festas, churrascos. Diferente dos demais maios de sua vida, este foi especial. Renascimento no fim de maio. Reiniciar!, era tudo o que realmente precisava.
Durante alguns anos as coisas não estavam bem e vinham-se arrastando, dia após dia. Nada andava. O carro vivia com problema. A cadela amada vivia arredia no canto da sala. O afilhado querido sempre longe. A mãe com asma. E tudo piorava em maio.
Maldito maio – dizia a todo o momento.
Mas num belo dia de maio tudo muda. O telefone toca. O coração palpita. Um encontro marcado. Ela fica de ligar novamente. Outro encontro. A vida renasce. Horizontes se abrem. Sorriso aparece-lhe novamente na face de forma esplendorosa. Conversas sérias. Pendências resolvidas. Acertos feitos. Renascimento... renascimento!, e tudo na medida exata. Projetos novos a serem conquistados. Vida nova, tudo novo.
Salve junho – dizia a todos que encontrava. Mas esquecera-se que tudo começou no seu malgrado mês. E, mais uma vez, maio, o mês terrível, vai ficando para trás e levando os louros da glória para o teu próximo irmão. E junho começa sorridente agradecendo ao irmão mais velho o presente da vida.
p.s.: Em homenagem a sua nova vitória.
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Simples escrito
Renasceis
Não me prostituo mais. Acho simplesmente nojento o fato de algum outro corpo me encostar sem ao menos me amar. Mãos que não pertencem ao meu coração não pertencem ao meu corpo. Sexo sem o desejo de acordar no outro dia pela manhã e novamente amarmos. Cafés sem intimidade. Dinheiro imundo colocado sobre a mesa de um quarto qualquer. Dinheiro qualquer como o sexo malfeito e obrigatório – disse ao encontrar um ex-cliente que a interrogava sobre o porquê da sua ausência nas festas promovidas por Madame Ortiz.
Parada na praça de alimentação daquele badalado shopping, chamava a atenção de todos. Não tinha homem que não a olhasse com cobiça. Cobiça que antes era fácil de saciar. Hoje não mais. A vida vil que tinha não lhe pertencia mais. Suas pernas maravilhosas, seus seios fartos e duros e sua boca carnuda agora pertenciam a apenas uma pessoa. Seu amor.
Pasmado com o que acabara de ouvir, pôs-se a afastar o mais rápido possível daquela tentação acessível em outros tempos. Ela era sorriso só. Mais uma vez havia marcado o território do amor em seu corpo. Corpo que já havia passado de mãos em mãos. Bocas em bocas. Seios em seios.
Parada na praça de alimentação daquele badalado shopping, chamava a atenção de todos. Não tinha homem que não a olhasse com cobiça. Cobiça que antes era fácil de saciar. Hoje não mais. A vida vil que tinha não lhe pertencia mais. Suas pernas maravilhosas, seus seios fartos e duros e sua boca carnuda agora pertenciam a apenas uma pessoa. Seu amor.
Pasmado com o que acabara de ouvir, pôs-se a afastar o mais rápido possível daquela tentação acessível em outros tempos. Ela era sorriso só. Mais uma vez havia marcado o território do amor em seu corpo. Corpo que já havia passado de mãos em mãos. Bocas em bocas. Seios em seios.
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Vida bandida
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Descoberta
Eu conheci tudo muito tarde nesta vida. Inclusive a mim. O amor me habitou mais velho que o mar. O sexo, descoberto logo após a lua e marte. Netuno e Plutão chegaram junto com o filho. E o universo nunca soube que não sei e nem soube o por quê e nem quando. Vida de eu com o mundo de mim e nem ao menos o do por quê.
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Pequenos poemas
sábado, 22 de maio de 2010
Abscissa
A falta do teu conjunto ao meu,
O hemisfério sul distante do norte,
Jimi Hendrix não conheceu Gorbachev,
E eu nunca mais irei encontrar a paz?!
Meu coração é distal...
O hemisfério sul distante do norte,
Jimi Hendrix não conheceu Gorbachev,
E eu nunca mais irei encontrar a paz?!
Meu coração é distal...
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Convivência
“Fraco, lixo, escroto, babaca!”, não era a primeira vez que ele escutava isto dela. Toda vez que o álcool lhe consumia a vida, a batalha era a mesma. Um tempo bem maduro de convivência. Vitórias e derrotas alcançadas. Mas aquilo deveria ter um fim.
“Filho da puta, ordinário, mesquinho”, e o vocabulário chulo era despejado em seus ouvidos. Ouvido de mercador nestes momentos de ódio misturado ao amor. Já se preparava para as agressões físicas. Mantinha distância. Recuava-se ao ponto de se trancar no quarto ao lado. Proteger o lar.
“Eu te amo, não me deixe só”, a mente começa a funcionar. O sentimento de arrependimento aparece. A crise moral, do amoral feito, arrebata-lhe. Os cabelos loiros esvoaçados cobrem a face. O desespero aperta-lhe o coração. Porta trancada, mulher debruçada à mesa. Choro. Pele trêmula. Calafrios e arrepios.
A mão estendida oferecendo-lhe um colo, um afago, um carinho. Lábios salgados das lágrimas derramadas. Promessas e juras de fidelidade soltas no espaço do quadrado. Roupas espalhadas pela sala. Fluídos e corpos trocados. Amor feito do ódio repentino. Ódio feito do etílico. Gozo do gozo de gozar do amor.
Caráter à prova. Convivência à prova. Amor à prova.
E a batalha continua... dia após dia.
“Filho da puta, ordinário, mesquinho”, e o vocabulário chulo era despejado em seus ouvidos. Ouvido de mercador nestes momentos de ódio misturado ao amor. Já se preparava para as agressões físicas. Mantinha distância. Recuava-se ao ponto de se trancar no quarto ao lado. Proteger o lar.
“Eu te amo, não me deixe só”, a mente começa a funcionar. O sentimento de arrependimento aparece. A crise moral, do amoral feito, arrebata-lhe. Os cabelos loiros esvoaçados cobrem a face. O desespero aperta-lhe o coração. Porta trancada, mulher debruçada à mesa. Choro. Pele trêmula. Calafrios e arrepios.
A mão estendida oferecendo-lhe um colo, um afago, um carinho. Lábios salgados das lágrimas derramadas. Promessas e juras de fidelidade soltas no espaço do quadrado. Roupas espalhadas pela sala. Fluídos e corpos trocados. Amor feito do ódio repentino. Ódio feito do etílico. Gozo do gozo de gozar do amor.
Caráter à prova. Convivência à prova. Amor à prova.
E a batalha continua... dia após dia.
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Encontro
Um rosto,
Um corpo,
Você!
Conversas,
Detalhes,
Beijos.
Peitos,
Bocas,
Sorrisos.
Você,
Cama,
Porta.
Solidão estéril que me apega e me abisma...
Um corpo,
Você!
Conversas,
Detalhes,
Beijos.
Peitos,
Bocas,
Sorrisos.
Você,
Cama,
Porta.
Solidão estéril que me apega e me abisma...
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Poesia sem ser poeta
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Rendição a Ártemis
No mais novo e estupendo espetáculo da terra, vejo seus olhos. Olhos de lince a me procurar. E eu me torno a mais saborosa e perfeita caça. Caça que fica sempre de atalaia. Olhando para descobrir de que lado aparecerá seu predador. Mas quando sinto seus olhos, me derreto, entrego-me. Como uma fêmea no cio soltando seus sinais de submissão, deixo-me seduzir pelos seus encantos. Caçadora de mim, acha-me e leva-me para a vossa e única degustação. Degusta-me com sua boca, com seu olhar, com seus lábios e com teu corpo de deusa. Minha Ártemis!, eu, seu súdito, estou aqui, pronto para ser ofertado em seus braços longos e fêmeos. Ser servido em seu banquete da noite, do dia e da tarde. Que minha carne seja ofertada e devorada por ti, somente tu poderás se deliciar em mim. Excitai sobre minha pele desnuda, sem pudor e com o mais belo e irrepreensível amor. Não sintas culpa, sou seu, seu súdito. E você minha, minha deusa, minha única e femeal caçadora.
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Morro do ABC
Morro do ABC, terra de ninguém, aliás, terra de um homem só. Este homem truculento e vingativo detém todo o poder da comunidade através da violência. Violência que também ajudou a produzí-lo.
Aos sete anos de idade, Marcelino Ferreira era apenas um pequeno, um catarrento como se dizia. Vivia correndo entre os esgotos fétidos daquele aglomerado. Viu seu pai sendo violentamente fuzilado. E como Sérgio Brito e Nando Reis escreveram em “Marvin”, o pai colocou todo o peso da família em suas costas. E isto logo as sete anos de idade. Passado alguns anos, quando estava com dez, viu a mãe sendo violentada e logo depois fuzilada por um grupo de policiais velados. O ódio do pequeno engraxate, profissão que conseguira exercer até o momento, explodiu. A pequena besta-fera que morava dentro de seu coração tomou conta de seu ser.
De engraxate virou vapor, posto que teve pequena duração, pois logo-logo virou soldado. Demonstrando muita desenvoltura com números, além de uma grande fidelidade e agradecimento a João Doido, este dono do morro, foi promovido a gerente. Assim que assumiu tal cargo sua vida mudou. Começou a aproveitar mais o dinheiro que o tráfico lhe rendia. Mulheres, carros, armas, festas e status. De Marcelino Ferreira transformou-se em Marquinho Mão Pesada. Foi agraciado com tal título, pois sempre que pegava alguém roubando na venda do produto, era castigado severamente. Dizia que tinha as mãos de ferro dos deuses da justiça. Que Xangô não escute isso.
Mas o tempo foi passando e Marquinho foi ficando ambicioso. O cargo de gerente não era nada em comparação ao de dono do morro. Arquitetou um plano malicioso e infalível para a derrocada de João Doido. E num belo domingo, como foi religiosamente planejado, João Doido é encontrado morto. Parada cardíaca. Sem traços de envenenamento ou qualquer outra coisa. Todo mundo sabia que os dedos de Mão Pesada estavam presentes naquele ataque. Afinal, Doido tinha apenas trinta e dois anos, idade tida como avançada no ramo da atividade que exercia. Pela primeira vez no morro não houve luta para decidir quem seria o novo dono. Marquinho Mão Pesada foi apoteoticamente conduzido ao cargo. Louro e glórias ao novo César, como diriam os romanos.
Desde então, o morro vivia sob suas mãos pesadas. Era necessário apenas um leve deslize para que o sujeito fosse punido. Às vezes a morte não era o bastante, era mais didático humilhar o desventurado em praça pública. Somente em casos extremamente escabrosos que a morte era utilizada.
E assim o Morro do ABC ia vivendo “pacificamente” e “harmoniosamente”, até que um dia um fato novo aconteceu...
Um novo pai fuzilado, uma mãe violentada, um filho com uma nova missão, uma caixa de engraxate abandonada...
Aos sete anos de idade, Marcelino Ferreira era apenas um pequeno, um catarrento como se dizia. Vivia correndo entre os esgotos fétidos daquele aglomerado. Viu seu pai sendo violentamente fuzilado. E como Sérgio Brito e Nando Reis escreveram em “Marvin”, o pai colocou todo o peso da família em suas costas. E isto logo as sete anos de idade. Passado alguns anos, quando estava com dez, viu a mãe sendo violentada e logo depois fuzilada por um grupo de policiais velados. O ódio do pequeno engraxate, profissão que conseguira exercer até o momento, explodiu. A pequena besta-fera que morava dentro de seu coração tomou conta de seu ser.
De engraxate virou vapor, posto que teve pequena duração, pois logo-logo virou soldado. Demonstrando muita desenvoltura com números, além de uma grande fidelidade e agradecimento a João Doido, este dono do morro, foi promovido a gerente. Assim que assumiu tal cargo sua vida mudou. Começou a aproveitar mais o dinheiro que o tráfico lhe rendia. Mulheres, carros, armas, festas e status. De Marcelino Ferreira transformou-se em Marquinho Mão Pesada. Foi agraciado com tal título, pois sempre que pegava alguém roubando na venda do produto, era castigado severamente. Dizia que tinha as mãos de ferro dos deuses da justiça. Que Xangô não escute isso.
Mas o tempo foi passando e Marquinho foi ficando ambicioso. O cargo de gerente não era nada em comparação ao de dono do morro. Arquitetou um plano malicioso e infalível para a derrocada de João Doido. E num belo domingo, como foi religiosamente planejado, João Doido é encontrado morto. Parada cardíaca. Sem traços de envenenamento ou qualquer outra coisa. Todo mundo sabia que os dedos de Mão Pesada estavam presentes naquele ataque. Afinal, Doido tinha apenas trinta e dois anos, idade tida como avançada no ramo da atividade que exercia. Pela primeira vez no morro não houve luta para decidir quem seria o novo dono. Marquinho Mão Pesada foi apoteoticamente conduzido ao cargo. Louro e glórias ao novo César, como diriam os romanos.
Desde então, o morro vivia sob suas mãos pesadas. Era necessário apenas um leve deslize para que o sujeito fosse punido. Às vezes a morte não era o bastante, era mais didático humilhar o desventurado em praça pública. Somente em casos extremamente escabrosos que a morte era utilizada.
E assim o Morro do ABC ia vivendo “pacificamente” e “harmoniosamente”, até que um dia um fato novo aconteceu...
Um novo pai fuzilado, uma mãe violentada, um filho com uma nova missão, uma caixa de engraxate abandonada...
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Vida bandida
terça-feira, 18 de maio de 2010
Lembrando Vinícius
O sol quente fazia com que suasse mais que tampa de chaleira. E ele ali, parado no tempo que não tinha mais, pensando algo bonito de se escrever para a menina que conhecera no dia anterior. Loira de olhos esverdeados, um contorno maravilhoso da boca, uma silhueta grandiosa, e porque não, apetitosa. Ele, um rapaz no início da adolescência, que mal acabara de ver seus primeiros pentelhos nascerem e já aflorara o amor em teu coração.
Lembrava dos livros que preenchiam a pequena prateleira da sala, onde Drummond e Vinícius desfilavam seus poemas, e tentava lembrar de cada um que já havia lido. O tempo passava e a primeira estrofe não chegava. O sol ficava mais quente e ela, com certeza, desceria do próximo ônibus. Mas de nada adiantava. Plagiar não queria. Queria inventar, ser um poeta do amor como Vina havia sido. Mas o tempo corria contra e ele cada vez mais afobado.
Pensava nos cabelos lisos, no doce perfume, no andar delicado e sensual, no batom vermelho da boca e até mesmo no keds que ela calçava. A mão tremia, o papel já molhado com o suor do neófito e malogrado poeta, e nada de pitibiribas!, nenhuma linhazinha confusa, nadica de nada mesmo. O mundo do seu amor iria ruir-se. E ele só precisava escrever um poema que descrevesse tudo o que sentia. Coçava a cabeça, olhava para o céu, olhava para o poste, olhava para todos os lados, e nada!
Como já era previsto, o ônibus aparece. O coração palpita. O suor lhe alaga a camisa. O perfume barato fica em evidência. O céu escurece ao mesmo tempo em que o sol começa a iluminar somente o veículo. A porta é aberta e ela desce. Ele começa a flutuar quando percebe um doce olhar em sua direção. As mãos se encontram, a paixão ferve nos corações. O sorriso amarelo lhe ganha a face. A boca abre e começa a balbuciar uma bela canção popular: “Se você quer ser minha namorada, Ai que linda namorada, Você poderia ser, Se quiser ser somente minha, Exatamente essa coisinha, Essa coisa toda minha, Que ninguém mais pode ter...”.
Antes mesmo de terminar é presenteado com um longo beijo. O céu novamente fica azul. O amor é verdadeiro e real. O coração frenético. A respiração encurta. Os lábios se procuram e se encontram. Agora, de mãos dadas e felizes, seguem o resto do caminho. Ela feliz por ter conhecido um poetinha, ele feliz por lembrar-se do Poetinha.
Lembrava dos livros que preenchiam a pequena prateleira da sala, onde Drummond e Vinícius desfilavam seus poemas, e tentava lembrar de cada um que já havia lido. O tempo passava e a primeira estrofe não chegava. O sol ficava mais quente e ela, com certeza, desceria do próximo ônibus. Mas de nada adiantava. Plagiar não queria. Queria inventar, ser um poeta do amor como Vina havia sido. Mas o tempo corria contra e ele cada vez mais afobado.
Pensava nos cabelos lisos, no doce perfume, no andar delicado e sensual, no batom vermelho da boca e até mesmo no keds que ela calçava. A mão tremia, o papel já molhado com o suor do neófito e malogrado poeta, e nada de pitibiribas!, nenhuma linhazinha confusa, nadica de nada mesmo. O mundo do seu amor iria ruir-se. E ele só precisava escrever um poema que descrevesse tudo o que sentia. Coçava a cabeça, olhava para o céu, olhava para o poste, olhava para todos os lados, e nada!
Como já era previsto, o ônibus aparece. O coração palpita. O suor lhe alaga a camisa. O perfume barato fica em evidência. O céu escurece ao mesmo tempo em que o sol começa a iluminar somente o veículo. A porta é aberta e ela desce. Ele começa a flutuar quando percebe um doce olhar em sua direção. As mãos se encontram, a paixão ferve nos corações. O sorriso amarelo lhe ganha a face. A boca abre e começa a balbuciar uma bela canção popular: “Se você quer ser minha namorada, Ai que linda namorada, Você poderia ser, Se quiser ser somente minha, Exatamente essa coisinha, Essa coisa toda minha, Que ninguém mais pode ter...”.
Antes mesmo de terminar é presenteado com um longo beijo. O céu novamente fica azul. O amor é verdadeiro e real. O coração frenético. A respiração encurta. Os lábios se procuram e se encontram. Agora, de mãos dadas e felizes, seguem o resto do caminho. Ela feliz por ter conhecido um poetinha, ele feliz por lembrar-se do Poetinha.
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segunda-feira, 17 de maio de 2010
Uma cerveja, por favor
Merda!,maldita não está vendo meu carro? – Esbraveja ao volante após ter levado mais uma fechada. Trânsito de segunda-feira, via tumultuada, greve de ônibus, batidas leves que geram congestionamentos enormes. E ele de ressaca. A paciência passeava de longe, nem pensava em momento algum habitar aquele ser. A queimação nervosa do estômago lembrava que devia reduzir o álcool.
Arrota mais uma vez e sente a queimação a subir pelo esôfago. “Tenho que parar de beber”, resmungava. Mas parar de beber era algo que realmente não pensava em fazer tão cedo. Começou a imaginar o que poderia fazer para melhorar sua vida. “Academia, ficar correndo naquela esteira. Depois posso comprar uma bicicleta e dar volta na lagoa. Caminhada acho que vai ajudar”, mero devaneio a respeito do seu estado de vida.
A cadela no cio sujando a sala, o filho na escola, mais uma vez o trânsito lento e carregado. A mudança de casa por acontecer, o aluguel vencendo naquele dia, e certamente, um dia longo cheio de problemas.
Cigarro não usava mais, largou há muito tempo. A gordura tinha que diminuir. O peso da idade e dos quilos adquiridos junto com eles chegava para cobrar uma solução imediata. Logo a ele que detestava ser imediatista. Mas o preço começa a ser caro demais pra pagar a vista, de uma vez só. Era notório que as prestações seriam mais leves, e quanto mais cedo começar a pagar, mais rápido a dívida seria quitada.
Mais uma fechada, mais xingamentos esbravejados ao volante. A irritação, o pensamento lento, a queimação ardendo o corpo. Um posto, uma lanchonete. “Uma cerveja, por favor”.
Arrota mais uma vez e sente a queimação a subir pelo esôfago. “Tenho que parar de beber”, resmungava. Mas parar de beber era algo que realmente não pensava em fazer tão cedo. Começou a imaginar o que poderia fazer para melhorar sua vida. “Academia, ficar correndo naquela esteira. Depois posso comprar uma bicicleta e dar volta na lagoa. Caminhada acho que vai ajudar”, mero devaneio a respeito do seu estado de vida.
A cadela no cio sujando a sala, o filho na escola, mais uma vez o trânsito lento e carregado. A mudança de casa por acontecer, o aluguel vencendo naquele dia, e certamente, um dia longo cheio de problemas.
Cigarro não usava mais, largou há muito tempo. A gordura tinha que diminuir. O peso da idade e dos quilos adquiridos junto com eles chegava para cobrar uma solução imediata. Logo a ele que detestava ser imediatista. Mas o preço começa a ser caro demais pra pagar a vista, de uma vez só. Era notório que as prestações seriam mais leves, e quanto mais cedo começar a pagar, mais rápido a dívida seria quitada.
Mais uma fechada, mais xingamentos esbravejados ao volante. A irritação, o pensamento lento, a queimação ardendo o corpo. Um posto, uma lanchonete. “Uma cerveja, por favor”.
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domingo, 16 de maio de 2010
Somente um escrito
Meu universo é denso, tenso e inconstante. Nem nada muda, nem tudo fica igual. Apenas continua sendo meu universo. Hoje acordei com a ressaca do medo de viver. Amanhã acordarei com a vontade louca de viver. Viver solto. Bicho solto. Cabelo solto ao vento sem medo do relento! Uniforme e constante esta alegria da vida que vive se escondendo e ressuscitando. Mas no inferno onde o diabo mora, eu fico por aqui a sorrir. No paraíso dos deuses. Deuses! Salvem-me!, levai-me para onde não tenha mais a dor, a morte, o açoite e principalmente as cobranças sem fundamentos.
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sexta-feira, 14 de maio de 2010
Tambor
"Agora que você voltou
Arranque minha pele
Faça um tambor
E por favor não vá nunca mais
Please don't go
Nem me diga
Por onde andou
Agora que você voltou
Já esqueci
Quando foi e por quê
Esqueci as palavras rudes
Que ensaiei pra dizer
Agora que você voltou
Fique comigo em paz
Meu amor
E por favor não vá nunca mais.
Please don't go"
Fonte: Música: Tambor
Autor: Chico César
Arranque minha pele
Faça um tambor
E por favor não vá nunca mais
Please don't go
Nem me diga
Por onde andou
Agora que você voltou
Já esqueci
Quando foi e por quê
Esqueci as palavras rudes
Que ensaiei pra dizer
Agora que você voltou
Fique comigo em paz
Meu amor
E por favor não vá nunca mais.
Please don't go"
Fonte: Música: Tambor
Autor: Chico César
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Mona Lisa parada ali no Louvre
Pairando sob o céu azul nesta manhã de maio, vejo pessoas tão desconcertantes quanto a Mona Lisa parada ali no Louvre. O nexo já não pertence ao sexo. A exatidão de uma equação matemática não coincide com a inexatidão de um poema de amor. E eu fico aqui em cima observando todos e tudo.
O menino com os pés no chão em cima de outros meninos, tentando ganhar a vida com malabares. Às vezes com a arte circense, noutras com a arte de gatuno que infelizmente aprendeu nas ruas. Vejo a moça parada na praça da rodoviária. Essa tenta ganhar o pão utilizando a tão preciosa dádiva que lhe foi ofertada ao nascer, o amor. O mesmo amor que ela procura em outros, que sonham como ela, encontrar. Mais a frente vê-se um andarilho, este um pobre diabo, não sabe mais quem é. Perdeu-se no mundo, ou será que o mundo que o perdeu? Sujo, faminto, sem lembranças e até mesmo sem um mínimo de dignidade, vive por aí.
Fecho os olhos. Não sinto mais minhas pernas, não sinto mais o ar, não sinto... apenas não sinto.
O céu azul, o Louvre aberto e nós parados em frente a mais bela Mona. Filas de pessoas param, e assim como eu, ficam a admirá-la e apaixonam-se pelo enigma criado por Leonardo. Respiro profundamente e vejo o desconcerto em que vivo e permaneço a viver. Penso no menino, na moça e no andarilho. Finalmente coloco meus pés no chão, respiro profundamente e volto a viver minha realidade. Realidade de pessoa vivente que sou. Pessoa, que como eles, que vivem nesta cidade nefasta. Com diferenças, desconcertos e desamores. E ela continua parada ali no Louvre.
O menino com os pés no chão em cima de outros meninos, tentando ganhar a vida com malabares. Às vezes com a arte circense, noutras com a arte de gatuno que infelizmente aprendeu nas ruas. Vejo a moça parada na praça da rodoviária. Essa tenta ganhar o pão utilizando a tão preciosa dádiva que lhe foi ofertada ao nascer, o amor. O mesmo amor que ela procura em outros, que sonham como ela, encontrar. Mais a frente vê-se um andarilho, este um pobre diabo, não sabe mais quem é. Perdeu-se no mundo, ou será que o mundo que o perdeu? Sujo, faminto, sem lembranças e até mesmo sem um mínimo de dignidade, vive por aí.
Fecho os olhos. Não sinto mais minhas pernas, não sinto mais o ar, não sinto... apenas não sinto.
O céu azul, o Louvre aberto e nós parados em frente a mais bela Mona. Filas de pessoas param, e assim como eu, ficam a admirá-la e apaixonam-se pelo enigma criado por Leonardo. Respiro profundamente e vejo o desconcerto em que vivo e permaneço a viver. Penso no menino, na moça e no andarilho. Finalmente coloco meus pés no chão, respiro profundamente e volto a viver minha realidade. Realidade de pessoa vivente que sou. Pessoa, que como eles, que vivem nesta cidade nefasta. Com diferenças, desconcertos e desamores. E ela continua parada ali no Louvre.
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De BH até Betim
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Enaltecer a tristeza
A tristeza enaltece o meu sentimento em relação às relações vividas e sofridas. Nesse ambiente juramentado pela dor do amor, sinto-me cada vez mais inferiorizado aos grandes amantes de outrora, e até mesmo aos novos Dons Juans das esquinas de Minas. O peito segue sofrido, o ópio já não me conduz à extrema sensação de leveza do existir. Sigo me contaminando, cada dia mais, com a inexatidão de não ser mais Eu. Eu que já fui o feroz!, o selvagem no cerne!, o caçador de caças absurdas e infundadas. Sinto-me cada dia mais fragilizado e entregue aos leões, como Daniel, porém, com uma grande diferença: as bocas não estão fechadas e, a cada dia, me arrancam um pedaço desta carne que me serve de escudo. Escudo derrocado e definhado pela tristeza enaltecida, dia após dia, em relação às relações vividas e sofridas.
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quarta-feira, 12 de maio de 2010
Paixão de bar
O hálito que exalava da sua boca demonstrava o cio presente. Não fazia mais idéia quanto tempo havia passado desde a última vez que foi possuída por alguém. Sentada na cadeira do bar, já meio extasiada com o etílico, ela olhava para o rapaz, cada vez mais apaixonada.
Paixões são repentinas e devem ser vividas no exato momento do seu aparecimento – divaga com o rapaz a respeito da paixão e seus mistérios. Não conseguia mais ocultar o estado prolixo de excitação. Queria ser possuída ali mesmo, se possível, e, com isto, mandava seus sinais de fêmea. O sabor do amor apresentava cada vez mais nos copos virados vagarosamente. Garrafa após garrafa.
A conta, por favor – ordenou ao garçom que fosse rápido, pois não podia mais esperar. Mais alguns minutos sentada ali naquele bar, naquela calçada e naquele estado, não seria mais responsável pelos seus atos. A mão sobre as mãos do seu futuro macho suava. Calafrios eram sentidos e o cheiro do cio espalhava-se em sua atmosfera. O amor estava por vir.
O frio do mês de junho, o calor do mês de janeiro e a festividade do carnaval, tudo isto ocorrendo naquele instante. Ali, naquele carro. Parado numa rua qualquer de uma cidade qualquer. A paixão sendo absorvida e resolvida em pequenos metros quadrados. O inferno cada dia mais próximo, segundo seus preceitos religiosos. O amor que iria curar seus males da alma. E o cheiro do tesão finalmente perfumava a sua vida.
Paixões são repentinas e devem ser vividas no exato momento do seu aparecimento – divaga com o rapaz a respeito da paixão e seus mistérios. Não conseguia mais ocultar o estado prolixo de excitação. Queria ser possuída ali mesmo, se possível, e, com isto, mandava seus sinais de fêmea. O sabor do amor apresentava cada vez mais nos copos virados vagarosamente. Garrafa após garrafa.
A conta, por favor – ordenou ao garçom que fosse rápido, pois não podia mais esperar. Mais alguns minutos sentada ali naquele bar, naquela calçada e naquele estado, não seria mais responsável pelos seus atos. A mão sobre as mãos do seu futuro macho suava. Calafrios eram sentidos e o cheiro do cio espalhava-se em sua atmosfera. O amor estava por vir.
O frio do mês de junho, o calor do mês de janeiro e a festividade do carnaval, tudo isto ocorrendo naquele instante. Ali, naquele carro. Parado numa rua qualquer de uma cidade qualquer. A paixão sendo absorvida e resolvida em pequenos metros quadrados. O inferno cada dia mais próximo, segundo seus preceitos religiosos. O amor que iria curar seus males da alma. E o cheiro do tesão finalmente perfumava a sua vida.
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domingo, 9 de maio de 2010
Da moral e dos bons costumes
Ah meu Deus!, desisto. Quero morrer! – Gritou no meio da noite e ecoou em todo ambiente.
Já velho, largado e sozinho no quarto. Com seus 35 anos de serviço militar e suas várias horas de DOPS, hoje, aquela figura ameaçadora já não existia. Agora um velho qualquer largado no palacete, que conseguiu “comprar” com dinheiro de parentes de inocentes que “ajudou” a se safarem.
O palacete comprado no final da década de 60 já não lembrava mais o tão temido Senhor DOPS. Agora estava como ele, em ruínas, pronto para finalmente desaparecer. Aquela esquina da Varginha com Pouso Alegre - onde houvera várias festanças regadas a muito uísque, coca e mulheres subversivas amarradas nas pilastras do meio da sala - hoje estava entregue à escuridão e solidão.
“Pai!, tire de mim este lamento tão sufocante!”. Mesmo sendo responsável por diversas mortes e desaparecimentos, ele se dizia fiel a Deus e à Igreja. Com tantos pecados mortais que carregava nas costas, o que mais ele queria era que seus fantasmas lhe deixassem em paz. A mesma paz que jurava entregá-los quando estavam vivos. As cobranças das mortes em nome da moral e dos bons costumes sempre o rondavam.
Agora acamado, a diabetes lhe cobrando o tempo de luxúrias, ele só pensava em encontrar seu Pai e pagar pela merda toda que fez durante sua vida. Filhos que foram arrancados do ventre das mães, filhos que foram dizimados longe de suas mães, filhos que foram gerados sem o consentimento das mães. Filhos que ele nunca teve, pois achava que seriam sua fraqueza. Alguém poderia fazer com eles exatamente o que ele fazia com os outros. E ele sabia a dor que causava. Mas tudo tinha um porquê: a moral e os bons costumes!
Teve medo quando o regime acabou, mas existia a anistia. Ficou mais aliviado quando houve a regulamentação e, mais feliz ainda, quando o STJ sacramentou o seu perdão. Mas, mesmo assim, seus fantasmas não lhe deixavam em paz. “Torturador não teve culpa, está na lei! Deixem-me em paz seus bandidos!”, tentava argumentar com os algozes cobradores da consciência que apareciam sempre para lembrá-lo dos seus atos. Atos!, afinal vivera num país governado por atos.
Os filhos sempre estavam lá. Sempre colocando um espinho acentuadamente agudo em seu corpo, em sua mente. O espírito já lhe cobrava as dores, e agora a carne pútrida também dava sinais de cansaço. Mas tudo é certo neste mundo, o lamurio iria perdurar por mais tempo que ele achava. A carne iria ficar cada dia mais fétida, o casarão iria ruir-se cada dia mais, e a solidão o perturbaria até o fim dos seus dias. E seus dias seriam cada vez mais longos e tenebrosos.
“Ah, meu Deus!, desisto. Quero morrer!”, gritou mais uma vez, e novamente não fora atendido. E assim Ele fazia o mesmo quando os filhos clamavam a ele a morte para se livrarem de suas garras. Garras da besta-fera da moral e dos bons costumes.
Já velho, largado e sozinho no quarto. Com seus 35 anos de serviço militar e suas várias horas de DOPS, hoje, aquela figura ameaçadora já não existia. Agora um velho qualquer largado no palacete, que conseguiu “comprar” com dinheiro de parentes de inocentes que “ajudou” a se safarem.
O palacete comprado no final da década de 60 já não lembrava mais o tão temido Senhor DOPS. Agora estava como ele, em ruínas, pronto para finalmente desaparecer. Aquela esquina da Varginha com Pouso Alegre - onde houvera várias festanças regadas a muito uísque, coca e mulheres subversivas amarradas nas pilastras do meio da sala - hoje estava entregue à escuridão e solidão.
“Pai!, tire de mim este lamento tão sufocante!”. Mesmo sendo responsável por diversas mortes e desaparecimentos, ele se dizia fiel a Deus e à Igreja. Com tantos pecados mortais que carregava nas costas, o que mais ele queria era que seus fantasmas lhe deixassem em paz. A mesma paz que jurava entregá-los quando estavam vivos. As cobranças das mortes em nome da moral e dos bons costumes sempre o rondavam.
Agora acamado, a diabetes lhe cobrando o tempo de luxúrias, ele só pensava em encontrar seu Pai e pagar pela merda toda que fez durante sua vida. Filhos que foram arrancados do ventre das mães, filhos que foram dizimados longe de suas mães, filhos que foram gerados sem o consentimento das mães. Filhos que ele nunca teve, pois achava que seriam sua fraqueza. Alguém poderia fazer com eles exatamente o que ele fazia com os outros. E ele sabia a dor que causava. Mas tudo tinha um porquê: a moral e os bons costumes!
Teve medo quando o regime acabou, mas existia a anistia. Ficou mais aliviado quando houve a regulamentação e, mais feliz ainda, quando o STJ sacramentou o seu perdão. Mas, mesmo assim, seus fantasmas não lhe deixavam em paz. “Torturador não teve culpa, está na lei! Deixem-me em paz seus bandidos!”, tentava argumentar com os algozes cobradores da consciência que apareciam sempre para lembrá-lo dos seus atos. Atos!, afinal vivera num país governado por atos.
Os filhos sempre estavam lá. Sempre colocando um espinho acentuadamente agudo em seu corpo, em sua mente. O espírito já lhe cobrava as dores, e agora a carne pútrida também dava sinais de cansaço. Mas tudo é certo neste mundo, o lamurio iria perdurar por mais tempo que ele achava. A carne iria ficar cada dia mais fétida, o casarão iria ruir-se cada dia mais, e a solidão o perturbaria até o fim dos seus dias. E seus dias seriam cada vez mais longos e tenebrosos.
“Ah, meu Deus!, desisto. Quero morrer!”, gritou mais uma vez, e novamente não fora atendido. E assim Ele fazia o mesmo quando os filhos clamavam a ele a morte para se livrarem de suas garras. Garras da besta-fera da moral e dos bons costumes.
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sexta-feira, 7 de maio de 2010
Carta ao Professor Xavier
Desfazer os laços, fechar os ciclos. Círculos me lembram ciclos que trazem o Ciclope que, por sua vez, me leva aos X-Men e finalmente chego “A Batalha Final!”.
Salve-me Xavier, com seus poderes psíquicos, tirai-me esse peso absurdo que me arrebata todo dia pela manhã. Antes mesmo do café matinal ele já assola meu dia. No final da noite, acrescido de congestionamentos, motoboys dos infernos e motoristas sem mãe, minha cabeça explode. E eu fico aqui rogando para que você, meu grande herói Xavier, entre nesta sua máquina gigantesca, e porque não dantesca, e me tire deste sonho que, como a máquina, não passa de um cenário de Dante.
Não meu amigo, não possuo poderes fabulosos como os seus. Apenas imagino cenas e personagens para refrescar um pouco esta vida imaginária que todos nós vivemos. Como bom conhecedor e pesquisador, Morpheus já nos adiantou que vivemos, todos nós e inclusive você, na ilusão de ser o que não somos. Aproveitando o gancho e o suplício, recorro a ti para finalmente entender... o que somos e como vivemos?
Salve-me Xavier, com seus poderes psíquicos, tirai-me esse peso absurdo que me arrebata todo dia pela manhã. Antes mesmo do café matinal ele já assola meu dia. No final da noite, acrescido de congestionamentos, motoboys dos infernos e motoristas sem mãe, minha cabeça explode. E eu fico aqui rogando para que você, meu grande herói Xavier, entre nesta sua máquina gigantesca, e porque não dantesca, e me tire deste sonho que, como a máquina, não passa de um cenário de Dante.
Não meu amigo, não possuo poderes fabulosos como os seus. Apenas imagino cenas e personagens para refrescar um pouco esta vida imaginária que todos nós vivemos. Como bom conhecedor e pesquisador, Morpheus já nos adiantou que vivemos, todos nós e inclusive você, na ilusão de ser o que não somos. Aproveitando o gancho e o suplício, recorro a ti para finalmente entender... o que somos e como vivemos?
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quinta-feira, 6 de maio de 2010
Na mercearia
Divago sobre poesia com o dono da mercearia. Dois ignorantes na arte de poetar. Mas a gente tenta. Fazemos rimas esdrúxulas. Declamamos sonetos que não existem. Profetizamos o amor eterno e incondicional em versos chulos. Erotizamos a vida e as relações malsucedidas e as bem-sucedidas também.
A loura gostosa que passa na esquina. A negra de seios firmes e que rebola que é uma maravilha. A japonesa que até hoje pela manhã não comemos. A ruiva romântica que vem todo dia comprar um não sabe o quê. A morena que está no ponto do ônibus conversando com a outra de cabelo vermelho. Essa tem um baita rabo que não tem como não observar.
Somos dois tarados poéticos. Comemos todas nas nossas divagações poéticas sobre o amor. Amamos todas. Odiamos as chatas e finalmente casamos com a melhor. Qual é a melhor? Nem sabemos, e não nos preocupamos com isto. Afinal, amanhã outras musas estarão passeando em nossas vidas. E voltaremos a poetar...
A loura gostosa que passa na esquina. A negra de seios firmes e que rebola que é uma maravilha. A japonesa que até hoje pela manhã não comemos. A ruiva romântica que vem todo dia comprar um não sabe o quê. A morena que está no ponto do ônibus conversando com a outra de cabelo vermelho. Essa tem um baita rabo que não tem como não observar.
Somos dois tarados poéticos. Comemos todas nas nossas divagações poéticas sobre o amor. Amamos todas. Odiamos as chatas e finalmente casamos com a melhor. Qual é a melhor? Nem sabemos, e não nos preocupamos com isto. Afinal, amanhã outras musas estarão passeando em nossas vidas. E voltaremos a poetar...
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quarta-feira, 5 de maio de 2010
SALdade
A saudade corta minha carne. Carne velha e sofrida de gente humana animalesca. O sal do meu suor salga a carne que me contorna. Deixando-me a cada dia mais salgado. Salgado do sal da vida que vivo. A SALdade me torna cada vez mais salgado de saudoso. Saudoso do amor da minha amada que me deixou em busca do doce da vida. Vida doce do bagaço da cana, do melaço do mel, do inferno vivido. Vida que não me pertence, pois o sal da dor me contorna e me tempera para a dor mais sofrida. A dor da saudade. Saudade de sal. SALdade.
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segunda-feira, 3 de maio de 2010
O parapeito do Edifício Maleta
Tarde da noite, eu, você sentados no parapeito do Edifício Maleta observando a lua luz. O azul do céu hoje está mais escuro que o de outros dias. A luz amarela e os gatos negros andam entre nós. Relando suas caudas sujas e nojentas em nosso dorso. Pego sua mão e sorrio. Um sorriso vermelho, como aquela calda de morango que beliscamos antes de subirmos até o parapeito. Você me retribui com beijo negro carvão que mancha meu rosto.
Luz amarela, sorriso vermelho, beijo negro carvão.
O céu é nosso. O ar entre o parapeito e a calçada suja de urina de ratos execráveis, também nos pertence. Eu, você nos pertencemos. Um salto duplo é dado. Um giro único em torno de dois corpos soltos na lacuna do tempo e do vento. Um gemido. Um afago.
O céu, o ar, o parapeito, a calçada, um giro, o gemido, nosso afago.
Coincidentemente acordo com você na janela olhando a luz vermelha do sol que se deposita atrás do Curral Del Rey. O ar pesado. O quadrado não é mais mágico, e para sepultar de vez nossa vida, a terra não é mais santa.
Janela, luz, Del Rey, terra não mais santa.
O parapeito inerte sujo de sangue vermelho me faz lembrar que estamos mais uma vez sacramentados a viver dias de violência furtiva. O parapeito agora é o limite da vida morte, dor amor, paz terror.
O parapeito do Edifício Maleta observa a luz.
Luz amarela, sorriso vermelho, beijo negro carvão.
O céu é nosso. O ar entre o parapeito e a calçada suja de urina de ratos execráveis, também nos pertence. Eu, você nos pertencemos. Um salto duplo é dado. Um giro único em torno de dois corpos soltos na lacuna do tempo e do vento. Um gemido. Um afago.
O céu, o ar, o parapeito, a calçada, um giro, o gemido, nosso afago.
Coincidentemente acordo com você na janela olhando a luz vermelha do sol que se deposita atrás do Curral Del Rey. O ar pesado. O quadrado não é mais mágico, e para sepultar de vez nossa vida, a terra não é mais santa.
Janela, luz, Del Rey, terra não mais santa.
O parapeito inerte sujo de sangue vermelho me faz lembrar que estamos mais uma vez sacramentados a viver dias de violência furtiva. O parapeito agora é o limite da vida morte, dor amor, paz terror.
O parapeito do Edifício Maleta observa a luz.
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Destrambelhada
Destrambelhada vinha correndo pela rua. As roupas sujas de minério, um sapato no pé e outro a mão, cabelos soltos e um enorme sorriso estampado no rosto. Corria velozmente sem se preocupar com a calçada secular. Corria como um corisco em descampados. O ar era rompido, o sorriso estendido a todos e ela corria cada vez mais. Ninguém sabia o que estava acontecendo, mas também não tinham coragem de interromper aquela menina corrida. Ela vinha sorrindo e eles apenas davam passagem. Ela ia embora com toda a alegria do mundo e eles não conseguiam entender. Nem ao menos tinham capacidade de perguntar o porquê de tamanha alegria. Em seu trajeto deixava espalhada entre casarões e barracões a alegria da vida estampado em seu sorriso. Destrambelhada ela ia espalhando felicidade pela rua.
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Mistérios de dona Naná
sábado, 1 de maio de 2010
E o leão comeu
E o leão mordeu! Não sabia? Mordeu menina... nem teve dó. Chegou de mansinho, mês após mês e quando menos esperava... abocanhou! Não teve jeito, lutei com todas as forças, utilizei todas as artimanhas, mas ele foi cruel. Nervoso como todo rei. Implacável como um leão na savana africana. Chegou, mordeu e levou uma grande parte do rico dinheirinho que ganhei durante o ano. Sem chances pro papai aqui se salvar. Nem um Real sobrou. Como diria uma música antiga do Kid Vinil: “Marcou, moeu, triturou, deglutiu, comeu... comeu...”. Ó Senhor será que ano que vem consigo salvar ao menos Um Realzinho?, vá saber... mas juro que um dia vou virar Al Capone e finalmente sonegarei algumas lascas para ter um abril mais feliz! E leão, honestamente esqueça um pouco os trabalhadores e vai morder os especuladores da bolsa, mega empresários e principalmente políticos que não declaram com exatidão o que ganham. Deixa de lado quem tem retenção na fonte. Vai cassar sua turma, rapaz!
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Eu disse tchau quando fechei a porta do carro
Eu sei bem o que quis dizer quando fechei a porta do carro e disse um indecente tchau. Não foi uma despedida simples, tão pouco corriqueira, foi o final. Final do ciclo que se iniciou e findou-se ali, naquela esquina. Esquina fétida como o cheiro terrível do teu perfume que prefiro nem dizer ou sentir. Sabe muito bem o que vivi. O inferno, o umbral, minha vida sem vontade. Não respirava, não amava, não sentia nada.
Eu sei bem o que quis dizer quando fechei a porta do carro e disse meu derradeiro e sólido tchau. Estava abrindo a porta da minha vida, do meu ser, da minha colônia. Sei bem, você se fez de vítima. Eu descobri por meios tão melancólicos que me fazem envergonhar de mim mesmo. Eu sei bem. Olhei em seus olhos. Invadi cada pedaço de falta de pudor nesta tua vida ínfima. Vida crua, nua, impura.
Eu sei bem o que quis dizer quando fechei a porta do carro e disse meu bombástico e translúcido tchau. Era o passaporte que você tanto esperava. Que minha alma desejava. Que o universo dependia para continuar girando em torno do sol. O meu sol. O meu universo.
Suma pessoa nefasta. Coisa nojenta. Estúpido horrendo. Suma... desapareça!, deixe os raios do amor e da compreensão se aconchegarem em meu vazio coração. Eu disse tchau quando fechei a porta do carro.
Eu sei bem o que quis dizer quando fechei a porta do carro e disse meu derradeiro e sólido tchau. Estava abrindo a porta da minha vida, do meu ser, da minha colônia. Sei bem, você se fez de vítima. Eu descobri por meios tão melancólicos que me fazem envergonhar de mim mesmo. Eu sei bem. Olhei em seus olhos. Invadi cada pedaço de falta de pudor nesta tua vida ínfima. Vida crua, nua, impura.
Eu sei bem o que quis dizer quando fechei a porta do carro e disse meu bombástico e translúcido tchau. Era o passaporte que você tanto esperava. Que minha alma desejava. Que o universo dependia para continuar girando em torno do sol. O meu sol. O meu universo.
Suma pessoa nefasta. Coisa nojenta. Estúpido horrendo. Suma... desapareça!, deixe os raios do amor e da compreensão se aconchegarem em meu vazio coração. Eu disse tchau quando fechei a porta do carro.
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quarta-feira, 28 de abril de 2010
Urbanidade
Um menino,
Os pés descalços,
Sacolés branco,
Vapor barato,
Tiro ingrato.
Uma voz rouca,
Negra flor sobre a mesa,
Castiçal imponente,
A luz branca de vela,
Corpo sobre a mesa,
Treze anos.
A dor necessária no recinto,
Mulheres chorando,
Meninos correndo no quintal,
Cigarros acesos,
O óbito como deve ser,
Bola esquecida.
Terra escavada,
Choro com dor,
Ônibus do dono,
A boca em luto,
Mãe que morre,
Pai que chore,
Infância se finda,
Vapor barato.
Os pés descalços,
Sacolés branco,
Vapor barato,
Tiro ingrato.
Uma voz rouca,
Negra flor sobre a mesa,
Castiçal imponente,
A luz branca de vela,
Corpo sobre a mesa,
Treze anos.
A dor necessária no recinto,
Mulheres chorando,
Meninos correndo no quintal,
Cigarros acesos,
O óbito como deve ser,
Bola esquecida.
Terra escavada,
Choro com dor,
Ônibus do dono,
A boca em luto,
Mãe que morre,
Pai que chore,
Infância se finda,
Vapor barato.
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Vida bandida
Pensativo
A vida me corrói. Eu corrôo a vida. Identificamos-nos cada vez mais um com o outro.
Eu e a vida.
Eu e a vida.
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pensamentos
terça-feira, 27 de abril de 2010
Vivido
Chegou, agarrou, unhou, tragou, marcou...
Fiquei assim, pro resto da vida,
Chegado, agarrado, unhado, tragado, marcado!
Fiquei assim, pro resto da vida,
Chegado, agarrado, unhado, tragado, marcado!
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segunda-feira, 26 de abril de 2010
Sangue e cuspe
Tenho que parar de beber – cuspiu o sangue que chegava à sua boca, depois de ter tomado mais uma dose do rum. A cabeça estourando, a falta das balinhas de cafeína, a dor doída de dentro pra fora. Maldito etílico, maldita dor, vida sorvida pelos copos. A moral, já não mais existia, perdeu-se pelos ladrilhos das latrinas da vida. O vital órgão, já demonstrava falhar. O fim estava prestes a chegar, e o sangue agora jorrava quase sempre. A vida seguia de copos em copos, sem trégua, sem falhar um só dia. Seguia de copos em copos.
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sexta-feira, 23 de abril de 2010
Tragos malditos
Um clarão ilumina o quarto. O cigarro na boca pronto para ser aceso. Um vazio no peito. Certo deserto a ser preenchido. O odor da pólvora aromatiza o quarto. Uma nova luz alaranjada em forma cilíndrica. A primeira tragada. A fumaça do prazer cancerígeno preenche o deserto no peito.
Um suspiro. Um lamento. Um quarto. A falta do sono. Sozinho...
Caminha até a penteadeira e aciona o toca-fitas guardado desde a década de oitenta. Arnaldo canta, ele fuma... “um dia desses você vai ficar lembrando de nós dois e não vai acender a luz do quarto quando o sol se for”. O lamento já era esperado. Ele já sabia que novamente passaria por aquele momento. E não seria a última vez. Isso também já sabia.
A dor me dá gozo? – Pensava ao tragar um pouco mais do câncer. O sabor de canela do maldito cilindro o trazia paz... paz... paz-me! O mundo girava. Ele atordoado com a química também. Maldita mistura, maldito câncer, maldito término.
Mas, mesmo assim, não dava o braço a torcer. Sabia que aquilo passaria, só não sabia quando. “toda memória dessa nossa estória se extinguir e você nunca vai saber de nada do que eu senti sozinho no meu quarto de dormir”.
A fita embola. Ele irritado desliga o toca-fitas. Outra baforada. Caminha ao banheiro. Lava o rosto e chora. Chora um choro triste. Sozinho no quarto. Última tragada, mais um pouco do câncer para matá-lo aos poucos. Afinal em sua vida tudo era aos poucos, em doses homeopáticas, até mesmo a morte. Menos o amor, a dor e a flor.
Um suspiro. Um lamento. Um quarto. A falta do sono. Sozinho...
Caminha até a penteadeira e aciona o toca-fitas guardado desde a década de oitenta. Arnaldo canta, ele fuma... “um dia desses você vai ficar lembrando de nós dois e não vai acender a luz do quarto quando o sol se for”. O lamento já era esperado. Ele já sabia que novamente passaria por aquele momento. E não seria a última vez. Isso também já sabia.
A dor me dá gozo? – Pensava ao tragar um pouco mais do câncer. O sabor de canela do maldito cilindro o trazia paz... paz... paz-me! O mundo girava. Ele atordoado com a química também. Maldita mistura, maldito câncer, maldito término.
Mas, mesmo assim, não dava o braço a torcer. Sabia que aquilo passaria, só não sabia quando. “toda memória dessa nossa estória se extinguir e você nunca vai saber de nada do que eu senti sozinho no meu quarto de dormir”.
A fita embola. Ele irritado desliga o toca-fitas. Outra baforada. Caminha ao banheiro. Lava o rosto e chora. Chora um choro triste. Sozinho no quarto. Última tragada, mais um pouco do câncer para matá-lo aos poucos. Afinal em sua vida tudo era aos poucos, em doses homeopáticas, até mesmo a morte. Menos o amor, a dor e a flor.
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quinta-feira, 22 de abril de 2010
Noite de rei
Meio da manhã. Avenida Silva Lobo. Uma praça infestada de crianças e jovens. Trânsito infernal. Finalmente um lindo céu azul enfeitava aquela manhã turbulenta do lado de fora. Mas por dentro, a satisfação enorme o abraçava o coração. O mocassim azul, a bermuda branca e uma mulher estampando sua camisa. Ele descendo a avenida assoviando uma bela canção do Cavaquinho.
O corpo solto, sorriso largo, sol quente, trânsito infernal. O cheiro do amor bem feito o cobria e fazia com que tivesse boas recordações naquela manhã. Apesar do álcool consumido com abusos na noite anterior, a noite de rei, com a qual foi presenteado, não sentia a maldita dor de cabeça que sempre o esperava pela manhã.
Um carro passa, um cachorro mija na calçada, um moleque vende bala na Platina, um velho pede ajuda para sobreviver. E ele, alheio a tudo, continua seu caminho sem se preocupar com nada. Estava leve. Limpo. E finalmente feliz. Esquecido de tudo, até mesmo do cheque especial que lhe consome duzentos por cento ao ano. Queria lembrar-se de nada, somente da noite de rei.
Entra no metrô, assenta com o coração, fecha os olhos e finalmente chega à santa terra. Tereza o esperava no portão da Mármore.
O corpo solto, sorriso largo, sol quente, trânsito infernal. O cheiro do amor bem feito o cobria e fazia com que tivesse boas recordações naquela manhã. Apesar do álcool consumido com abusos na noite anterior, a noite de rei, com a qual foi presenteado, não sentia a maldita dor de cabeça que sempre o esperava pela manhã.
Um carro passa, um cachorro mija na calçada, um moleque vende bala na Platina, um velho pede ajuda para sobreviver. E ele, alheio a tudo, continua seu caminho sem se preocupar com nada. Estava leve. Limpo. E finalmente feliz. Esquecido de tudo, até mesmo do cheque especial que lhe consome duzentos por cento ao ano. Queria lembrar-se de nada, somente da noite de rei.
Entra no metrô, assenta com o coração, fecha os olhos e finalmente chega à santa terra. Tereza o esperava no portão da Mármore.
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quarta-feira, 21 de abril de 2010
Divagando
Por mais que eu tente, por mais que eu não queira, por mais que Ele tente me ajudar. Vivo e sinto-me só. Posso estar rodeado de tudo e de todos que o mundo confabula para que no final eu esteja só. Sozinho. Desacompanhado. Unicamente único. Unicamente só.
Sei que ajudei nesta tão dramática fabrica de solidão, mas o que fazer além de viver?
Sinto-me às vezes incompreensível comigo mesmo, e assim, vou indo e vindo nesta maluquice louca que resolvi chamar de vida.
Vida passa, amores passam, sonhos se desfazem e a única coisa que tenho certeza que não passará é a certeza que te amei!
Sei que ajudei nesta tão dramática fabrica de solidão, mas o que fazer além de viver?
Sinto-me às vezes incompreensível comigo mesmo, e assim, vou indo e vindo nesta maluquice louca que resolvi chamar de vida.
Vida passa, amores passam, sonhos se desfazem e a única coisa que tenho certeza que não passará é a certeza que te amei!
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terça-feira, 20 de abril de 2010
Pronuncia do amor
- E quanto a vocês, que não acreditam no amor, estou aqui para provar a todos que amei uma mulher. Amei incondicionalmente. Fiz da minha a vida dela. Sofri por amar. Sofri por perder esse tão belo e puro amor. Hoje não sou mais o mesmo que antes. Não tenho a mesma face. Não tenho o mesmo brio. Não me julguem, vocês não sabem o que eu passei. Não fazem idéia da dor que sinto até hoje. E muito menos não fazem idéia do que aconteceu. Mas estou aqui. Com a vergonha a me abraçar e vocês a julgar. Não tenho medo de seu julgamento. Não tenho pena da minha vida. Não tenho mais o meu amor. Senhores transeuntes, que bondosamente pararam alguns instantes para ouvir o meu lamento. Um único conselho darei, amem! Amem sem medo, sem dor, incondicionalmente. Amem.
Uma salva de palmas é ouvida em toda Praça Sete. Ele desce da caixa de maçã utilizada como palanque e sai em caminhada até um novo ponto da praça para iniciar novamente seu discurso sobre o amor.
Alguns acham que ele é apenas mais um bêbado, que perdeu sua chance pelo álcool. Outros acham que é mais um louco. Desses loucos que de tanto usarem o que não deve e acaba ficando louco. Já os mais sábios compreendem a dor de um homem que amou verdadeiramente sua amada, e por algum motivo bobo, ou não, ficou perdido pelo caminho afora.
É simplesmente surpreendente olhar aquela figura na praça. A convicção de que ele fala do amor. Da dor que transmite em sua fala. Das lágrimas que descem de seus olhos quando fala em sua amada. Ele sim, realmente ama.
Volto novamente ao meu caminho, e sigo em frente. Mas depois de ter ouvido seu relato de vida, só consigo pensar em uma coisa... Amor! O amor na mais pura forma.
Uma salva de palmas é ouvida em toda Praça Sete. Ele desce da caixa de maçã utilizada como palanque e sai em caminhada até um novo ponto da praça para iniciar novamente seu discurso sobre o amor.
Alguns acham que ele é apenas mais um bêbado, que perdeu sua chance pelo álcool. Outros acham que é mais um louco. Desses loucos que de tanto usarem o que não deve e acaba ficando louco. Já os mais sábios compreendem a dor de um homem que amou verdadeiramente sua amada, e por algum motivo bobo, ou não, ficou perdido pelo caminho afora.
É simplesmente surpreendente olhar aquela figura na praça. A convicção de que ele fala do amor. Da dor que transmite em sua fala. Das lágrimas que descem de seus olhos quando fala em sua amada. Ele sim, realmente ama.
Volto novamente ao meu caminho, e sigo em frente. Mas depois de ter ouvido seu relato de vida, só consigo pensar em uma coisa... Amor! O amor na mais pura forma.
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segunda-feira, 19 de abril de 2010
Pensativo
Nesta manhã, onde tudo renovado apareceu, acordei surpreendido com a falta. Meu corpo não me pertence mais, assim como minha alma. Não sou mais o mesmo. E quem é? Depois de anos e anos do mais absoluto desinteresse pela vida que me cerca, não sou mais o mesmo.
Com o etílico que vive a me cercar, me sinto... toco-me... me converto a mais bela história de dor. Dor... sempre esta maldita me acompanha. Para ela pouco importa onde estou e como estou. Se feliz, se triste. Não faz diferença, ela sempre presente.
Se tu um dia, acreditar na volta do anoitecer, me avise. Conte-me, me desconte. Mostre-me como adorar novamente o luar, sem ao menos pensar nela uma única vez. A lua... Lua que me abandonou. Eu que abandonei a lua.
Com o etílico que vive a me cercar, me sinto... toco-me... me converto a mais bela história de dor. Dor... sempre esta maldita me acompanha. Para ela pouco importa onde estou e como estou. Se feliz, se triste. Não faz diferença, ela sempre presente.
Se tu um dia, acreditar na volta do anoitecer, me avise. Conte-me, me desconte. Mostre-me como adorar novamente o luar, sem ao menos pensar nela uma única vez. A lua... Lua que me abandonou. Eu que abandonei a lua.
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sexta-feira, 16 de abril de 2010
Querer
Eu queria esta noite,
Entregar-me em seus braços,
Ver seus olhos fumegantes,
Sentir o seu calor.
Nestas noites de outono,
Seu calor me faz falta,
Mesmo sendo eu,
O que sou,
E ninguém mais sabe o que isso quer dizer,
Sou.
Nesta noite,
Eu queria encontrar sua boca,
Deixa-te louca,
Arrancar-lhe a roupa,
Fazer-nos feliz...
Como em outras épocas,
De nossas vidas vividas,
Eu queria...
Entregar-me em seus braços,
Ver seus olhos fumegantes,
Sentir o seu calor.
Nestas noites de outono,
Seu calor me faz falta,
Mesmo sendo eu,
O que sou,
E ninguém mais sabe o que isso quer dizer,
Sou.
Nesta noite,
Eu queria encontrar sua boca,
Deixa-te louca,
Arrancar-lhe a roupa,
Fazer-nos feliz...
Como em outras épocas,
De nossas vidas vividas,
Eu queria...
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Xique Xique
"Eu vi o cego lendo a corda da viola
Cego com cego no duelo do sertão
Eu vi o cego dando nó cego na cobra
vi cego preso na gaiola da visão
Pássaro preto voando pra muito longe
E a cabra cega enxergando a escuridão
Eu vi a lua na cacunda do cometa
Vi a zabumba e o fole a zabumbá
Eu vi o raio quando o, céu todo corisca
E o triângulo engulindo faiscá
Vi a galáctea branca na galáctea preta
Eu vi o dia e a noite se encontrá
Eu vi o pai eu vi a mãe eu vi a filha
Via novilha que é filha da novilhá
Eu vi a réplica da réplica da bíblia
Na invenção dum cantador de ciençá
Vi o cordeiro de deus num ovo vazio
Fiquei com frio te pedi pra me esquentá"
Fonte: Música: Xique Xique
Autor: Tom Zé e Zé Miguel Wisnik
Cego com cego no duelo do sertão
Eu vi o cego dando nó cego na cobra
vi cego preso na gaiola da visão
Pássaro preto voando pra muito longe
E a cabra cega enxergando a escuridão
Eu vi a lua na cacunda do cometa
Vi a zabumba e o fole a zabumbá
Eu vi o raio quando o, céu todo corisca
E o triângulo engulindo faiscá
Vi a galáctea branca na galáctea preta
Eu vi o dia e a noite se encontrá
Eu vi o pai eu vi a mãe eu vi a filha
Via novilha que é filha da novilhá
Eu vi a réplica da réplica da bíblia
Na invenção dum cantador de ciençá
Vi o cordeiro de deus num ovo vazio
Fiquei com frio te pedi pra me esquentá"
Fonte: Música: Xique Xique
Autor: Tom Zé e Zé Miguel Wisnik
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Olhos de fino trato
Manhã de sufoco
Completamente atordoado e com a cabeça lembrando um ataque de maribondos, acordou. Não se recordava onde estava. Olhou em volta e não reconhecia nada. As portas, as janelas, o armário do quarto e nem mesmo a roupa de cama. E por falar em roupa, onde estavam as suas? Completamente nu, como veio ao mundo. Peladinho da silva.
Passou as mãos no corpo, viu que estava tudo no lugar. Depois de tantos emails descrevendo roubos de rins, foi logo conferir se os dele estavam por ali ainda. Tudo certo. Reparou que alguém estava no banheiro do quarto. O barulho do chuveiro ligado. O vapor da água quente preenchia o espaço do quarto.
Pensou na noiva, na mãe e até mesmo em Padre Eustaquio. Afinal era devoto e morador do bairro. Como iria explicar a todos eles a situação em que se encontrava. A noitada foi boa. O corpo todo marcado, o pênis dolorido e a dor de cabeça medonha o assombrava. Deus o que fiz desta vez? – pensava.
A vontade era de pegar suas roupas e sair correndo. E porque não fazer isto? Quando a idéia veio-lhe a cabeça deu um pulo da cama. Saiu catando as roupas no quarto afora. Vestiu a cueca, a calça, abotoou o cinto de maneira errônea, a camisa pra fora da calça e foi calçando os sapatos. Caminhou passo a passo até a porta e girou a maçaneta. Neste mesmo instante a ducha corona foi desligada. O coração apertou. Uma vontade louca de desaparecer. A porta do banheiro começa a ranger. Um aperto na barriga. Uma mão feminina aparece, e ele com vontade de ser a feiticeira e desaparecer. Uma perna estonteante torneada. Uma cara de bobo. Uma voz é reconhecida.
- Benhê!, onde você está indo?
Passou as mãos no corpo, viu que estava tudo no lugar. Depois de tantos emails descrevendo roubos de rins, foi logo conferir se os dele estavam por ali ainda. Tudo certo. Reparou que alguém estava no banheiro do quarto. O barulho do chuveiro ligado. O vapor da água quente preenchia o espaço do quarto.
Pensou na noiva, na mãe e até mesmo em Padre Eustaquio. Afinal era devoto e morador do bairro. Como iria explicar a todos eles a situação em que se encontrava. A noitada foi boa. O corpo todo marcado, o pênis dolorido e a dor de cabeça medonha o assombrava. Deus o que fiz desta vez? – pensava.
A vontade era de pegar suas roupas e sair correndo. E porque não fazer isto? Quando a idéia veio-lhe a cabeça deu um pulo da cama. Saiu catando as roupas no quarto afora. Vestiu a cueca, a calça, abotoou o cinto de maneira errônea, a camisa pra fora da calça e foi calçando os sapatos. Caminhou passo a passo até a porta e girou a maçaneta. Neste mesmo instante a ducha corona foi desligada. O coração apertou. Uma vontade louca de desaparecer. A porta do banheiro começa a ranger. Um aperto na barriga. Uma mão feminina aparece, e ele com vontade de ser a feiticeira e desaparecer. Uma perna estonteante torneada. Uma cara de bobo. Uma voz é reconhecida.
- Benhê!, onde você está indo?
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Mistérios de dona Naná
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Espetáculo de outono
Depois de te olhar pela última vez, senti o mundo ruir sob meus pés. Não sei como tive coragem de tomar decisão tão infame, mas tomei. Decisões foram feitas para serem tomadas, eu sabia disto, e as tomei. Não podia deixar aquilo tomar uma acepção monstruosa. O mal havia de ser cortado pela raiz. Não tive outra escolha. Os fatos eram claros, os personagens estavam escolhidos, a história era concisa. E a mim, diretor de tão funesto espetáculo de dor, sobrou tomar a direção correta.
Sentamos num boteco qualquer na Rua da Bahia. Olhamos tenramente nos olhos de nós mesmos, e com a boca perfumada pela cerveja gelada, começamos um papo qualquer. Por mais certeza que houvesse naquela decisão infortuna, queria deixá-la para tomá-la o mais tarde possível. Mas as coisas foram esquentando, o álcool já comandava a maioria de nossos atos e o tempo implorava que o mal fosse consumado.
Olhei para o céu, te mostrei a lua linda destas noites de outono. Fizemos planos, encenamos um primeiro ato da nossa peça da vida humana que temos. Sorrimos!, achávamos que éramos os donos do teatro. Mas os personagens já estavam escolhidos, o roteiro reescrito, o cenário desenhado, e eu, diretor da vida que não é mais minha... não tive opção.
Vi-te descendo a Bahia enquanto ficava na Timbiras. Ali na esquina, com o lagoinha a mão. O sabor amargo da mudança de planos, de atos, de atores, de vida, era sentido agora em toda a minha boca. Fiquei difuso. Nada encontrava com nada. Nem eu com você. A obra dramática da vida escrita e tristemente encenada.
No cenário de uma noite qualquer de outono, de uma esquina única de Belo Horizonte, meu único espetáculo de luz e alegria, transformou-se em uma grande e melancólica tragédia.
Sentamos num boteco qualquer na Rua da Bahia. Olhamos tenramente nos olhos de nós mesmos, e com a boca perfumada pela cerveja gelada, começamos um papo qualquer. Por mais certeza que houvesse naquela decisão infortuna, queria deixá-la para tomá-la o mais tarde possível. Mas as coisas foram esquentando, o álcool já comandava a maioria de nossos atos e o tempo implorava que o mal fosse consumado.
Olhei para o céu, te mostrei a lua linda destas noites de outono. Fizemos planos, encenamos um primeiro ato da nossa peça da vida humana que temos. Sorrimos!, achávamos que éramos os donos do teatro. Mas os personagens já estavam escolhidos, o roteiro reescrito, o cenário desenhado, e eu, diretor da vida que não é mais minha... não tive opção.
Vi-te descendo a Bahia enquanto ficava na Timbiras. Ali na esquina, com o lagoinha a mão. O sabor amargo da mudança de planos, de atos, de atores, de vida, era sentido agora em toda a minha boca. Fiquei difuso. Nada encontrava com nada. Nem eu com você. A obra dramática da vida escrita e tristemente encenada.
No cenário de uma noite qualquer de outono, de uma esquina única de Belo Horizonte, meu único espetáculo de luz e alegria, transformou-se em uma grande e melancólica tragédia.
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Simples escrito
Noites de maio
As noites de maio me trazem dor,
Nestas noites andei perdendo minha flor,
Não sei quais os feitiços existentes em maio,
Mas em maio fiquei sem flor e com dor.
Um carro verde,
Uma hora imprópria,
Uma data...
Um maio qualquer.
São nas noites de maio...
Nestas noites andei perdendo minha flor,
Não sei quais os feitiços existentes em maio,
Mas em maio fiquei sem flor e com dor.
Um carro verde,
Uma hora imprópria,
Uma data...
Um maio qualquer.
São nas noites de maio...
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Simples escrito
Olho de lince
"Quem fala que sou esquisito hermético
É porque não dou sopa estou sempre elétrico
Nada que se aproxima nada me é estranho
Fulano sicrano e beltrano
Seja pedra seja planta seja bicho seja humano
Quando quero saber o que ocorre a minha volta
Ligo a tomada abro a janela escancaro a porta
Experimento tudo nunca me iludo
Quero crer no que vem por ao beco escuro
Me iludo passando presente futuro
Revir na palma da mão o dado
Presente futuro passado
Tudo sentir de todas as maneiras
É a chave de ouro do meu jogo
De minha mais alta razão
Na seqüência de diferentes naipes
Quem fala de mim tem paixão."
Fonte: Música: Olho de lince
Autores: Jards Macalé / Waly Salomão
É porque não dou sopa estou sempre elétrico
Nada que se aproxima nada me é estranho
Fulano sicrano e beltrano
Seja pedra seja planta seja bicho seja humano
Quando quero saber o que ocorre a minha volta
Ligo a tomada abro a janela escancaro a porta
Experimento tudo nunca me iludo
Quero crer no que vem por ao beco escuro
Me iludo passando presente futuro
Revir na palma da mão o dado
Presente futuro passado
Tudo sentir de todas as maneiras
É a chave de ouro do meu jogo
De minha mais alta razão
Na seqüência de diferentes naipes
Quem fala de mim tem paixão."
Fonte: Música: Olho de lince
Autores: Jards Macalé / Waly Salomão
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pensamentos
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Repensando
Os prazos vão correndo,
As datas vão aparecendo,
E os sentimentos de outrora seguem demonstrando os resultados de escolhas.
As datas vão aparecendo,
E os sentimentos de outrora seguem demonstrando os resultados de escolhas.
Manhãs de outono
O quê mais dói nestas manhãs claras de outono é sentir-me subjugado. Sejam pelas forças da dor, do amor, ou até mesmo pela coloração cinza do céu. É inevitável sentir tais apertos a me apertar.
No caminho da terra santa até onde sou sistematicamente entorpecido pela pressão do dia-a-dia, venho sentindo a falta do calor das manhãs do meu último verão. Não sei quando este calor voltará ou até mesmo se voltará. O calor do quadrado mágico em minha terra santa.
É bem certo que o inverno chegará impiedoso. E nós, amantes da vida sofrida, sofreremos mais e cada vez mais, com a falta da vigília da pessoa amada ao nosso lado. Mas a dúvida continua e sempre continuará pairando sob nossas cabeças: "O que é o amor, onde vai dar, luar perdido em mim...".
No caminho da terra santa até onde sou sistematicamente entorpecido pela pressão do dia-a-dia, venho sentindo a falta do calor das manhãs do meu último verão. Não sei quando este calor voltará ou até mesmo se voltará. O calor do quadrado mágico em minha terra santa.
É bem certo que o inverno chegará impiedoso. E nós, amantes da vida sofrida, sofreremos mais e cada vez mais, com a falta da vigília da pessoa amada ao nosso lado. Mas a dúvida continua e sempre continuará pairando sob nossas cabeças: "O que é o amor, onde vai dar, luar perdido em mim...".
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terça-feira, 13 de abril de 2010
Poesia
"Sorri
Quando te conheci,
Quis ser de mais ninguém
Existia um porém que eu fiquei sem saber
Se o que tinha de ser me fazia sorrir
Menti, resisti com ardor
Não pensava em querer
Foi olhar pra você e o cenário mudou
E ficou tudo azul como tinha de ser
Deixei a mão da poesia rabiscar um poema
Pra falar de amor
Ter você como tema
E agradecer em verso a prosa que eu ouvi
Em letra e melodia
Agradeço o dia em que te conheci"
Fonte: Música: Poesia
Autora: Teresa Cristina
Quando te conheci,
Quis ser de mais ninguém
Existia um porém que eu fiquei sem saber
Se o que tinha de ser me fazia sorrir
Menti, resisti com ardor
Não pensava em querer
Foi olhar pra você e o cenário mudou
E ficou tudo azul como tinha de ser
Deixei a mão da poesia rabiscar um poema
Pra falar de amor
Ter você como tema
E agradecer em verso a prosa que eu ouvi
Em letra e melodia
Agradeço o dia em que te conheci"
Fonte: Música: Poesia
Autora: Teresa Cristina
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Mal-dito, bem-dito
Mal-dito é a dor, bem-dito é o amor.
Maldito é o espaço do tempo em que deixamos de nos ver,
Bendito são as horas em que passamos nos amando.
Maldito é o ódio que nos preenche o coração,
Bendito são os dias em que estive ao teu lado.
Maldito é aquele momento em que a raiva tomou conta,
Bendito foi o instante quando aceitamos nosso amor.
Mal-dito é o rancor, bem-dito é o amor.
Maldito foi o dia em que me amaldiçoou,
Bendito o dia em que me abençoou.
Maldito o instante que resolveu me esquecer,
Bendito o exato segundo em que se lembrou de mim.
Maldito foi a noite em que sua luz foi embora,
Bendito é o sorriso da sua boca que ficou comigo.
Vida mal-dita, Vida bem-dita.
Maldito é o espaço do tempo em que deixamos de nos ver,
Bendito são as horas em que passamos nos amando.
Maldito é o ódio que nos preenche o coração,
Bendito são os dias em que estive ao teu lado.
Maldito é aquele momento em que a raiva tomou conta,
Bendito foi o instante quando aceitamos nosso amor.
Mal-dito é o rancor, bem-dito é o amor.
Maldito foi o dia em que me amaldiçoou,
Bendito o dia em que me abençoou.
Maldito o instante que resolveu me esquecer,
Bendito o exato segundo em que se lembrou de mim.
Maldito foi a noite em que sua luz foi embora,
Bendito é o sorriso da sua boca que ficou comigo.
Vida mal-dita, Vida bem-dita.
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Alma no vento que bate no rosto
11h28min: mandei-te um texto
11h28min: Cara, Lupicínio Rodrigues no final... Está se divertindo com os textos né malandro?
11h29min: uai, pintou... Achei que dava pra por
11h29min: perfeito, deu certinho! Vale uma nota no final falando que o trecho é da música dele na voz de Bethânia, LP Mel, 1971 (risos)
11h30min: Tem gente que não gosta muito desta "dores”...
11h31min: Como assim?
11h32min: Tipo, acha que vivo triste
11h34min: E você? O que acha?
11h34min: Acho que é dor de cotovelo... Porque não sabe pra quem eu escrevo.
11h35min: (risos) E pra quem é que você escreve? Sabe que eu já me fiz essa pergunta?
11h36min: Eu escrevo pros meus amores... Sejam quais forem. Desde meus cachorros, até meus amigos, minhas mulheres, meus homens... escrevo pra tudo. Pro carro que não funcionou de manhã, pra viagem que deixei de fazer, pro chope que estava gelado... para tudo e para todos.
11h36min: bom, explica! Muito bom...
11h37min: (risos) Gosto muito de continuar respirando
11h37min: É garoto, isso aí, alma no vento que bate no rosto...
11h28min: Cara, Lupicínio Rodrigues no final... Está se divertindo com os textos né malandro?
11h29min: uai, pintou... Achei que dava pra por
11h29min: perfeito, deu certinho! Vale uma nota no final falando que o trecho é da música dele na voz de Bethânia, LP Mel, 1971 (risos)
11h30min: Tem gente que não gosta muito desta "dores”...
11h31min: Como assim?
11h32min: Tipo, acha que vivo triste
11h34min: E você? O que acha?
11h34min: Acho que é dor de cotovelo... Porque não sabe pra quem eu escrevo.
11h35min: (risos) E pra quem é que você escreve? Sabe que eu já me fiz essa pergunta?
11h36min: Eu escrevo pros meus amores... Sejam quais forem. Desde meus cachorros, até meus amigos, minhas mulheres, meus homens... escrevo pra tudo. Pro carro que não funcionou de manhã, pra viagem que deixei de fazer, pro chope que estava gelado... para tudo e para todos.
11h36min: bom, explica! Muito bom...
11h37min: (risos) Gosto muito de continuar respirando
11h37min: É garoto, isso aí, alma no vento que bate no rosto...
domingo, 11 de abril de 2010
Vida de pobre
Lá no alto a alvorada chega mais cedo. È assim, pessoas levantam correndo, arrumam suas marmitas com a comida que sobrou do jantar. Passam ligeiramente um bife, claro que isto acontece quando recebem a benção do Senhor de possuírem o tal bife. Fecham rapidamente tudo e colocam na bolsa. Um café preto com o pão com a margarina mais barata do mercado goela abaixo. Uma baforada em cada sovaco do álcool misturado com bicarbonato. E finalmente vão para a rua.
Pensa que acabou o sofrimento? Ilusão de Maria Pezinho. Nada meu filho... ainda tem a maratona do ônibus. Ponto cheio, multidão enraivecida com a demora do lotação. Bolsas à frente, mochilas para trás, cheiro de comida espalhada pela rua. Dez minutos e nada. Vinte minutos e finalmente um carro aparece na esquina. A multidão entra em polvorosa. O busão para, a porta é aberta, e só neste momento que começa a competição de quem pega o assento primeiro. Terminado esta prova começa automaticamente a de quem fica por último. Passado alguns minutos, o busu lotado. Corpos espremidos pelo corredor afora. A mistura de odores de comida fica mais intensa. E lá vai o ônibus embora. Seguindo despejando gente até o centro da cidade.
Vida sofrida é esta do povo do morro. À volta para casa não é muito diferente. A não ser das marmitas vazias e a troca do ponto final do lotação. No resto é a mesma história.
Pensa que acabou o sofrimento? Ilusão de Maria Pezinho. Nada meu filho... ainda tem a maratona do ônibus. Ponto cheio, multidão enraivecida com a demora do lotação. Bolsas à frente, mochilas para trás, cheiro de comida espalhada pela rua. Dez minutos e nada. Vinte minutos e finalmente um carro aparece na esquina. A multidão entra em polvorosa. O busão para, a porta é aberta, e só neste momento que começa a competição de quem pega o assento primeiro. Terminado esta prova começa automaticamente a de quem fica por último. Passado alguns minutos, o busu lotado. Corpos espremidos pelo corredor afora. A mistura de odores de comida fica mais intensa. E lá vai o ônibus embora. Seguindo despejando gente até o centro da cidade.
Vida sofrida é esta do povo do morro. À volta para casa não é muito diferente. A não ser das marmitas vazias e a troca do ponto final do lotação. No resto é a mesma história.
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sexta-feira, 9 de abril de 2010
Circulando
Na minha vida perdida, de homens assombrados e mulheres espetaculares, vejo-me novamente na rotatória da insensatez. O céu cinza com o sol se escondendo entre as nuvens, nestas manhãs intensas de outono, vem o frio.
O frio da cama, da poltrona, do lado avesso do sentimento que um dia nutri por alguém.
Insensato é a versão oblíqua que um dia escutei de alguém, talvez o mesmo alguém que me alimentou durante carnavais e temporais, sobre a existência de nós. Não me lembro bem quem me disse isto, ou se realmente me disseram isso ou se é apenas mais um dos meus devaneios na escuridão da vida.
È fato. O natal será em dezembro, assim como o carnaval foi em um dia de um mês diferente dos últimos carnavais.
Quando saio da rotatória e volto ao meu quarto, é claro que não vejo nada alem do quadro da serpente brigando com os lobos e o cavalo, me sinto feliz. Meu quadrado insensato como a vida da rotatória que deixei para trás. Normalmente me sinto único nestes momentos de inexatidão. De não ter você ou até mesmo eu. È estúpido o sentimento de solidão. È insólito tal coisa na vida de tais pessoas.
Eu sou a pessoa, o estúpido!, eu sou o insólito. Eu sou eu e diferentemente do que possamos pensar... nós somos nós.
Apenas eu, apenas tu, apenas nós.
A rotatória da insensatez está novamente ali. E eu novamente entro nela e retorno a viagem sem fim, sem volta, sem começo, sem eu, sem você.
Circulando...
O frio da cama, da poltrona, do lado avesso do sentimento que um dia nutri por alguém.
Insensato é a versão oblíqua que um dia escutei de alguém, talvez o mesmo alguém que me alimentou durante carnavais e temporais, sobre a existência de nós. Não me lembro bem quem me disse isto, ou se realmente me disseram isso ou se é apenas mais um dos meus devaneios na escuridão da vida.
È fato. O natal será em dezembro, assim como o carnaval foi em um dia de um mês diferente dos últimos carnavais.
Quando saio da rotatória e volto ao meu quarto, é claro que não vejo nada alem do quadro da serpente brigando com os lobos e o cavalo, me sinto feliz. Meu quadrado insensato como a vida da rotatória que deixei para trás. Normalmente me sinto único nestes momentos de inexatidão. De não ter você ou até mesmo eu. È estúpido o sentimento de solidão. È insólito tal coisa na vida de tais pessoas.
Eu sou a pessoa, o estúpido!, eu sou o insólito. Eu sou eu e diferentemente do que possamos pensar... nós somos nós.
Apenas eu, apenas tu, apenas nós.
A rotatória da insensatez está novamente ali. E eu novamente entro nela e retorno a viagem sem fim, sem volta, sem começo, sem eu, sem você.
Circulando...
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quinta-feira, 8 de abril de 2010
Indagação
Tente,
Nem tente,
Comente,
Lamente!
Tem gente,
Serpente,
Que é quente.
Sorridente!?
Na mente,
Única-mente,
Latente,
Só-mente,
A gente?
Consente...
Nem tente,
Comente,
Lamente!
Tem gente,
Serpente,
Que é quente.
Sorridente!?
Na mente,
Única-mente,
Latente,
Só-mente,
A gente?
Consente...
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Pensamento do dia
"Vamos começar
Colocando um ponto final
Pelo menos já é um sinal
De que tudo na vida tem fim"
"Mas é tudo novo de novo
Vamos nos jogar onde já caímos
Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos"
Fonte: Música: Tudo novo de novo
Autor: Moska
Colocando um ponto final
Pelo menos já é um sinal
De que tudo na vida tem fim"
"Mas é tudo novo de novo
Vamos nos jogar onde já caímos
Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos"
Fonte: Música: Tudo novo de novo
Autor: Moska
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quarta-feira, 7 de abril de 2010
Sabor do vinho
Um louco sabor do cáustico vinho assolou minha boca neste exato momento.
O sabor ácido da uva amassada e pisada pelos pés de não sei quem é, fica cada vez mais acentuado das lembranças... taças tomadas. Não se importando se estas foram devoradas a galope, ou até mesmo em uma mansa e tenra viagem do amor.
A boca salivou, o gosto passou, mas as marcas ficaram e indubitavelmente o vinho acabou.
O sabor ácido da uva amassada e pisada pelos pés de não sei quem é, fica cada vez mais acentuado das lembranças... taças tomadas. Não se importando se estas foram devoradas a galope, ou até mesmo em uma mansa e tenra viagem do amor.
A boca salivou, o gosto passou, mas as marcas ficaram e indubitavelmente o vinho acabou.
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Blues
Com um blues no violão,
Canto uma canção,
Será que um dia destes,
Acerto de vez seu coração?
Canto uma canção,
Será que um dia destes,
Acerto de vez seu coração?
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O cordel estradeiro
"A bença Manoel Chudu
O meu cordel estradeiro
Vem lhe pedir permissão
Pra se tornar verdadeiro
Pra se tornar mensageiro
Da força do teu trovão
E as asas da tanajura
Fazer voar o sertão
Meu moxotó coroado
De xiquexique e facheiro
Onde a cascavel cochila
Na boca do cangaceiro
Eu também sou cangaceiro
E o meu cordel estradeiro
É cascavel poderosa
É chuva que cai maneira
Aguando a terra quente
Erguendo um véu de poeira
Deixando a tarde cheirosa
É planta que cobre o chão
Na primeira trovoada
A noite que desce fria
Depois da tarde molhada
É seca desesperada
Rasgando o bucho do chão
É inverno e é verão
É canção de lavadeira
Peixeira de Lampião
As luzes do vaga-lume
Alpendre de casarão
A cuia do velho cego
Terreiro de amarração
O ramo da rezadeira
O banzo de fim de feira
Janela de caminhão
Vocês que estão no palácio
Venham ouvir meu pobre pinho
Não tem o cheiro do vinho
Das uvas frescas do Lácio
Mas tem a cor de Inácio
Da serra da Catingueira
Um cantador de primeira
Que nunca foi numa escola
Pois meu verso é feito a foice
Do cassaco cortar cana
Sendo de cima pra baixo
Tanto corta como espana
Sendo de baixo pra cima
voa do cabo e se dana"
Fonte:Música: O cordel estradeiro
Autor: Lirinha
Trechos de : Ivanildo Vilanova, fragmento de um improviso
: Manoel Chudu
Grupo : Cordel do fogo encantado
O meu cordel estradeiro
Vem lhe pedir permissão
Pra se tornar verdadeiro
Pra se tornar mensageiro
Da força do teu trovão
E as asas da tanajura
Fazer voar o sertão
Meu moxotó coroado
De xiquexique e facheiro
Onde a cascavel cochila
Na boca do cangaceiro
Eu também sou cangaceiro
E o meu cordel estradeiro
É cascavel poderosa
É chuva que cai maneira
Aguando a terra quente
Erguendo um véu de poeira
Deixando a tarde cheirosa
É planta que cobre o chão
Na primeira trovoada
A noite que desce fria
Depois da tarde molhada
É seca desesperada
Rasgando o bucho do chão
É inverno e é verão
É canção de lavadeira
Peixeira de Lampião
As luzes do vaga-lume
Alpendre de casarão
A cuia do velho cego
Terreiro de amarração
O ramo da rezadeira
O banzo de fim de feira
Janela de caminhão
Vocês que estão no palácio
Venham ouvir meu pobre pinho
Não tem o cheiro do vinho
Das uvas frescas do Lácio
Mas tem a cor de Inácio
Da serra da Catingueira
Um cantador de primeira
Que nunca foi numa escola
Pois meu verso é feito a foice
Do cassaco cortar cana
Sendo de cima pra baixo
Tanto corta como espana
Sendo de baixo pra cima
voa do cabo e se dana"
Fonte:Música: O cordel estradeiro
Autor: Lirinha
Trechos de : Ivanildo Vilanova, fragmento de um improviso
: Manoel Chudu
Grupo : Cordel do fogo encantado
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terça-feira, 6 de abril de 2010
Quantas lágrimas
Sentado no boteco, ergue a mão e pede mais uma. Uma boa dose da felicidade ardente é colocada no copo lagoinha. Até na risca – falou meio embolado.
Trago na risca do copo, voz embolada, olhos vermelhos. Retira da carteira a foto da mulher que o havia deixado. Esta sim o fez sofrer como um cachorro a beira da loucura.
Me dá uma ficha! - Estica os dois dedos e recebe um papel com código de barras. Dirige-se a jukebox escolhe uma música e espera a sua vez de escutar os versos escolhidos.
Os primeiros acordes da canção são dados. Um gole longo e profundo mata a última dose servida. Quero mais uma! – Completamente bêbado, começa a chorar enquanto Manacé vai destruindo o resto do orgulho que ainda tinha.
“Ah, quantas lágrimas eu tenho derramado; Só em saber que não posso mais; Reviver o meu passado”.
A dor sentida, o abandono sentado no banco ao lado, a mulher perdida.
Milhares de planos destruídos, os filhos que nunca mais irão nascer. Só lhe restava o companheiro de outrora. Este sim, nunca o abandonara. Sempre ali. Na risca. No lagoinha.
“Eu vivia cheio de esperança; E de alegria, eu cantava, eu sorria; Mas hoje em dia eu não tenho mais; A alegria dos tempos atrás”.
Mais uma dose – desta vez chorando prantos intermináveis grita ao atendente do balcão.
“Só melancolia os meus olhos trazem; Ai, quanta saudade a lembrança traz; Se houvesse retrocesso na idade; Eu não teria saudade; Da minha mocidade”
Pedido atendido, golo tomado, tontura sentida. Termina de escutar os últimos versos. Chora mais um pouco, limpa as lágrimas dos olhos vermelhos de dor, e finalmente sai.
Segue a rua cambaleando na esperança de que algo aconteça e absorva aquela toda dor.
Trago na risca do copo, voz embolada, olhos vermelhos. Retira da carteira a foto da mulher que o havia deixado. Esta sim o fez sofrer como um cachorro a beira da loucura.
Me dá uma ficha! - Estica os dois dedos e recebe um papel com código de barras. Dirige-se a jukebox escolhe uma música e espera a sua vez de escutar os versos escolhidos.
Os primeiros acordes da canção são dados. Um gole longo e profundo mata a última dose servida. Quero mais uma! – Completamente bêbado, começa a chorar enquanto Manacé vai destruindo o resto do orgulho que ainda tinha.
“Ah, quantas lágrimas eu tenho derramado; Só em saber que não posso mais; Reviver o meu passado”.
A dor sentida, o abandono sentado no banco ao lado, a mulher perdida.
Milhares de planos destruídos, os filhos que nunca mais irão nascer. Só lhe restava o companheiro de outrora. Este sim, nunca o abandonara. Sempre ali. Na risca. No lagoinha.
“Eu vivia cheio de esperança; E de alegria, eu cantava, eu sorria; Mas hoje em dia eu não tenho mais; A alegria dos tempos atrás”.
Mais uma dose – desta vez chorando prantos intermináveis grita ao atendente do balcão.
“Só melancolia os meus olhos trazem; Ai, quanta saudade a lembrança traz; Se houvesse retrocesso na idade; Eu não teria saudade; Da minha mocidade”
Pedido atendido, golo tomado, tontura sentida. Termina de escutar os últimos versos. Chora mais um pouco, limpa as lágrimas dos olhos vermelhos de dor, e finalmente sai.
Segue a rua cambaleando na esperança de que algo aconteça e absorva aquela toda dor.
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Pouco me importa
Pouco me importa se hoje acordei negro. Afinal, ontem, fui dormir cândido. Se meus olhos verdes misturados com minha boca lilás possuem alguma coisa conflitante com o céu que insiste em amanhecer cinza...
Pouco me importa.
Só sei que o gris da vida, acompanhado pela vermelhidão da tua boca, de tempos em tempos me deixa louca. Sim!, me deixas louca, me arranca a roupa. Corrói-me como aquela maldita soda, guarda ali sob a pia da cozinha, e limpa toda a crosta nojenta de ódio e rancor que vem me encobrindo durante anos... séculos... milênios.
Pouco me importa se o caminhar do meu pensamento é amarelo. Se as luzes que vejo em todos os cantos são azuis. Que se realmente você quisesse “poderíamos mudar o mundo... quem roubou nossa coragem?”...
Pouco me importa.
Se te deixo louca com o vermelho da minha boca. Mas isto não é nada comparado ao seu tão louco sorriso azul, que com um pequeno olhar me coloca a voar. Flutuo entre nuvens rosa e lilás. Não sou mais o mesmo. Fico louco, estupefacto.
Pouco me importa se não vem ou se não vou.
Azul, verde, amarelo, lilás e finalmente vermelho... Vermelho sim, do amor, da dor, do terror...
De você e de eu...
Pouco me importa.
Só sei que o gris da vida, acompanhado pela vermelhidão da tua boca, de tempos em tempos me deixa louca. Sim!, me deixas louca, me arranca a roupa. Corrói-me como aquela maldita soda, guarda ali sob a pia da cozinha, e limpa toda a crosta nojenta de ódio e rancor que vem me encobrindo durante anos... séculos... milênios.
Pouco me importa se o caminhar do meu pensamento é amarelo. Se as luzes que vejo em todos os cantos são azuis. Que se realmente você quisesse “poderíamos mudar o mundo... quem roubou nossa coragem?”...
Pouco me importa.
Se te deixo louca com o vermelho da minha boca. Mas isto não é nada comparado ao seu tão louco sorriso azul, que com um pequeno olhar me coloca a voar. Flutuo entre nuvens rosa e lilás. Não sou mais o mesmo. Fico louco, estupefacto.
Pouco me importa se não vem ou se não vou.
Azul, verde, amarelo, lilás e finalmente vermelho... Vermelho sim, do amor, da dor, do terror...
De você e de eu...
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Perversa
"Sempre o teu rosto
Nos meus espelhos,
Teus cães de caça
Nos meus joelhos
E um perfume
Que me mata de ciúme.
Sacerdotisa atormentada
Por ficar ao teu lado
Eu estou possuído
Eu estou condenado.
Mulher perversa,
Não interessa
Que eu enlouqueça nos teus pés
Entre as pulseiras e os anéis.
Meu doce vício,
Meu suicídio.
Martírio e idílio em cada vez
Lua da minha insensatez
Vinho da minha embriaguez."
Fonte: Música:Perversa
Autor: João Bosco
Nos meus espelhos,
Teus cães de caça
Nos meus joelhos
E um perfume
Que me mata de ciúme.
Sacerdotisa atormentada
Por ficar ao teu lado
Eu estou possuído
Eu estou condenado.
Mulher perversa,
Não interessa
Que eu enlouqueça nos teus pés
Entre as pulseiras e os anéis.
Meu doce vício,
Meu suicídio.
Martírio e idílio em cada vez
Lua da minha insensatez
Vinho da minha embriaguez."
Fonte: Música:Perversa
Autor: João Bosco
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segunda-feira, 5 de abril de 2010
Avulso
Avulso,
Somente soluço...
Sem a luz do crepúsculo,
Senti-me um molusco,
De novo soluço...
Avulso.
Somente soluço...
Sem a luz do crepúsculo,
Senti-me um molusco,
De novo soluço...
Avulso.
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domingo, 4 de abril de 2010
Ausência
A sua falta me faz falta.
Mesmo perante a luz da ribalta.
Mesmo sendo eu um ator, um cantor, seu amor.
Quisera que mesmo sendo o diretor,
Deste espetáculo de dor,
Que ousa de quando em vez falar de amor.
Um amor, uma dor, um ator.
Mesmo perante a luz da ribalta.
Mesmo sendo eu um ator, um cantor, seu amor.
Quisera que mesmo sendo o diretor,
Deste espetáculo de dor,
Que ousa de quando em vez falar de amor.
Um amor, uma dor, um ator.
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sábado, 3 de abril de 2010
quinta-feira, 1 de abril de 2010
É num tempo destes
É num tempo destes,
Quando vêm as lembranças,
Que a gente balança.
Uma rua que passou,
Um beijo que roubou,
Uma viagem que viajou.
Um chocolate amassado,
Mesmo que seja roubado,
Daquela caixa do lado,
Que foi pro endereço errado.
Um sorriso de infância,
De uma doce criança,
No meio desta festança.
Um beijo roubado,
Um abraço apertado,
Um sorriso de lado.
Um passeio na praça,
Um gole da cachaça,
Uma fatia saindo fumaça.
É num tempo destes,
Quando vêm as lembranças,
Que a gente balança.
Quando vêm as lembranças,
Que a gente balança.
Uma rua que passou,
Um beijo que roubou,
Uma viagem que viajou.
Um chocolate amassado,
Mesmo que seja roubado,
Daquela caixa do lado,
Que foi pro endereço errado.
Um sorriso de infância,
De uma doce criança,
No meio desta festança.
Um beijo roubado,
Um abraço apertado,
Um sorriso de lado.
Um passeio na praça,
Um gole da cachaça,
Uma fatia saindo fumaça.
É num tempo destes,
Quando vêm as lembranças,
Que a gente balança.
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